Discussões sem sentido a respeito de coisas que não fazem a menor diferença



Quinta-feira, Julho 16, 2009

{ Mudamos }



Estamos em novo (e provavelmente definitivo) endereço:
www.cha-tice.com.br

Você devia ter sido redirecionado! Se isso não aconteceu, anote aí pra não cair aqui de novo! :D

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 7:26:10 PM





Sábado, Abril 05, 2008

{ Lista }



Eu preciso parar de catar os cabelos que me caem. Porque é trabalho perdido, tantos são os fios. Muitos mais do que eu deixei pela sua casa. Eu tenho que comprar sal grosso, aos montes, porque agora parece que clonaram meu cartão de crédito. Mas sem me lembrar do sal no copo com incenso em cima da sua estante. E eu devia começar a fumar, porque roer as unhas é feio e eu já não sei mais o que fazer com a ansiedade. Já não posso ver você fumando na sacada, nem perdendo o cinzeiro pelos cômodos.

Tenho que comprar roupas novas, porque o frio vai começar e eu não sei se você vai me esquentar. Eu devia te perguntar isso e mais um grande balde de questões, mas a gente não conversa há quatro dias. E eu não sei quanto tempo é necessário pra considerar isso um desaparecimento, embora a polícia exija 48 horas.

Eu preciso carregar meu celular com créditos. Tanto faz, não consigo mesmo mandar mensagens pra você. E prometi não ligar pra ver se está tudo bem. Eu preciso ir ao mercado. E olhar pro Haggen-Dazs com ar blasé.

Eu tenho que continuar carregando meu nome, todo dia, a cada segundo, que é o mesmo da inominável. E é pesado. Eu devia escovar a gata, sem me imaginar te descabelando. Preciso ler jornal e não achar que aquela notícia interessaria a você.

Tenho que lavar a louça. Antes que comece a feder, como você costuma dizer. Na verdade, eu devia parar com isso tudo e ler minha Piauí que chegou hoje. Aquela revista que você achou enorme e sentou em cima pra não voar na moto. E eu preciso parar de pensar em você, porque isso definitivamente não ajuda.

Eu preciso tanta coisa, mas é difícil ser triste quando se leva a alegria no nome.

O que você devia fazer?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 6:35:19 PM





Segunda-feira, Março 31, 2008

{ Nonsense }



O senhorzinho que cuidava do meu carro me deu um chocolate.

Simples assim. Eu estacionei na rua e, quando voltei, fui lá entregar umas moedinhas. E ele me deu um chocolate. Desacostumada que estou com a gentileza no dia-a-dia (especialmente por parte de desconhecidos), matutei ligeira: alguma coisa aconteceu e ele quer me distrair.

Nada. Tudo certo. Consciência pesada por não acreditar num gesto tão mimoso assim, em plena Sete de Setembro.

E eu vim dirigindo sorrindo, meio sem saber porquê. Preciso parar de querer entender as coisas e as pessoas. Elas sempre vão me surpreender. Como o meu vizinho, com lar quentinho, jantar, carro e família, que simplesmente ignorou meu boa noite.

A noção do mundo morreu afogada no dilúvio, só pode.


Brigada, tio!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:32:32 PM





Terça-feira, Março 25, 2008

{ Três sílabas }



Tudo que eu disser vai parecer drama. E não é, ainda que pareça.

Ele chegou num sábado, sorrindo pra mim enquanto eu descia as escadas. Era diferente do que eu esperava. Não sei dizer como, mas era. Talvez mais vivo, talvez mais doce. E, sem dúvida, bem mais quieto.

Mas não foi naquela noite que ele me conquistou. Nem na seguinte. Mas uma semana depois, enquanto eu amaldiçoava a resistência do chuveiro e lembrava dele dizendo “deixa eu cuidar de você?”. Ele me entendeu muito rápido. Percebeu muito cedo que eu não faço sentido.

Eu fiquei no colo dele algum tempo, o suficiente pra me sentir aconchegada durante uma vida inteira. Ele diz que nunca mais eu fui tão frágil. Talvez ele nunca mais tenha percebido, não sei avaliar. Porque eu sei ser forte e consigo fingir ser forte, e ninguém acredita quando eu caio.

Ele se ofereceu pra fazer o que há muito tempo ninguém faz: cuidar de mim. As pessoas sabem que eu sou forte. Sabem que eu não preciso de ninguém. Ninguém quer a árdua tarefa de cuidar de alguém que não precisa ser cuidado. Ele entendeu. Não sei como, mas entendeu. Ou eu achei que tinha.

E quando ele me olhava, era como se eu sorrisse. Eram dois olhos verdes me olhando – e depois brigando comigo porque eu não falava, justo eu – e ele não era capaz de entender que aquilo me desconcertava. Do mesmo modo que eu não consigo entender, mas ele achava que eu o intimidava. Coisa demais junto. Acabávamos os dois olhando um pro outro. E, mesmo que eu sorrisse, nem sempre existia um sorriso de volta. Eu devia saber.

Sempre gostei dos braços. Fortes. Era tudo o que eu precisava, alguém capaz de me segurar. De amparar tudo o que eu sinto, mesmo que ele não saiba o que é tudo. Talvez nunca tenha sabido. E gostava de despentear o cabelo dele, só porque ele é sempre tão arrumadinho. E de rir quando ele ficava sério e brabo. Ele nunca me entendeu, eu penso agora. Ou resolveu misturar tudo. Não sei. Eu nunca soube nada sobre ele. Ele sempre foi muita imaginação. Talvez muito sonho. Precisava haver alguma coisa errada.

Em algum momento, alguma coisa que eu não sei o que é aconteceu. E eu vejo agora que eu não sei de mais coisas do que eu imaginava. Ele deve estar certo e eu realmente não sei de nada. Ele cozinhou pra mim. Riu comigo. Eu juro que fiz o que pude, mas eu não sei conviver com esse silêncio todo. Eu não sei falar sobre o que faz ciranda na minha cabeça e não ouvir nada de volta.

Em vários aspectos, ele era diferente do que eu considero homem ideal. E encaixava perfeitamente em outros. Somos tão diferentes... tão diferentes que seria difícil imaginar que nós dois estivéssemos juntos.

Vai ver é por isso que não estamos.




Update:
Gracias a Maga e Lu, pela super revisão que eu fui incapaz de fazer.


Não que eu não queira....

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:09:20 PM





Terça-feira, Março 18, 2008

{ Promessa é dívida }



Eu prometi. E apesar de bem atrasada, algumas pessoas merecem as promessas que eu faço. Ela, com certeza, é uma dessas.

Ela é a minha companheira de viagens. E esse devia ser um post sobre o Ano Novo no Rio. E vai virar tudo, menos isso. E ela vai brigar comigo, mas eu nem ligo.

Nossa especialidade é fazer coisas sem programação nenhuma, com pouco dinheiro.

(Porque a gente ainda acredita no dia em que vai ser rica e milionária e vai poder fazer as coisas na louca e com muito dinheiro.)

E assim foi, pra não fugir do que sempre é.

Acordar cedo, ônibus, aeroporto. Táxi, apartamento/escritório dum amigo nosso. E vai ser o máximo da ordem cronológica que eu serei capaz de contar.

O calor de sempre, mas agora a gente até consegue comer. No show dos Stones, primeira ida ao Rio com ela, o básico da alimentação foi sorvete do McDonalds. Isso, claro, na época que eu comia McDonalds, tomava Coca-Cola e usava tênis Nike, mas isso não tem nada a ver com a história. E garanto que se ela estivesse aqui, ela gritaria “eu não alimento a indústria da miséria!”, mesmo que ela alimente. Mas é só pra me aporrinhar, que é a função principal dela.

Você sabe que tudo vai dar certo quando sai na rua com uma pessoa vestida como a Regina Casé. E com bandana colorida no cabelo, uma coisa meio anos 80, meio Axl Rose. Não, ela não sai assim; eu saio. E ela vem comigo! Uma tarde com coelhinhos de animação encenando filmes em 30 segundos. E isso lá é coisa de se fazer no Rio? É. Eu já não aguentava mais, porque os coelhinhos insistiam em gritar a cada dois segundos. Isso tudo com pessoas ótimas, amigos do namorado dela – que na verdade é meu primo, mas que eu nunca conheceria se não fosse por ela (as pessoas, não o meu primo).

Pessoas ótimas são a especialidade dela. Assim como malucos são a minha. Uma questão de identificação, creio eu.

Samba. Sério, que diabos sou eu num samba? Quem me conhece sabe que eu nasci com dois pés esquerdos. Ela é polaca! Rá, quer enganar quem? E a gente samba que nem curitibano, mesmo que eu nem seja uma. Pelo menos eu sei a letra de vários sambas, porque eu tenho uma parte dos meus genes lá na senzala; uma pena que não é a que comanda os meus pés. Whatever. Tudo isso virou nada depois de aquelas pessoas ótimas de dois parágrafos acima resolverem fazer a “dança da galinha turbo” ou similar no meio do samba. Eu ainda sou pára-raio de lóque, você não ia achar que as pessoas ótimas eram normais...

Noite de ano novo, a gente racha um acarajé em Copacabana pouco antes da meia-noite – sobrevivendo a isso, qualquer coisa em 2008 ia ser fichinha. Praia, areia, fogos. Ela é a primeira pessoa que eu abraço e encho de beijo, como devia ser toda virada de ano até o fim da vida – e eu sei que não vai ser assim pra sempre, mas devia.

Primeiro, porque ela aprendeu a beber comigo. E esse é o tipo de aprendizado que não se tem com qualquer um, e é uma dívida que não se paga nunca. Segundo, porque eu reaprendi a levar as coisas de maneira mais calma com ela, mesmo que ela seja a pessoa mais agitada que eu conheça. Bolachinhas enquanto leio. Aprendi a comer lendo com ela, e agora meus livros vivem cheios de migalhas. Meu nutrólogo não agradece, mas eu sim.

Botecos. Metrô para moças, com visões loiras e lindas de um estrangeiro no vagão exclusivo de mulheres. Aaaaaaah, se todos fossem como ele, eu nunca pegaria um vagão exclusivo pra mulheres. E a gente chega no Pão de Açúcar, que é o lugar no mundo que mais combina com ela. É glicose, é lindo, é de rir à toa. E rir à toa é o que a gente mais faz, mesmo que eles não vendam Frutare com ipod (nem sem) na banquinha. A gente ri passando calor, ri com sede, ri bêbada, ri sóbria, ri queimando o couro cabeludo na fila, ri falando com alemães malucos atrás da gente, ri tirando fotos anos 70, ri quando vê que o dinheiro tá acabando, ri quando pega o ônibus errado, ri quando chega na praia e o sol tá encoberto. Ri comendo biscoitos Globo no Leblon ou bolinhos de bacalhau no Bar Luis, que eu nunca sei se é com “s” ou com “z”. Ri mandando mensagens pro analista – que é o mesmo das duas.

E, sem parar de rir, a gente vai à praia, toma um torrão, vai ao Cristo, toma outro torrão, chega atrasada. Fica magenta depois do banho, come muffins no aeroporto e vai sentindo dor por todo o vôo até Curitiba, com as tias da Gol sem servir suquinho por causa de uma turbulenciazinha jaguara.

É impossível, hoje, imaginar minha vida sem ela. É minha filha, e às vezes eu tenho medo de ter filhas de verdade que nem se aproximem do que eu tenho com ela.

Todos os tomates do mundo são pra ela.

A gente ri até quando chora...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:38:53 AM





{ De amores e galochas }



Eu não sei o que eu estou fazendo acordada a essa hora. Não é tarde e não é cedo. E eu cogitei voltar a dormir.

Mas ele vem, me pega pelo braço e me traz até aqui. Pra não fazer nada, ficar aqui e esperar por ele, que é só o que eu tenho feito desde que eu conheci – mesmo que eu finja que não. Os dias de janeiro têm sido muito cinzas. E sempre me trazem o calor dele, com todas as cores. Cores demais, às vezes. Culpa demais. Sorrisos o tempo todo.

Mesmo que eu trema do pé à cabeça ao lado dele. E que eu não saiba muito bem o que fazer – ou saiba tão perfeitamente que qualquer outra atitude pareça completamente sem sentido. Eu fico parada olhando, pensando em tudo. Pela janela, a razão acena ao escorregar pra dentro dos bueiros, junto com aquela água toda. Se despedindo. Ele me traz aqui só pra lembrar dele. Pra sair da caixinha onde ele dorme quando eu tenho paz.

E quem diabos quer paz? Eu quero a pele, os dedos, os cabelos. O cheiro e o gosto. Às favas esse negócio de serenidade.

Chuva e garoa, por dias inteiros. Eu penso em comprar galochas. Pela primeira vez em muito tempo, eu não tenho nada a perder – a não ser meu tempo. E eu já gasto meu tempo cinza em coisas que valem tão menos a pena. Quando até a gata resolve me atacar, mais arranhões parecem fazer todo o sentido. Talvez você não entenda. Talvez goste da sua vida comum, com dias comuns, cheios de calma e sossego. Eu sou contra o sossego. O meu e o seu.

Porque se é pra chover, então eu quero estar ali fora e pegar a chuva toda. E que se dane o resto todo.

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:38:02 AM





{ Vida fitness }



Deu de correr. É assim agora: acorda, toma café e vai. Os joelhos, sempre podres, tendem a piorar. Ela não liga, corre.

Começou pra provar que podia. Mais uma das tantas coisas que a teimosia a levou a fazer. Queria mostrar pra ela que era capaz. Dar um passo adiante. Dar vários passos. Rápidos. Cada batida do calcanhar no asfalto era um sofrimento e um alívio. Os joelhos ardiam, a respiração ofegava. Mas continuava, porque tem gente que prefere chamar teimosia de perseverança.

E era assim que os dias começavam: com dor. Não seria diferente de alguns outros dias, quando não saía da cama. Chegava em casa destruída, encharcada e sorrindo. Superar os próprios limites faziam dela alguém que podia tudo. Como se tudo sempre dependesse só dela, o tempo todo. E, por ser teimosa, queria ser capaz de fazer tudo sozinha.

Então corria. Pra escapar do que não dependia dela. E a corrida virou uma fuga desesperada, pra não pensar nos mortos-vivos que acham que a vida dela é cemitério de filme B. No que atordoa quando ela tem que responder se está tudo bem. Está tudo bem demais, e isso assusta. Talvez fosse mais tranquilo quando a desgraça estava feita.

As árvores, as pessoas. As casas. A velhinha sentada na varanda. O cara consertando o carro. Com o tempo, decidiram se mover e correr, enquanto ela ficava parada. As coisas passavam por ela, e, embora ainda ouvisse o barulho do pé no asfalto, estava parada – era a sensação que tinha quando calçava o tênis e saía. Ia flutuar e já voltava. Mesmo que às vezes doesse. Que o joelho insistisse em se fazer notar. Que a perna falhasse uma pisada de vez em quando.

Mas ninguém te julga quando você é uma pessoa que flutua. E agora ela corre só pra sorrir depois.

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:36:33 AM





Sábado, Dezembro 29, 2007

{ Ano que vem... }



2007 foi um ano meio xexelento. Não que tenha sido feito só de coisas malas: não, isso não. Muita coisa boa aconteceu, mas nem tudo se manteve. E tal qual história de amor, não importa nada o roteiro todo, o que importa é o final feliz.

Talvez 2007 só precisasse de um final feliz pra ser um pouco menos mal falado. E talvez seja minha culpa. E sua. Ainda sobram uns diazinhos pra escrever um final mais merecido - e eu, que vou pra cidade maravilhosa amanhã, já tenho uma bela duma ambientação pra um fim de história. Veremos.

Por ora, fica um texto do Carpinejar. Talvez a gente devesse insistir um pouco mais em 2008.



"INSISTA...

Sempre insista. Fale mais do que seja possível pensar. Insista. Temos que ter a capacidade de superar as resistências. Toda primeira conversa enfrentará uma série de inconvenientes. Mas insista. Não recue com a gafe, com o estardalhaço, com a vergonha. Siga adiante. Comece a rir sozinha. Rir é receber a pergunta: o que você está rindo? Rir é ser perguntado. Não há motivo para rir, rir é se abraçar. Minha risada é meu gemido público. Acordar me deixa excitado.

Talvez aquela amiga não queira namorá-lo para não estragar a amizade. Portanto, diga: quero hoje estragar nossa amizade. Estragar de jeito. Arruinar nossa amizade. Corromper nossa amizade.

Estrague fundo, o amor pode estar recolhido nela. Mas não aceite tão rápido o que ela não acredita. É disfarce, vivemos disfarçados de normalzinho, de ponderado, de retraído, porque a verdade quando surge faz atitudes impensadas, como comer algodão-doce nesta terça-feira diante de uma escola de normalistas. Que saudades de acenar para uma freira dirigindo um fusca. Deus é uma freira dirigindo um fusca. Tenho saudades de me exibir cortando laranjas. As tiras simétricas, os cabelos loiros da laranjeira. Tenho saudade de passear com a minha laranjeira.

Não se explique, insista. Eu não vou ficar esperando alguém me salvar. Eu mesmo me salvo. Eu mesmo me arrumo para a loucura.

Insista. O apaixonado cria sua boca. Cria sua boca para cada boca. Caso tenha prometido ir atrás dele, vá. Telefone, ainda que atrasada dois anos da promessa. Volte atrás, não queria pensar com os olhos, a boca são olhos mais atentos.

Não se intimide ao encontrar seu homem no momento errado. É sempre o momento errado. Seja o momento errado da vida dele. Mas seja parte da vida dele.

Seja o erro mais contundente da vida dele. Seja a vida do seu erro, para ele errar mais seguido.

Talvez aquele amigo não converse para manter a aparência de misterioso. Talvez ele nem saiba conversar, seja incompetente. Insista. Uma hora ele vai tomar um porre do seu silêncio, sentar no meio-fio e falar aramaico. Todo homem guardado uma hora fala aramaico. Insista, esteja perto para o sermão dos pássaros no viaduto.

A vida mete medo quando ela não é formalidade, não temos como nos defender do que parte dos dentes. Tenha um medo assombroso da vida, que é mais justo, deixe a morte com ciúme e inveja, deixe a morte sem dançar.

Não fique articulando frases inteligentes, comoventes, certas. Insista. Sei o valor de uma fantasia, mas insista. Tropeçar ainda é andar, pedir desculpa ainda é avançar, concentre-se na dispersão.

Ninguém quer falar com ninguém. Mas insista. Na sala do dentista, no trem, no ônibus, no elevador. Insista. O que mais precisamos é estranheza para reencontrar a intimidade. Não há nada íntimo que não tenha sido estranho um dia. Seja estranho com o ascensorista, com o porteiro do prédio, com a colega. Declare-se apaixonado antecipadamente. Depois encontre um jeito de pagar. Ame por empréstimo. Ame devendo. Ame falindo.

Mas não crie arrependimentos por aquilo que não foi feito. Sejamos mais reais em nossas dores.

Tudo o que não aconteceu é perfeito. Dê chance para a imperfeição. Insista.

Estou cansado de me defender - sou só ataque. Insisto."

(Fabrício Carpinejar)


E feliz ano novo!


postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:43:43 AM





Terça-feira, Novembro 13, 2007

{ Eu não posso fazer tudo sozinha }



Eu cansei de ser sempre a moça forte que pode tudo. As bolhas nos meus pés doem de ir atrás das coisas que eu quero. Sempre. Toda vez. Eu não sou essa muralha. Eu mal sou uma muretinha.

A gente discutia a incondicionalidade do amor. Eu não quero nada, só quero que você me ame mais do que acha que consegue. Um amor que não sabe que horas são, se eu sou mais esperta ou se vai chover. Um amor assim, daqueles que chegam e invadem tudo. Daqueles que não querem saber se você é completamente diferente de mim. Que não ligam se a gente é exatamente igual.

Eu quero que você bata no cara que me cantou no bar, que a razão saia pianinho pela porta da frente, que você alugue a casinha... e ame. Ame! Sem saber se tem amor de volta, se vai dar casamento, se vai ter que tomar muita cachaça pra esquecer ou se nós vamos ter nossos Sofia, Lara, Vinicius e João.

Eu quero alguém que me ame mais do que pense.

_


Não sei como fiquei tanto tempo longe daqui. Essa é a minha casa. Me esconder embaixo da cama não significa que eu não more aqui, certo?
Mais desabafo que qualquer outra coisa. Pelo menos não me tomam a casa (né, Cheshire? ;D). Volto logo. Mesmo mesmo mesmo, de verdade. Só não prometo textos melhores, hahahahahaha!


saudades!


postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 6:26:20 PM





Segunda-feira, Junho 04, 2007

{ Birra }



Eu ainda sei escrever. Só não sei se eu quero.


humpf.

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 4:07:38 PM





Segunda-feira, Abril 02, 2007

{ As histórias }



Deu de começar os textos com verbos. Porque, afinal, é assim que começam todas as histórias, não é? Começando. Nem sempre importa quem faz o que. Nem onde. Nem com quem. Às vezes, só importa que seja feito.

Como grandes histórias de amor. Eu e você, eu e aquele outro, você e aquela uma. São só grandes tramas românticas - às vezes, nem isso. E importa?

Os verbos indicam muito mais que uma ação. Indicam coragem em fazê-la. Se bem que dizem que a coragem é uma forma de burrice. Que seja. Não faz mais diferença quem fez o que. O fundamental é que foi feito, e é por isso que estamos aqui agora. Nesse ponto da história, e não lá naquele outro, cheio de vírgulas e poréns. E novos parágrafos que sempre acabavam contando a história do parágrafo anterior.

E eu não quero saber se as letras que se escrevem saem de mim ou desse pequeno demônio que mora aqui dentro. Deixe que grite e que não faça sentido. Como eu não faço. Nem você. E não interessa quem, desde que as atitudes sejam tomadas. E novas histórias sejam contadas.

Que venham, cheias de verbos.


Contando...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:24:46 AM





Terça-feira, Janeiro 30, 2007

{ O trabalho que enobrece o homem - será? }



"E aí, no ano 2000, haverá máquinas que farão tudo por nós. E trabalharemos quatro horas por dia, e teremos férias de três meses." Pelo menos, era assim que pensavam meu pai e os amigos da faculdade, lá na década de 70. Acho que alguma coisa deu errado.

A jornada de trabalho continua a mesma desde então. E, arrisco dizer, com um volume de trabalho muito maior. Um trabalho que tomava uma semana pode ser feito, hoje, em um dia - e, no resto do tempo, ao contrário do que acreditavam meu pai e os colegas, não existe descanso. Existe mais trabalho.

"Ninguém está aqui trabalhando por hobby, está?". Não. Ao se tornar passatempo, o trabalho vira diversão. E, definitivamente, isso não tem nada a ver com sair de casa de manhã e voltar ao fim do dia, reclamando da vida. Lembro de uma reportagem que tentava ensinar aos pais como transmitir aos filhos a sensação de que trabalhar é bom. Como se isso fosse possível.

Encontro a definição - não sei se a mais correta, mas, pelo menos, a mais sincera - para "trabalho", feita pelo Grupo Comunista Internacionalista, da Bélgica: "o trabalho é a negação da vida, da alegria e do prazer humano. O trabalho faz do homem um estranho para si mesmo, alienado da humanidade como um todo." Pegar no pesado sempre foi coisa de escravo mesmo, até que apareceu alguém com essa conversinha de que "o trabalho enobrece o homem" e incutiu no ser humano a sensação de culpa por não estar fazendo nada. Ou pior que isso: de estar fazendo alguma coisa que dê prazer.

Tive um emprego, certo tempo atrás, em que eu sorria e dizia "vou pro trabalho". Não, aquilo definitivamente não podia ser um serviço sério (e era). Mas fui educada para saber que o mundo está cheio de gente lutando, estudando, trabalhando, e que eu tenho que ser melhor que eles. Passo várias horas por dia trancada num escritório, fazendo uma segunda faculdade e ainda vou apostar num mestrado, só para continuar brigando - uma briga que nem sequer fui em quem comprei. Várias vezes eu me pergunto se isso tudo vale a pena. Se não era melhor aproveitar esse tempo para viver de verdade.

"Mas vai ser bom pra você, profissionalmente, esse tempo que você está gastando agora". E o que eu faço com esse eu não-profissional, que tem vontade de tomar sol deitada na grama e ficar vendo o tempo passar com cabeça tranquila, sem se preocupar se eu devia estar aproveitando esse tempo fazendo algo realmente útil? Afogo no baldinho?

Alguma coisa ainda há de restar disso tudo. Espero não ser o arrependimento.


lerê, lerê...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:04:30 AM





Domingo, Janeiro 21, 2007

{ Sing a song }



Tem coisas que só Ray Charles pode fazer. Como me botar pra escrever esse tipo de coisa.


é, tudo o que não podia acontecer está acontecendo
(de novo)

eu continuo com vontade de dizer que queria você aqui comigo
mas, ah,
só o que eu consigo dizer é um monte de frases bobas sem sentido
não devia ser tão difícil, eu aqui e você aqui comigo
e a vontade de largar tudo e ir te encontrar de pijamas às três da manhã

porque, de repente, você podia dizer que gosta
de eu aparecer às três, de ficar comigo, de mim
e me abrace e diga que teve medo

quem sabe aí eu não acorde nunca
e ray charles nunca pare de cantar




aproveitem que vocês têm o ano todo pra esquecer isso.


lalalá...


postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 1:37:54 PM





Quinta-feira, Novembro 16, 2006

{ Férias, pelamordeDeus }



texto publicado originalmente no jornal hora h, em 17/11

Ela não sabe. Só isso. Às vezes fica parada, olhando a parede, o relógio vermelho teimando dizer que o tempo insiste em passar. Quer fugir, mas não sabe pra onde. Quer casar, mas não sabe com quem. Quer ficar rica, mas não sabe como. Quer comer, mas não sabe o quê. Então fica ali parada, fitando a parede. Até à noite.

Novembro é o pior mês do ano: aquele em que está perto das férias, mas ainda falta muito. Em que se planejam as viagens de fim de ano, mas não se sai do lugar. Em que se quer mandar tudo pro espaço e sair pelado gritando na rua. Mas não seria aconselhado, ela acha.

Podia gastar esse tempo lendo, mas é incapaz de se concentrar. Lê uma linha, pula duas, come três palavras... além disso, dúvida em decidir qual livro ler. Há tanta coisa para ser feita - mas o quê, exatamente, ela não lembra.

Toma banho porque deve ser tomado, dorme porque já é noite, vai trabalhar porque já é dia. Vida besta mesmo. Que vai vivendo só porque também não decidiu se vale a pena continuar vivendo ou não.

Pensa em salvar o mundo, mas lembra que não conseguiu pagar o telefone do mês passado. Ai ai. Que duro é não saber. Na verdade, ela se pergunta se já não conhece as respostas, só tem preguiça de parar de olhar para a parede. Vai saber.

Trabalha, estuda, trabalha, estuda, trabalha, liga a tv, vê a novela. Agora tem mais canais pra assistir, mas às vezes não sabe o que escolher entre tantas opções e acaba vendo o de sempre. Êta vida besta.

Faz mais de ano que ela escreve pra um jornal, mas não sabe de verdade se tem mais do que três leitores. Às vezes pensa em desistir de tudo e vender bijuteria na praia. Outras vezes, decide vender o carro e dar entrada num apartamento, tornando-se uma investidora do ramo imobiliário. Ela não sabe o que quer, definitivamente.

Para não matar os leitores de tédio, para não enlouquecer totalmente e para garantir um fim de ano relativamente saudável, ela vai tirar férias. Quem sabe, assim, ela conheça um milionário pra casar, fique rica e fuja para a Indonésia, onde comerá pratos exóticos. E aí patrocine projetos para acabar com a fome no mundo e decida ver a telejornais em que ela apareça dando entrevistas sobre seu trabalho como salvadora do mundo.

Mas se nada disso acontecer e se as pessoas desse jornal permitirem, dia 22 de dezembro ela está de volta para desejar um feliz Natal. Por hora, ela vai lá ter mais tempo para olhar a parede.

***

A quem interessar possa, esta que vos escreve continua (ou vai tentar, pelo menos) a escrever no blog www.cha-tice.blogger.com.br. Na pior das hipóteses, dá pra reler uns textos e descobrir uns não-publicados. Até daqui a um mês!

não dá pra dizer que eu não avisei!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:11:32 PM





Quinta-feira, Outubro 26, 2006

{ É proibido beijar no salão }



- Desculpe, senhor, mas isso não é permitido.
- Ahm? Como assim?
- É proibido beijar no salão.

Isso aconteceu num café, em Curitiba. É, num café, não numa igreja, nem numa escola infantil. Um lugar de gente que toma essa bebida cheia de cafeína, por vezes com álcool. Um ambiente onde, reza a lenda, reúnem-se pessoas inteligentes e intelectualizadas.

Mas é proibido beijar no salão.

Porque, vai ver, os freqüentadores de cafés são ranzinzas o bastante para se incomodarem com casais felizes que se beijam. Como se eu fosse uma fumante, invadindo narinas alheias com fumaças de amor e felicidade.

(Em tempo: eu não fumo e não sou lá muito fã de cigarro, mas acho uma maldade proibirem as pessoas de fumar num lugar "aberto" como um shopping.)

Alguém pode dizer que um café não é um lugar para fumar, nem para se beijar, é um lugar para beber e comer e conversar. E onde é lugar de beijar? A cama é feita para dormir, o mercado é para fazer compras, o parque é para fazer exercícios, a escada e o elevador são só para chegar ao próximo andar. Se o banheiro é para fazer pipi, o colégio e a universidade são só para estudar, onde diabos eu beijo o meu moço?

Aliás, sugiro placas informativas nos estabelecimentos, com uma boquinha coberta por uma listra: é proibido beijar neste local. E a criação de beijódromos, porque, afinal de contas, em algum lugar as pessoas normais têm que se beijar, não tem?

Bom, acho que não, porque é proibido beijar no salão. E na Universidade, visto que recebi o mesmo aviso no pátio da primeira universidade tecnológica do país. Não pode namorar na escola. É, engenheiro tem que ser frio e calculista, nada desse negócio de ficar se beijando no intervalo (imagino o que aconteceria no caso de um beijo homossexual como o que aconteceu na USP, tempos atrás).

Já esperando os comentários alheios de que eu deva realmente ser muito escandalosa nos beijos, aviso que não. Não falo de um beijo homossexual que possa chocar a multidão mais conservadora. Nem de um daqueles beijos escandalosos dados entre duas pessoas sozinhas numa mesa, que acabam na frase "vamos pra um lugar mais reservado".

Eram cinco pessoas na mesa. O beijo durou alguma coisa como 30 segundos. As quatro mãos envolvidas estavam visíveis, na linha dos ombros. E, ao fim, recebemos o aviso. Ficamos tão surpresos que acatamos.

E então eu recebo o vídeo do "Free Hugs" e do carinha que saiu na Paulista com uma placa "dá um abraço?". Talvez seja isso que as pessoas em Curitiba precisem. Abraços. Carinhos. Calor humano.

E permitir beijos em cafés e universidades.

tudo o que você precisa é amor...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:19:01 PM





Quinta-feira, Outubro 19, 2006

{ Blindagem (e não é a Banda) }



- Uma taça desse bordeaux mais barato e um croissant, por favor.

Ficou sentada à mesa posta na calçada em que ela tanto tropeçava. Coque feito no topo da cabeça, cachecol descendo pelo ombro, quase tocando o chão. Acendeu o cigarro e deu uma tragada profunda, como se absorvesse toda a quietude da manhã sem cor. Para soltar a fumaça em seguida, liberando também um pouco da sua própria coloração cinza.

Era uma mulher blasé. Que não conseguia entender os grupos de adolescentes que passavam lá além, sorrindo e fazendo balbúrdia, mas longe o bastante para não serem ouvidos. Optava por não ver os casais apaixonados que cruzavam sua frente, simplesmente como se não existissem. Olhava através das coisas e das pessoas, com uma cara de desdém que nunca se desfazia.

O garçom deixou a refeição sobre a mesa. Se é que aquilo podia ser chamado de refeição. Passou a engolir o que estava à sua frente, sem prazer e sem fome. Pessoas blasé não precisam de alegria nesse tipo de atividade corriqueira, assim como não precisam para mais nada na vida. Ela não se lembrava da última vez em que dividiu a cama com um homem - não que fizesse muito tempo, mas simplesmente porque não merecia ser lembrado.

Seguiu mastigando a massa folhada do croissant de pastrami, sem se recordar que era seu sanduíche preferido - porque foi o que comeu na primeira vez em que foi ao cinema com seu pai. Continuou tomando vinho, esquecendo que um bordeaux, embora mais vagabundo, tinha sido a bebida daquele encontro. Aquele, que seria o melhor da sua vida se ela realmente se emocionasse com alguma coisa. Ela não lembra de como tudo começou. Não porque estivesse bêbada demais (ela nunca fazia nada demais), nem porque tivesse passado por uma lobotomia. Era só uma mulher blasé.

Uma Catherine Denéuve, deslizando pela rua com seus óculos escuros gigantescos e o cachecol balançando com o vento. Uma pessoa com controle total e absoluto de seus sentimentos, até porque não os tinha.

Caminhou pela rua sem prestar atenção a nada, sem se ater ao pequeno cachorro que quase lambeu sua bota ou ao guardador de carros que lhe ofereceu uma florzinha caída de uma árvore. Entrou em casa sem se importar com o vizinho que a espiava pela fresta da porta, sem se perguntar de quem seria aquele envelope vermelho na sua caixa de correio.

Deixou as chaves e a correspondência sobre a mesa e foi ao banheiro. Abriu a porta do armário atrás do espelho. Ufa. Ainda estava lá.

Num pote de vidro com formol, seu coração. Bem guardado, para o momento em que se permitisse, pela primeira vez, perder o controle. E viver de verdade.

(suspiro)


postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 3:56:31 PM





Terça-feira, Outubro 03, 2006

{ Sobre a mentira: cena única, ponto final }



Introdução:

Clipe de guerra medieval. Cavalos, armaduras. Muito pó. Um rio (sempre tem um rio nas minhas brigas). Não há sangue! Exclamação, exclamação, exclamação.

Corta.

Um bar, uma mesa de sinuca. Quatro bolas na mesa, o taco derrubando uma delas caçapa abaixo. O jogo continua. Reticências. Três delas, como os três pontos que a compõem.

Corta.

Parte 1:

Um lugar qualquer, um dia qualquer. Mundo real, cena 1.

Vamos fazer um acordo. Eu finjo e você faz que acredita. Assim mantemos essa convivência pacífica que faz de nós cidadãos normais e amigos.

Não é mais como antes. Isso não. A magia se desfez depois de algum truque malfeito em que percebi a verdade - não era mágica, era só um disfarce. Ilusionismo, era assim que os profissionais chamavam. Mas eu finjo que acredito e você finge que não percebeu.

Porque eu não sei se é pior mentir dizendo que eu te amo ou que eu te odeio: e as duas são grandes mentiras. Ainda faz alguma diferença você estar ao meu lado, mas eu ainda não entendi exatamente qual é.

Mas finjamos que nada aconteceu, nunca. E que os dias sempre foram felizes - mas não tão felizes quanto aquelas horas. Vamos enterrar tudo como se nada tivesse acontecido, está bem pra você?

Ponto de interrogação, mas, na verdade, tudo o que ela queria era um ponto final.

Parte 2:

Um lugar qualquer, um dia qualquer. Mundo real, cena 2.

Não, para mim não. O que você não entende é que eu nunca te enganei. Não, deixa eu terminar. Eu nunca prometi nada disso que você esperou. Você se iludiu por sua conta. Você inventou a magia, as cartolas e os coelhinhos. Eu nunca disse que ficaria com você, disse? Desde o princípio. É só a química, sabe como? Eu não consigo me controlar perto de você - mas nunca seremos namorados.

Só não ache que é só sexo. Não é. Eu gosto de você...

Três pontinhos - que ele adora e ela não agüenta mais. Nunca mais.

Parte final e pedido encarecido:

Vários dias, várias vezes. Mundo à parte. Cena final.

E é assim que se termina um relacionamento sem terminar. Eu não gosto de reticências, apesar, apesar de ter deixado algumas poucas durante a vida. Sempre preferi os pontos finais, muito mais incisivos. Mais diretos. Se você quiser, depois a gente volta a construir uma frase. Nova. Ou um texto todo. Mas começando em um novo parágrafo.

Agora? Ainda há muitos atos e capítulos e páginas e histórias e letras a serem escritas. E você morreu, pelo menos por enquanto. Permito uma breve reaparição após o capítulo 14 - só pra eu poder te matar de uma vez.

Por enquanto, por favor: permaneça morto. A história agradece.


Não aceitamos vaias, obrigada! :)

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 6:01:41 PM





Terça-feira, Setembro 12, 2006

{ Visitas noturnas me tiram o sono! }



"O descanso é coisa boa ....para os mortos." - Thomas Carlyle


Clic. Liguei o abajur. Já passa das três da manhã e - muda, vira, rola - o sono insiste em espiar da sacada. Está lá, fazendo micagens enquanto grito pra parar de palhaçada e entrar logo. Não adianta.

A gata, ao meu lado, dorme tranquilamente. Observo a barriga subir e descer, acompanhando o ritmo da respiração. Eu nem respirava mais. Só sabia que o ar entrava em meus pulmões porque continuava viva.

Droga. Quebro mais uma unha. Impressionante a falta de capacidade em conseguir pegar no sono. A cadeira de balanço, ao lado da cama, se movimenta sozinha. Mais um dos fantasmas que insistem em fazer visitas. Eles morrem e resolvem tomar chá de madrugada no meu quarto. Pelo menos esse estava quieto - não gosto das grandes festas que eles promovem sobre a minha cama.

(Lá no céu, São Pedro precisa vigiar melhor seus hóspedes. Ou no inferno, sei lá. Achei que havia um controle de entrada e saída de habitantes. Puá. Não existe burocracia no pós-vida - ou pós-morte, sei lá.)

O sono resolve bater um papo com o nada que ocupa a cadeira de balanço. Eu mereço. Será que dá pra vocês calarem a boca que eu estou tentando dormir?

Clic. Desligo o abajur. O blablablá ao lado continua. Malditos. Quando eu me for desse mundo, terei uma conversa muito séria com o responsável das almas no além.

Silêncio, ufa. Finalmente ficaram quietos. Agora só falta o sono se chegar. Fecho os olhos, respiro fundo...

Tic. Tac. Tic. Tac. Tic. Tac. Tic. Tac. Tudo incomoda. Até a cadeira de balanço, agora vazia e parada. Os mortos insistem em reviver e voltar ao lugar de onde vieram. Talvez porque nunca pertencerão realmente ao meu quarto.

A gata continua dormindo. Os passarinhos começam a cantar lá fora. A cadeira de balanço se mexe, uma última vez. Ele sempre se vai quando o dia amanhece.

Triiiiiiiiiiim. É hora de acordar e voltar ao mundo em que as pessoas existem de verdade. Pessoas que aparecerão durante o dia e irão embora antes do amanhecer. Por favor, tragam seu próprio chá. E falem baixo, por favor. Estou tentando dormir.

***

Teoria sem sentido do dia: não que o vizinho de cima tenha o hábito, mas vocês já tentaram ouvir música escocesa? Gaitas e mais gaitas de fole, um sonzinho insuportável de se ouvir por mais de dois minutos seguidos. Minha vizinha de mesa no trabalho escuta. Deve ser por isso que o uísque dos escoceses é o melhor...


Saiam! Saiam!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 3:03:21 PM





Terça-feira, Setembro 05, 2006

{ Run, Forrest... run! }



Cuba. Portugal. Chile. Pra onde você iria, agora, se pudesse?

Parecia um bom dia para viajar. Gostava de dias assim, em que acordava e pensava que podia estar na estrada. Então, entrava no carro e dirigia. Nem sempre tinha rumo. Nem sempre queria chegar a algum lugar.

Queria conhecer Cuba. Desde que começou a ler Pedro Juan Gutierrez e descobriu um mundo diferente do que ela conhece. Se pudesse, não acabaria essa frase e iria pra lá. Mas não pode, há coisas a fazer aqui - coisas que ela inventou, é verdade. Mas não pode ir a tão longe agora. Daqui a um tempo sim.

África do Sul. Dinamarca. Tailândia. Aquela água cor de bolinha de gude, que nunca imaginou sair daquela esfera de vidro. Um sem fim de mar, todo colorido, todo transparente. Vai entender.

Nem sempre ela sabia pra onde ir, na verdade. Não só quando escolhia um destino ou uma rodovia para dirigir. Ligou o carro. Olhou o cabelo penteado refletido no espelho retrovisor. É bom curtir o caminho. Mesmo que não se saiba aonde chegar.

Aumentou o volume do rádio. A liberdade de ir a qualquer canto do mundo, desde que quisesse (e roubasse um banco). Odiava quando completava as frases de maneira a trazê-la de volta ao mundo real. Gostava mesmo era de pensar que podia fazer o que quisesse, inclusive mudar o mundo. E pessoas.

Não é preciso motivo pra fazer alguma coisa, mas ela queria conhecer uma guerra de perto. Haiti. Líbano. As pessoas se transformam em tempos difíceis. Queria conhecer um pouco da dor, aprender com quem sofre tanto. Ajudar a contar uma história. Fazer parte de uma.

França. Inglaterra. Itália. Ver de perto se é verdade que Paris é uma "merde", como chegaram a dizer. Aquele tempo todo de história logo ali, ao ar livre. Tanta gente diferente, tomando sol de biquíni no parque - tomando sol sem biquíni no parque.

Dirigiu durante toda a tarde. Até o sol cair e ela pensar que, lá no Japão, o amigo devia estar acordando para trabalhar. Assim como a moça que lê os textos dela e que ela não conhece, mas que tem um sobrinho muito fofo.

Afeganistão. Namíbia. Austrália. Qualquer lugar bem distante daqui. Dirigindo, foi o mais longe que o tempo permitiu. Foi - e voltou. Porque estava presa aqui (e era por isso que queria tanto fugir).

Queria ir pra muito longe, pra esquecer o que está muito perto.


***

E só pra eu não me esquecer de porque eu gosto tanto de Los Hermanos: "mas não me peça para amar outra mulher que não você...".

(às vezes, a gente ama tanto que dói).


Ou, em outras palavras: fuja, louco!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 3:02:16 PM





Terça-feira, Agosto 15, 2006

Correspondência alheia




Oi oi! Tudo bem contigo, tio?

Aqui tudo em ordem. Deve estar quase tão quente quanto aí. Mentira. Tem gente morrendo de calor aí na Europa - mas o povo morre por muito menos aí (gente chique, não pode ficar suando). Em compensação, a lua cheia daqui está de tirar o fôlego. Afe! Dá até vontade de parar no meio da rua e começar a uivar. Perdeu, perdeu. O Flávio até fez umas fotos dia desses, acho, mas eu não vi como ficaram.

Finalmente fui para o sétimo período do Cefet. O último de aulas. Parecia que não ia chegar nunca, credo. Contei minha idéia do trabalho de conclusão de curso pra professora de História do Design, que comprou fácil a idéia. Disse que, muito provavelmente, vou me ferrar fazendo. Tudo bem, sempre curti mais as coisas que parecem impossíveis. Veremos se começo com e-mails tímidos pra uma universidade lá em Havana - e espero que El Comandante resista até que eu vá pra lá...

Como está Paris? Torre Eiffel, croissant, cafés... já vi tudo. Bidê, maître, abajour, soutien, mon amour, ballet, tricot! Ah, não vou gastar todo meu francês com você. Mas estou aprendendo a fazer tricô, parece bom pra não pensar em coisas que não dá pra parar de pensar. O problema é que de vez em quando você esquece de não pensar e perde um monte de pontos, tem que desfazer tudo. Droga. Mas não desisto dos meus talentos domésticos, especialmente agora que aprendi a fazer arroz branco direito.

Tá, esse e-mail não faz sentido. Eu também não faço. É que já cantam os moços do Los Hermanos, "não te dizer o que eu penso já é pensar em dizer". Que seja. Não ia dizer mesmo, mas pensei.

E só pra não dizer que eu não disse nada do que eu pensei: saudade de você.


***


Estou aprendendo a fazer tricô. Eu sei lá porque diabos. Talvez eu queira tricotar sapatinhos de lã pros filhos que eu não tenho. Só espero não acabar fazendo roupinhas pra cachorros.

Eu nem queria pensar nesse assunto. Mas, nos últimos dias, várias pessoas que eu adoro me falaram sobre o medo de ficarem sozinhas. Sobre a possibilidade de simplesmente não terem alma gêmea perdida no mundo. Ou, como disse uma amiga, "o homem da minha vida existe, só que está na Groenlândia. Estou esperando que ele derreta". O meu deve estar junto - e é por isso que somos a favor do aquecimento global.

Tá, falando sério. Eu estou aprendendo a fazer tricô. E não vou me casar com o primeiro moço que eu possa apresentar à minha mãe, só pra provar que eu sou capaz de arranjar alguém. E que se dane o que as pessoas achem de mim.

Eu faço tricô, e isso me basta agora.


E em breve terei um cachecol pra usar ano que vem!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 4:04:50 PM





Terça-feira, Agosto 08, 2006

{ Apresentando: o Manual
de Invisibilidade de Problemas }



Ai ai. Férias. A vida é muito melhor quando se pode acordar às 9h30 da manhã, tomar banho com calma e fazer "aquele" café da manhã. É maravilhoso deliciar-me com torradas e suco de maracujá enquanto assisto a desenhos na televisão ou vejo as crianças do vizinho brigando, sob a tentativa exasperada da mãe em impedir um fratricídio, enquanto penso "benditos sejam o anticoncepcional e a camisinha".

Então, sorrindo, eu me levanto, vou até a cozinha pegar um pouco de café e vejo que da torneira da pia, curiosamente, escorre um filete meio amarronzado. Uma análise mais profunda e eu percebo que, sim, tem um vazamento na minha cozinha.

Tudo bem, nada acabará com aquela bela semana de férias. Nem o marceneiro que ficou de vir arrumar o móvel e ainda não deu as caras. Não, porque temos bolachinhas amanteigadas e sol brilhando lá fora.

Sim, sim. Férias. Esse período maravilhoso que... argh. O gato acaba de vomitar no meio da sala porque, afinal de contas, eu estou de férias e não escovo os pêlos do bichano há dois dias. Com o pano de chão em mãos para limpar a bagunça, ajoelhada, começa a tocar a música que lembra aquele cara que eu quero esquecer.

Eu começo a amaldiçoar esse maldito tempo livre que tenho pela manhã.

Mas nem tudo está perdido. Na tentativa de recuperar uma semana de férias relativamente decente, proponho o Manual de Invisibilidade de Problemas: como fingir que nada atrapalha sua vida em cinco passos práticos.

1- Se você não vê, é porque o problema não existe.
Esconda as contas em uma gaveta que você nunca abre. Não olhe o extrato do banco. Não leia revistas com conteúdo realmente informativo, nem assista a telejornais. Seja um alienado de todos os problemas do mundo. Se puder, nem leia seus e-mails, porque muitos deles são problemas via internet.

2- Evite pessoas que são problemas.
Não se encontre com elas. Não atenda seus telefonemas. Apague-as do msn. Ok, esse tópico poderia estar incluso no item 1 deste manual, mas aí eu nunca conseguiria completar 5 passos para fechar esse guia.

3- Se o problema te persegue, esconda-se.
Alguns problemas, mesmo escondidos em gavetas, gritam. Sugestão: leia um livro ou veja um programa idiota de tv. As duas coisas mantêm a mente ocupada em alguma coisa que realmente não são os seus problemas - na pior das hipóteses, são problemas dos outros.

4- Você fez tudo certinho, mas o problema saltou exatamente à sua frente.
Abstraia. Você não viu nada, isso é tudo coisa da sua cabeça. Sugestão: se não conseguir esquecer o que viu, ouça música barulhenta a um volume altíssimo - o suficiente para que você não consiga concatenar as idéias. Se morar em prédio, sugiro que use fones de ouvido. Você pode fingir não ter problemas, mas não precisa arranjar novas encrencas.

5- Você não tem problemas.
Lembre-se disso.


E ai de quem disser o contrário!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:30:34 PM





Terça-feira, Agosto 01, 2006

{ Fugindo da chuva }




Corre, corre, corre. Sai correndo pela cidade cinza que insiste em lembrar tanta coisa. Era uma noite como essa, só que mais quente. Tão cinza quanto. Tão vazia quanto.

"Você acha que dá pra esquecer tudo? Como se nada disso tivesse acontecido um dia?" Ela se manteve calada. Preferia acreditar que eram sonhos e pesadelos, revezando-se noite após noite na cama quente. E que uma hora acordaria, pronta pra descobrir que isso definitivamente nunca existiu.

Mas agora, corre, corre, corre. Debaixo de chuva. A luz do semáforo ilumina os pingos de chuva. Luz vermelha, para lembrá-la que é preciso parar. Mas ela não pára. Corre o mais rápido que pode, antes que a chuva a alcance. A música toca na cabeça, o tempo todo, num looping infinito. A música que ela ouviu naquela noite, tão cinza e vazia quanto essa - só que mais quente.

Foge, antes que as memórias a alcancem. Não quer ser inundada por essas lembranças que, como a chuva, correm atrás dela.

"A questão, minha cara, é que razão e sentimento são opostos. Isso você sabe, e todos os teóricos concordam. Você pode até decidir o que fazer. Mas não há como fugir do que aconteceu." Não há. Ótimo. Então o esforço todo é à toa?

Continua a correr. Escuta, agora, o apito do trem. Vem em direção a ela, de maneira que ela não pode impedir. O som se mistura à música que não toca em nenhum lugar, a não ser dentro da cabeça dela.

Ofegante, o coração saindo pela boca. Encontra pelo caminho um realejo. Um palhaço, um malabarista. Que diabo é isso no meio do caminho, em plena noite cinza? Corram, a chuva vai pegar vocês também. Não estão vendo?

Corre, corre, corre. Quer chegar em casa, se enrolar na manta e tomar um café quente, como se nada disso nunca tivesse acontecido. Antes que a chuva chegue. Antes que as lembranças a peguem de jeito e a arrastem como numa correnteza para um lugar onde não há como se apoiar.

A luz amarela em sua direção. A chuva logo atrás. O semáforo vermelho pisca, alternado, indicando que vem trem por aí. O apito ensurdece, a chuva logo atrás. Corre, corre, corre. Não pode parar, ou a chuva a alcança. Um pé no trilho, a luz do trem na cara.

É preciso parar, antes que o trem passe por cima. Ela arrisca e aumenta o passo. Antes que consiga alcançar o outro lado do trilho, o palhaço a puxa e ela fica. A um palmo do trem. A chuva a alcança e ela ouve um estrondo.

As lembranças. Atropeladas, moídas no trilho. Ela senta, ao lado da ferrovia. O palhaço, aquele que é o mais triste dos seres, sorri pra ela - que, tão triste quanto, retribui.


chuááááá...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:36:07 AM





Terça-feira, Julho 25, 2006

{ ... }



Era engraçado. Ela se pegava parada, olhando pra tela do computador, esperando fazer a vida fazer sentido. Esperando o texto se escrever sozinho. Esperando as coisas simplesmente se resolverem.

Não era do feitio dela. Era forte, todo mundo dizia isso. Mas às vezes cansa. Especialmente quando tudo parece bem, ela acorda de bom humor e ri e conversa, mas alguma coisa ainda incomoda.

Uma coisa na qual ela prometeu dar fim. E que insiste em gritar que ainda está ali. Droga. Pior que sujeira em copo de bar. Bares que, aliás, ela se prometeu voltar a freqüentar pra não virar essa tia velha e saudável.

Ugh.

suspiro...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:15:11 PM





{ Sobre mudanças e aprendizados }



Sempre achou que sua estação preferida fosse o inverno. Até se mudar para uma cidade onde, diziam, era inverno sempre. Dias frios e cinzas. Pessoas cinzas e frias.

Pensou que sua cor preferida era o preto, até que um dia começou a usar verde. E azul. E agora gosta muito do rosa. E pintou as paredes do apartamento de cores bizarras, como verde limão. Seu estilo de música preferido era a MPB das antigas, bossa nova, aquela galera legal como Baden Powell, Carlos Lyra, Vinicius de Moraes e Tom Jobim. Hoje, apesar de continuar gostando dos caras, descobriu que curte mesmo é indie rock. Mesmo que cometa deslizes e se pegue ouvindo muita música ruim, de vários estilos, só porque a faz sorrir.

Aprendeu que sabe fazer uma mudança de tom na música do Los Hermanos que deixa o companheiro de trabalho dela com inveja, mesmo que não seja lá muito afinada. Mas já perdeu a vergonha de sair cantarolando no meio da rua, mesmo que a chamem de maluca.

Pensou que as pessoas cinzas e frias da cidade onde morava eram todas assim - cinzas e frias. E descobriu gente vermelha, colorida, quente e pulsante. E se apaixonou por várias delas. E até por uma delas, várias vezes - mesmo que ele, como ela, também não fizesse parte da fauna natural da cidade.

Iludiu-se achando que era capaz de esquecê-lo só porque ele foi parar muito longe. Mas não, ele continua lá, ocupando aquele espaço dentro dela. Aprendeu a dar valor às intuições e descobriu que se ferrar faz parte do processo de estar viva.

Durante toda a vida, sempre procurou paz e sossego - e, quando encontrou, morreu de tédio. Mas limitou o tamanho das encrencas em que entra hoje, porque ainda existe aquela encrenca-mor que ocupa uma boa parte da vida dela. Mesmo que tenha aprendido a fingir que não.

Caiu a ficha de que nasceu pra ser livre e se prometeu não fazer mais o que vai contra seus princípios, só pra satisfazer alguém. Aliás, provou a si mesma que tem princípios, quando disseram a ela o contrário. Teve a certeza de que a alegria das coisas existe nas menores coisas, mesmo que seja a comicidade das situações em que se mete. Porque, quando a vida é como um seriado enlatado americano, é fundamental aprender a rir - mesmo quando se acorda com o olho inchado, igual a uma bola de tênis.

Não tem mais vergonha das coisas que faz, mesmo que não sejam tão boas quanto gostaria. E se orgulha do que faz bem-feito. Só continua sem responder aos e-mails atrasados (viu, Reynaldo?), mas jura que vai dar um jeito nisso logo.

E, mais que isso tudo, aprendeu que nada disso realmente importa. Porque, amanhã, tudo vai estar diferente mesmo...


(talvez por isso ainda espere que as pessoas mudem...)

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:08:32 PM





Segunda-feira, Julho 10, 2006

{ Insônia }



Vontade louca de tomar um café e fumar um cigarro. E eu nem fumo. Às vezes a vida obriga a gente a querer um café e um cigarro. E dias mais felizes.

Não conseguia dormir, coisa demais pra uma cabeça só. Dinheiro-contas-trabalho-trabalhos-faculdade-e-mais-trabalhos, além daquelas coisas que insistem em dar errado desde o dia em que eu descobri que tudo que eu achava certo, na verdade, estava errado.

E mais do que era capaz de agüentar, recados cretinos no Orkut, e-mails bizarros na caixa de entrada. Gente morta mandando mensagens do além, querendo me provar que isso é possível. Como se fosse possível, também, essa história de amor dar certo. Já escreveu o sábio Nelson Rodrigues: "não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo".

Não que amasse, não fazia isso há tanto tempo que até já tinha esquecido. Pelo menos, não amava homens. Amava os cigarros que não fumava e o café que bebia sempre, mas que, agora, às 2h30 da manhã, insistia em querer tomar. Deitada na cama, antes de dormir. Contra todas as recomendações médicas.

Mais do que ser contra tudo o que os médicos insistem em indicar, era contra sair da cama quente na noite chuvosa. Ia ficar ali e dormir na marra, mesmo que a vontade de um cigarro me mantivesse acordada. E eu nem fumo. Credo.

Precisava sair. E de cigarros. E de álcool. Talvez as três coisas juntas. Precisava de um pouco de alegria na noite chuvosa que teimava em piscar relâmpagos da janela. Precisava parar de lavar a louça e cozinhar e fazer exercícios e voltar a sair e encher a cara e voltar tropeçando na escada.

Um irish coffee, uma nuvem de fumaça. Uma noitada num boteco esbranquiçado pela névoa do cigarro, escurecido pela falta de luz. E umas doses de tequila. Uma mensagem: "não sei quem é você nem o que você fez com a Letícia, mas eu a quero de volta".

Eu também.

Dias que pedem um cigarro e um café, mesmo que você não fume. E uma garrafa de vodca, na guia da calçada, vendo o dia amanhecer. Mesmo que você não beba.

Porque eu sou contra preocupações na hora de dormir e em todas as outras horas do dia também. Os dias devem ser felizes com cafés durante a tarde, mesmo que com adoçante. E cigarros durante a noite, mesmo que sem companhia. E companhias durante toda a semana, mesmo que sem amor.

Continua chovendo e a cama continua quente. O sono começa a chegar e os relâmpagos insistem em iluminar o quarto a cada três minutos. Pessoas mortas, vivas e recém-assassinadas. Girando em volta da minha cama me lembrando o quão difícil é dormir quando se precisa de um café e um cigarro.

Até o sono chegar de vez.


ZzzZZzZzZZZzzZZzZ...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 4:07:44 PM





Terça-feira, Junho 20, 2006

{ Manifesto pelo ócio }



Eu defendo. Todo mundo deveria ter ao menos um dia na semana sem fazer nada. E não falo só de não trabalhar, não ir pra aula e atividades corriqueiras efetuadas geralmente de segunda a sexta (e, às vezes, sábados de manhã). Falo de não fazer nada. Não usar esse tempo fazendo faxina, nem lavando o carro, nem tendo que levar o cachorro para passear.

Um dia totalmente seu, sem obrigação nenhuma, fazendo só o que der vontade - e se der. Assim, você poderia gastar sua noite de sábado dançando enlouquecidamente na balada. Ou dormindo bem quentinho e aninhado na sua cama. Sim, porque, às vezes, há a obrigação social de sair no final de semana e se divertir (mesmo que você não queira e não se divirta). Uma dessas tais obrigações que a sociedade impõe, como manter a cozinha arrumada, casar e ter filhos. Mas não fujamos do tema.

Semana passada, o feriado prolongado. Era muita coisa pra eu fazer. Quer dizer, na verdade não era. Eu só não queria fazer. Tive quatro dias completamente ociosos, enquanto a pilha de afazeres acumulava. Curiosamente, sempre que eu digo "não fiz nada do que devia no feriado", um movimento solidário me apóia, ao coro de "eu também não".

Mas as pessoas não estavam felizes. Estavam com culpa de não terem feito nada. Culpa do sistema, da educação cristã, da falta de prozac, sei lá. Mas que isso não está certo, não está.

Proponho, então, o manifesto pelo ócio. Por dias inteiros deitado no sofá, assistindo a filmes e dormindo no meio deles, se isso for o que você realmente quiser fazer. Por tardes deitado ao sol, olhando o céu e as formiguinhas carregando migalhas (as formigas também podem ter um dia de ócio, se assim desejarem).

Um movimento pelo direito de não fazer absolutamente nada, sem culpa e sem pensar no que deveria ser feito.

Todos os cidadãos devem ter o direito de passear vagarosamente no shopping, sem medo de perder a hora da sessão de cinema. Devem lamber seus picolés na velocidade que quiserem, sem se preocupar se está derretendo e pingando na blusa. Devem comer quando têm fome, sem se ater a horários pré-determinados para realizar refeições, bem como não obedecer a horários de dormir e de sair da cama.

Aliás, defendo o direito do cidadão não levantar da cama, se esse for o seu desejo. E passar o dia entre travesseiros, lençóis e cobertores.

Manifesto-me pelo direito de não correr no parque, de não ir ao mercado e de não cozinhar. De não ir ao boteco encher a cara com os amigos, de não ler e de não passar os dias namorando ou indo à festa do primo de cinco anos.

Pelo menos um dia na semana.


Naaaaaaaaaaaaaada...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 1:33:45 PM





Terça-feira, Junho 06, 2006

{ Fábula do Hexa }




"A Copa do Mundo é nossa, com brasileiros não há quem possa". Não, não há. Ele sabia disso quando separou sua camisa da Seleção, guardada especialmente para a ocasião. A mesma da Copa de 2002, a mesma do Penta. Em 98, ele preferiu vestir uma camisa nova ao invés da usada em 94, no Tetra. Deu no que deu. Tudo culpa dele.

Mas isso não aconteceria agora. Seriam seguidos os mesmos passos de 2002 e 1994, exceto por um problema: nas duas Copas, ele estava morando com alguém a quem ele chamava de "meu amor" - hoje ela é a "mal-agradecida". Uma esposa, embora não fossem casados - a mãe dela diria "amasiados". Independentemente do status do relacionamento que tinha na época, sempre assistiu aos jogos junto da bem-amada. E agora, a uma semana da estréia do Brasil na Copa, era um homem solteiro. Ah não.

Ele tentou impedir a saída dela de casa. "Você não pode me deixar. Não agora. Espera a Seleção voltar com o Hexa, aí a gente termina". Era pedir demais? Ela era mesmo uma traidora da pátria, alguém que não se importava com as glórias da nação em que vivia. Maldita.

Agora era tarefa dele encontrar alguém para dividir o mesmo teto. Em uma semana. Qualquer pessoa com sentimento patriótico entenderia e aceitaria morar com ele, beijá-lo nas comemorações de gol, deixar a cervejinha para gelar, fazer cafuné para acalmá-lo, pular com ele ao fim de cada jogo. Manter as tradições. Nada demais.

Ao fim da Copa, ela voltaria para casa e eles nunca mais se veriam - e então ele teria quatro anos para procurar uma nova companheira.

Uma semana. Parecia um tempo bem restrito, e ele não sabia exatamente como encontrar essa mulher. Optou pelo modo mais rápido de resolver o problema - algo que a propaganda na tv chamava de "classificados". Decidiu dizer o fundamental: "procura-se mulher disposta a fazer o Brasil ganhar o Hexa. Forneço acomodação e alimentação".

Curiosamente, ninguém respondeu em cinco dias. Parecia um bom anúncio. Mas era Copa do Mundo, quem ia perder tempo lendo os Classificados? Todo o jornal era verde-amarelo. As pessoas só queriam ler o Caderno de Esportes. Era o princípio do fim. Seria, novamente, o culpado pela derrota do escrete canarinho.

Foi até a porta do prédio observar a alegria das pessoas. Coitadas. Não sabiam ainda que a Seleção não traria a taça dessa vez - e por causa dele. Sentou, cabisbaixo, na escada em frente ao prédio. Tudo perdido.

De repente, uma mala e um par de pernas femininas. Bem em frente a ele. "Oi, você sabe onde tem um hotel em que eu posso ficar só durante a Copa?". Ele sorriu.

Deus é brasileiro e a Copa do Mundo é nossa. Mais uma vez.


Não aguento mais Copa do Mundo...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:58:39 PM





Quarta-feira, Maio 31, 2006

{ Histórias Curitibanas }




Levantava, fazia o café. Lavou, passou e cozinhou pra ele. Foi elemento sorridente nos jantares formais em que sua presença era necessária. Deu-lhe uma filha. Cumpriu seu papel na sociedade. Casada, esposa e dona-de-casa, mas cuspiu no café dele por pelo menos 27 anos.

Confessa. Vez ou outra, assoou o nariz e misturou no café com leite.

*

Eu não acredito nisso de amor. Nunca achei ninguém que me amasse. Nunca achei ninguém que merecesse me amar. Eu casei e pronto. Depois de velha, procurar o amor? Não. Eu só procuro o que eu posso encontrar.

*

Uma mulher tão boa. Uma tristeza ser passada pra trás desse jeito. Ai se fosse comigo. Olha lá, judiação. Toda preocupada com as crianças. É bom, a gente chega e deixa os meninos com ela. Aquele marido dela não deixa ela se divertir, pelo menos assim ela se ocupa, não é? Coitada ser corna desse jeito. Olha, o marido safado tá olhando pra cá. Ah, mas até que ele é bonitão.

*

Não agüentava mais esfregar e deixar de molho as camisas sujas de batom. Foi ter com o marido. Se ele continuasse com isso, teria de tomar medidas drásticas: usaria sabão de coco pra tirar as manchas, mesmo que ele não gostasse do cheiro. E tinha dito.

*

Velha ridícula. E não me venham com essa de que se arrependeu do passado conservador, porque ninguém se arrepende de ser decente.

Rebolava na rua, metida numa mini-saia. Mulher com filha e netos fazendo esse papelão. Credo em cruz.

*

E, por fim, algumas coisas nunca mudam. Como a torta de maçã da minha mãe. Era sempre a mesma torta, quase todo fim de semana. Torta de maçã ou pudim de leite, mas a primeira é a que nunca muda. Sempre o mesmo sabor. Sempre as mesmas lembranças. Os mesmos domingos, recheados de Show de Calouros, com o Silvio Santos. Os mesmos dias de quando eu tinha 6 anos.

Sábado arregacei as mangas e fui pra cozinha. A mesma torta, dessa vez com adoçante (malditas gorduras!). Ainda assim, era a mesma. A da minha mãe.

Por outro lado, continuo na biografia do Leminski. O autor, Toninho Vaz, fala de um companheiro do poeta, chamado Lélio Sotto Maior. Juro que tive, com ele, uma palestra na faculdade. Lembro da dificuldade que tinha em falar - balbuciava frases sobre Glauber Rocha. E é isso. Não lembro mais nada. A mim, parecia um velhinho, já meio gagá.

E esse gagá descia a rua XV, mãos dadas com seu amigo Paquito, batom vermelho na boca a chocar os curitibanos (sempre) conservadores da década de 60. Em 2006, devem continuar tão conservadores quanto antes. Porque são como a torta de maçã da minha mãe.


É...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 3:22:13 PM





Segunda-feira, Maio 22, 2006

{ Uma história sobre varais }



Num domingo à noite, Café do Teatro, conversavam sobre qualquer coisa que ela não lembrava. Estava há um bom tempo olhando pela janela. Fundo de um prédio de apartamentos, um varal. Ela tentava identificar as peças. Não conseguia, estava muito longe. Um pedaço de pano vermelho chamava a atenção, grande demais para ser uma calcinha, muito pequeno para ser uma blusa.

Tentava descobrir. Um lenço de homem? Uma camiseta de criança? Não sabia dizer. Engoliu a vergonha e confessou: olhava varais alheios.

Existem vários meios de se observar pessoas. Ela gostava de todos eles. Quando mais nova, lia a "Comédia da Vida Privada", de Luiz Fernando Veríssimo, e criava todas as cenas na sua cabeça. Até que viraram episódios na televisão, e ela confrontava sua versão com a exibida. Era uma apaixonada por olhar a vida dos outros.

Ele falou na possibilidade de revirar o lixo - o que a ela parecia muito trabalhoso, mas a técnica foi usada em uma das histórias de Veríssimo. Varais eram tão mais práticos. Diziam quem morava naquela casa. Se usava meias coloridas, esportivas ou sociais. Se havia crianças. Se as cuecas eram furadas, se as calcinhas eram grandes.

Sempre teve a mania de olhar os outros. Uma das maiores diversões era andar olhando pra cima. Deviam achar que era uma maluca. E daí? Descobriu bananeiras nas coberturas do Rio de Janeiro. Viu pessoas normais vendo tevê no início da noite. Gente lendo na sacada. Muita gente fumando nas janelas.

Aliás, tinha descoberto que fumantes também gostavam de observar outras pessoas. Porque sempre que tinham que fumar na janela, acabavam exercitando seu lado voyeur de viver a vida. Eram os fumantes que a enxergavam dentro do carro, quando ela, parada no sinal, procurava sinal de vida nas janelas dos prédios. Os únicos.

Ela não fumava. Mas gostava de olhar pessoas. E adorava varais. Ele disse sobre uma exposição de fotografias que tinha varal como tema. Várias fotos, panorâmicas. Grandes varais, repletos de possibilidades.

Mas ele não pensou nisso, só viu as cores e achou bonito. Uma pena. Ela teria criado uma história para cada foto. Com cenas de amor e ódio. Roteiros complexos, cheios de tramas. Mesmo que fossem só pessoas com o cotidiano mais comum que se pode imaginar.

E qual seria a graça em imaginar que todo mundo leva uma vida besta?

Pegou o copo de cerveja e tornou a olhar o varal. Talvez o pano vermelho fosse só um guardanapo. Ou um lenço de pirata usado naquela festa à fantasia, quando se beijaram pela primeira vez. Quem sabe?



Ou então...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:56:05 AM





Terça-feira, Maio 09, 2006

{ É Carnaval }



Uma máscara. Era assim que ele se definia a quem perguntasse (não que alguém efetivamente o fizesse). Como se todos os dias fossem Carnaval, como se a fantasia fosse roupa de civil, de todo dia, de ir ao trabalho, à feira e ao cinema.

Vestia sua roupa de pierrô, com lágrima escorrendo no rosto e sorriso rasgado na cara, e ia interagir naquele grande baile de máscaras chamado mundo. Ninguém parecia se incomodar com a fantasia alheia. "Cada um é o que aparenta ser", era a regra. Fazia todo o sentido encontrar Cleópatra na fila do pão ou o homem das cavernas no bar. Eram máscaras, e nada mais. Para levar a existência de forma que ninguém se perguntasse o porquê.

Mas Drummond estava certo e tinha uma pedra no meio do caminho. Naquela manhã - que ele não se lembra se era de sol ou de chuva -, alguém parou em frente ao pierrô e o olhou nos olhos, por trás do disfarce. O palhaço, que a mim sempre teve um quê de triste com sua obrigação de rir e fazer rir o tempo todo, gelou. Dentro dele, todas as lágrimas disfarçadas corriam livremente, como num rio.

(No silêncio completo da noite, era possível ouvir o murmurar desse rio que corria dentro dele, quando a máscara finalmente ficava jogada no chão do banheiro. Durante o dia, carros de som, buzinas, ônibus, gritos, televisão, nunca ninguém era capaz de ouvir o som das lágrimas que o percorriam.

Nunca, até aquele momento.)

Arrisco dizer que, por alguns segundos, o rio dentro dele parou de correr. Alguém se dignou a transpor aquela barreira que o protegia do mundo.

"Por quê?". Foi só o que disse, para sumir entre aquele estranho baile de máscaras. O pierrô não lembra de ter visto fantasia, mas preferiu acreditar que aquele ser era um anjo (como preferiu acreditar que todos os responsáveis por fazê-lo tão triste eram demônios).

Era mais fácil acreditar num cotidiano fantástico, onde todos têm papéis bem definidos; o canalha, a pervertida, a santinha, o vagabundo. Todos sabem do que são capazes - e o pierrô sabia o que esperar de cada um deles.

(Nesse mundo repleto de máscaras, a definição do que somos se torna elemento vital e facilitador.)

Alguém quebrou a barreira e encontrou o homem por trás do palhaço. Ficou a pergunta. "Por quê?"

Decidiu se despir ali, no meio da rua. Não fosse o pierrô e fosse um nu. Um maluco no meio do baile. Não seria mais o palhaço. Não, isso não. Seria o que procura a pessoa por trás da máscara. Que faz a música parar por um segundo, para olhar nos olhos de outro e perguntar: por que?


Alalaô ooô ooô...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:03:07 PM





Terça-feira, Abril 25, 2006

{ A tortura telefônica }



O telefone às vezes nos faz mal
E sem querer acaba uma paixão
Eu me chamo Zé, pois é, fiz a ligação
E ela disse "alô, João"
(Baden Powell)*


Ela esperou muito o telefone tocar naquela noite. Na verdade, conseguiu segurar os instintos por umas duas horas, quando tomou banho e dormiu esperando que ele ligasse. O relógio insistia em fazer andar os ponteiros e o telefone insistia em continuar mudo.

Reorganizou tudo pela quinta vez. Deitou na cama com o cuidado de não amassar a roupa recém-passada. Ficaria ali, esperando. Porque ele ia ligar em breve. Ele prometeu, ela acreditou.

Estava tudo pronto. O vinho, o incenso, a roupa, a cama. Tudo planejado. Ela ficou ali, ao lado do telefone. Pedindo pra ele tocar. E então ele chegaria e eles teriam a mais agradável e inesquecível de todas as noites.

Mais quarenta minutos e nada dele. Ela começava a escorregar na cama, e a roupa começava a amassar. Mas é claro que ele ligaria. E então ela passaria a roupa de novo e faria o retoque na maquiagem e no perfume. Porque ele só deve ter se atrasado. Nunca a deixaria esperando tanto tempo. Ela cochilou. Mas só por uns minutos. Uns 17 minutos.

Acordou e viu a cara de sono no espelho. A roupa amassada. Achou melhor ficar acordada e fazer alguma coisa que a animasse. Tudo em seu devido lugar, só faltava o telefone tocar. Ansiosa, tamborilando os dedos no móvel, olhando aquela invenção fantástica de Graham Bell.

Ela começava a acreditar na intuição que teve de manhã. Ai dele se não telefonasse. Ela o picaria em pedacinhos. E ele teria a pior noite de toda a vida.

Mais meia hora, ela manda uma mensagem no celular dele. Ele simplesmente não responde. Ela inventa uma desculpa qualquer para o silêncio, porque realmente queria acreditar naquilo tudo. Queria continuar acreditando nele. E nela, em especial.

"O homem planeja, e Deus ri".

Era isso, naquela hora Deus devia estar rolando de rir no chão do céu. Era um homem também, o maldito. Esperou mais 20 minutos e desistiu. O telefone não tocaria. Ela maldiz toda a raça humana do sexo masculino. Pensa na grana toda, na produção.

Furiosa, pensou em quebrar a garrafa de vinho - aquele maldito vinho - na cabeça dele, caso ele se desse ao trabalho de telefonar. Achou melhor não devolver a cama aos gatos ainda. Antes afastados para não presenciarem uma noite de amor, agora eram poupados de uma possível cena de tortura e assassinato.

Recebeu uma mensagem no celular desmarcando tudo à 1h15 da manhã. Desligou o aparelho. Desarrumou a cama, abriu uma garrafa de vinho e foi ver "O Fabuloso Destino de Amelie Poulain". E jurou nunca mais esperar o telefone tocar.


*porque não é de hoje que telefones são instrumentos de tortura...


Riiiiiiiiiiiing!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 8:11:00 PM





Quarta-feira, Abril 05, 2006

{ Foi só um engano }



Ahm? Mas com quem eu tou falando? Devo ter me enganado.

Isso aí. Desculpe, foi engano.

Aliás, essa foi a frase do final de semana. Na primeira vez, dita pela minha nova companheira de casa, ligando pro namorado e falando com um completo desconhecido.

"Oi, tudo bem?"
"Tudo bem, o que que você tá aprontando?"
"Ah, tou aqui, blábláblá."
"Que bom, e..."
"Peraí, quem tá falando?"
"Maurício."
"Ah, Maurício, eu queria falar com o Luciano."
"Não tem nenhum Luciano aqui."
"Ai, desculpe, acho que me enganei!"

Em seguida, toca o meu celular.

"Quem é?"
"Letícia"
"Letícia? Mas de quem é esse celular?"
"É meu, uai!"
"Você esteve em Barracão no final de semana?"
"Ahm? Não! Nunca estive em Barracão."
"Maldita, me deu o número errado, aquela vaca. Desculpa, foi mal."

E assim foi. Começou a sexta à noite e se estendeu até segunda no começo da tarde, na verdade. Vários telefonemas enganados. Teve engano até no MSN, programa de mensagens instantâneas na internet. Não era possível que tanta gente se confundisse assim, justamente com o meu número.

Só faltou ligarem pedindo uma pizza. Ou um exame de próstata. Quase todas as alternativas um pouco menos bizarras aconteceram.

Ignorando todos os sinais sobre o quesito "engano", na segunda, fui conversar com o moço com quem eu saía há mais ou menos um mês. Aquela situação meio esquisita, nós meio brigados, sem nos falarmos há dois dias depois de uma espécie de crise.

Pois veja bem, as coisas são assim mesmo. A culpa não é de ninguém.

Todas as noites que passamos juntos, as risadas que demos juntos, as comidas que preparamos juntos. As vezes em que dissemos que gostávamos um do outro. Os beijos que trocamos, apaixonados na cama, fugidios em frente aos que não sabiam que estávamos juntos.

Desculpe, foi engano. Aquela mulher que eu achei que gostava, vai ver, não era você. Até mais.

Tu tu tu...

Alou?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 8:35:12 AM





Quarta-feira, Março 29, 2006

{ Eu tô falando de amor }



"Mas são tão loucas as coisas que fazemos para ser felizes, que amar deve ser só mais uma delas".

Elas conversavam. Porque realmente não dava pra viver ao lado de um bêbado o tempo todo. E eu ainda sou muito nova pra agüentar tudo isso, credo.

Eram três mulheres na mesa. Duas taças de vinho, uma bandeja do McDonald's. Alternavam-se na discussão a mais velha e a mais nova. Com relacionamentos amorosos recém-terminados, falavam sobre os ex-namorados - mesmo que para se convencer da escolha que tinham feito.

Falavam de família. De filhos, marido, morar junto.

Uma das mulheres, naquela mesa, não conseguia acompanhar a conversa. Pensava no quão longe é do outro lado do Atlântico. É longe o bastante para esquecer alguém? Ou só o suficiente para querer estar muito mais perto do que se está?

Perguntou-se o que ia acontecer agora que a distância entre eles realmente ia existir. Durante todo esse tempo, mesmo quando afastados, eles sabiam que podiam se encontrar a qualquer momento - desde que os dois concordassem com a idéia.

Ah, porque não dá pra agüentar essa proximidade toda. Morar junto é um saco. Chega uma hora em que você passa em frente à pessoa quinze vezes e ela nem percebe. É como se a gente fosse mero objeto de decoração, sabe como? A mais nova concordava com a cabeça.

Na verdade, a que só ouvia a conversa não sabia. Sempre que se encontraram, tudo o que nunca aconteceu foi nada. Sempre foi intenso demais - e, por isso, talvez, nunca tivessem um relacionamento nos moldes usuais.

Eu não quero gostar de ninguém, agora vou cuidar só de mim. Só quero caras que me dêem tudo o que eu preciso, amor, carinho, cuidados. "Homens de verdade, sabe como?", dizia a mais nova. A mais velha concordava.

A outra, sem dizer palavra, lembrou que seu homem de verdade era um menino. Com idade e emprego de gente grande, mas só um moleque. E era o que ela mais gostava nele. Aquela irresponsabilidade responsável, de quem sabe quando pode enlouquecer e quando tem que seguir o caminho certo.

O vinho acabou. Sobrou o milk shake de baunilha. Vamos fazer compras? Preciso me presentear, me reerguer. Acabei de sair de um relacionamento, eu mereço!

Vamos.

Enquanto a mais nova e a mais velha olhavam botas, a outra decidiu. Se não achar nada que acabe com esse aperto no peito, aproveita e compra uma passagem pra cruzar o Atlântico.


Arram...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 1:41:05 AM





Quinta-feira, Março 16, 2006

{ Pode ser que nunca mais }



"Quero uma chance de tentar viver sem dor". Mudou a estação do rádio. Era um dia daqueles comuns, com o espaguete cozinhando na panela enquanto ele, sentado no balcão da cozinha, tomava uma taça de vinho vigiando a massa. Em que não queria pensar em nada, pra não se lembrar dela. Nem que estava sozinho. De novo.

A verdade é que tinha, lá no fundo, a esperança de que ela aparecesse como quem não quer nada. Com seu cheiro de banho recém-tomado e o frescor das manhãs de outono, que finalmente pareciam ter chegado. Trazendo o sorriso que ele tanto queria ver e mais uma garrafa de vinho.

E seria mais uma daquelas tardes que se arrastavam até a manhã do dia seguinte, em que eles se enrolavam um no outro o dia todo, ouvindo B. B. King, Lenine e Seu Jorge. Sem fome, "matando a sede na saliva" (sim, também ouviam Cazuza).

Mas ela não foi naquele dia. Nem no seguinte. O macarrão deu a passar do ponto, e o vinho virava vinagre assim que era aberto. "Eu sei que parece muito estranho, meu sonho resolver me abandonar". Amaldiçoou as traduções de Seu Jorge sobre as músicas do Bowie.

Não era a primeira vez que ficava sozinho. Para ser sincero, já tinha se acostumado, até o dia em que ela surgiu. Em que eles se olharam e sabiam o que ia acontecer, sem que nenhum dos dois dissesse palavra. Foram dias felizes, mas que nunca voltariam a se repetir.

Ele nunca mais ouviu o toc toc dos passos dela no corredor.

Nunca mais sentiu o cheiro dela. Aquele cheiro que lhe dava vontade de arrancar a roupa dela em qualquer lugar, fosse na cama ou entre as prateleiras de enlatados do supermercado.

A risada alta, que ele gostava tanto, mesmo que às vezes sentisse vergonha da atenção que ela chamava em qualquer lugar.

Os olhos pretos e grandes, que sorriam sem que ela precisasse mexer os lábios.

Nunca mais a ouviu gemendo enquanto se espreguiçava pela manhã, nem enquanto faziam amor. Nem as reclamações sobre as piadas sem graça que ele fazia, ou a manha que ela insistia em fazer nos dias de tensão pré-menstrual.

"E vem o sol fazer ficar tudo bem". Vários dias de sol vieram, mas ela não voltou a fazer parte da vida dele - a não ser nos sonhos que ele tinha, acordado ou dormindo, durante todo o dia. Durante todos os dias em que ela esteve longe dele.

Ele decidiu que precisava ter com ela.

Passou na floricultura e comprou as flores do campo mais bonitas que encontrou. Eram suas preferidas: simples, mas capazes de alegrar uma vida toda. Como ela.

Perguntou ao porteiro onde ele poderia encontrá-la. Rua C, quadra dois.

Parou em frente ao túmulo. Deixou as flores e pediu desculpas por deixá-la ir. Agora estavam os dois sozinhos.


Post mortem:

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 12:05:44 AM





Terça-feira, Março 07, 2006

{ Discussões de Relacionamento }



"Brigas de casal podem fazer mal ao coração". Era esse o título de uma matéria que li anteontem, na internet. Mas que diabo de notícia é essa?

Todo mundo sabe que picuinhas a dois, independentemente do grau de relevância das mesmas, causam sempre aquele aperto no peito, coração acelerado e aquela falta de coragem de encarar a pessoa depois. O medo de que o outro olhe e diga "eu não queria mais ficar com você mesmo". E as mãos suam, dá palpitação e vontade de gritar. Precisa de notícia pra dizer isso?

Mas um dia ela acordou e descobriu que precisava ter uma discussão de relacionamento. Mesmo que, no mundo dos rótulos, não soubesse exatamente que tipo de relacionamento era aquele. E se perguntasse se era certo discutir a vida a dois com alguém que não era seu namorado. Muito menos marido. Nem amante, nem ficante. Alguém com posição indefinida em uma das tantas categorias que poderia se enquadrar. Simplesmente a pessoa de quem ela gostava, e com quem queria estar naquele momento, como esteve em tantos outros. E ponto.

Na verdade, ela não tinha dúvidas sobre se devia ou não falar com ele. Tudo que ela tinha medo era que ele simplesmente dissesse que gostava dela. E se seguisse aquele silêncio, cortado pela continuação "mas é que...". Teve vontade de sair correndo. De largar mão de tudo, que era tão mais simples. O estômago embrulhou, perdeu a fome, teve pesadelo. O coração disparou, parecia querer sair pela boca. Ficou borocoxô, depois de mau-humor.

Ameaçou chorar. Pensou em porque tudo sempre insistia em dar errado, em porque os homens são assim, na morte da bezerra, na derrota do time de futebol, na conta do banco estourada, na miséria da existência humana e... acabou falando com ele. E se entendendo (pelo menos ela acha que sim).

"Brigas de casal podem fazer mal ao coração". Eu decidi clicar no link e ler a matéria. Fiquei curiosa com que novidade a tal notícia achava que ia trazer. E leio: "Brigas de casal podem endurecer as artérias, de acordo com um estudo da universidade americana de Utah".

Endurecimento de artérias? Depois disso tudo, quem se importa com umas drogas de artérias entupidas?

Argh. Mais essa. Além de tudo, ainda vai enfartar o dito cujo com quem sai.


Ninguém disse que ia ser fácil...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:15:13 PM





Terça-feira, Fevereiro 21, 2006

{ It´s only rock´n roll }



Decisão tomada num momento completamente perdido, daqueles dias sem dinheiro e sem amor, em que a gente se pergunta o que diabos está fazendo na Terra. Eu inventei a resposta: "estou esperando o show dos Stones".

Eu fui. E ainda não voltei.

Segunda, resolvi ver a apresentação do U2 na televisão. Ouvi duas músicas e desliguei. Eu ainda não voltei do Rio de Janeiro.

Eu cheguei de viagem às quatro da manhã, tomei banho, fui pra aula, fui trabalhar. Mas ainda estou no show dos Stones.

Continuo meio catatônica, como quando vi Mick Jagger, calça preta e jaqueta prateada, entrando no palco ao som de Jumpin' Jack Flash. Troquei o óleo do carro hoje cedo, mas sigo ouvindo Wild Horses ao fundo.

A única pessoa que podia me trazer de volta de lá, preferiu me deixar no Rio de Janeiro. Com a imagem do palco gigantesco e de um décimo da multidão que eu acho que consegui enxergar. Então eu continuo no show, olhando para tudo e para todos fixamente, mal me mexendo. Captando o máximo de informação em duas horas. Desviando dos ambulantes e alheia aos gritos de "três refri é cinco real".

Ainda consigo ver a multidão pulando e eu, parada no chão, simplesmente sem conseguir me mover. Eu travei. Continuo travada, até agora. Porque eu estou em Curitiba, mas ainda não voltei do Rio.

Não foi tranqüilo, isso é fato. A aglomeração de espectadores era gigantesca e a dificuldade dos bombeiros em transitar naquele mar de gente era visível. Quase desesperador, eu diria. Foi nesse momento que levaram meu celular, numa onda de furtos embasbacante: praticamente uma tentativa a cada 30 segundos, durante uns cinco minutos. Ufa. E o show nem tinha começado.

A entrada daqueles senhorinhos sexagenários muda tudo. Não vi brigas e não vi roubos. Aliás, não vi nada: só os Rolling Stones. Sexagenários o diabo. Pareciam todos ter 20 anos, inclusive o guitarrista Keith Richards, que assume os vocais em duas músicas. O mundo é roqueiro. Até o ambulante ao meu lado respeita, e grita somente nos intervalos entre uma música e outra.

O show acabou há mais de três dias. Mas não pra mim. Eu continuo lá, na praia. Eu e um milhão de pessoas.

Segunda à noite, tentei assistir ao show do U2 na televisão. Impossível. Todas as imagens se transformavam e eu acabava vendo os Rolling Stones. E eu até queria ter ido pra São Paulo pra ver Bono Vox e companhia.

Não sei quanto tempo vai demorar pra eu fazer o caminho de volta para a vida real. Eu ainda consigo sentir as lágrimas de quando o show acabou e meus amigos incrédulos me perguntaram se valeu a pena.

É claro que valeu a pena. É um show eu assisto há mais de 72 horas, mesmo dormindo. Porque eu ainda estou lá.

But I like it!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 1:22:13 PM





Segunda-feira, Fevereiro 06, 2006

{ Ouvindo a conversa alheia }


Não é bonito, eu sei. Nada bonito, como diria minha mãe. Mas o fato é que escutar a conversa dos outros pode não ser educado, mas muitas vezes é bem educativo. Ou, na pior das hipóteses, divertido.

Ela entrou no ônibus e fez questão de sentar próxima a um casal de namorados um pouco afastados. Com experiência no ramo de prestar atenção no papo alheio, sabia que namorados melosos raramente rendem mais que um "ah, amor, eu te amo", "meu biluzinho lindo" e "oh, vou ficar com saudade essa meia hora sem você". Gostava dos que estavam de cara virada, porque significava uma daquelas discussões de relacionamento extensas, com argumentos furados e entretenimento pra quem escuta.

Ficou lá, esperando. E nada. Nem uma só palavra. Tinha vontade de se virar e pedir para que conversassem e resolvessem os problemas, "onde já se viu um casal tão bonito assim, brigado". Os dois se levantaram e desceram no ponto seguinte. Nem um beijinho. A coisa devia ser séria.

O lugar logo foi ocupado por duas senhoras muito faladeiras.
"Ah, e viu que o Seu Ademar faleceu, coitado?".
"É verdade, um homem tão bom...".

Pausa. Uns dez segundos de silêncio meio incômodo, a última continua: "é, mas eu ouvi dizer que ele tinha um caso com a moça que serve lá no bar, será que é verdade?".
"Ah, eu acho que é, sempre percebi que ele ficava olhando demais pras reboladas dela".
"Coitada da Dona Judite, um homem safado desses dentro de casa."
"Coitada nada, agora ele morreu mesmo! Bem feito pra ele."

Em pé, junto à janela, duas meninas por volta dos 17 anos.
"Mas é um cachorro mesmo. Ai, se eu pego! Eu mato!"

Observando a cena, ela se perguntou se as meninas novas também conheciam o Seu Ademar. Mas depois pensou que não, afinal, esse agora estava falecido e já era poupado o esforço de matá-lo.

Ela olha pra frente. Entra no ônibus um homem por volta dos 30 anos, camisa e calça social. Conversa com um rapaz pouco mais novo, por volta dos 25.
"E isso tudo é coisa do diabo! Que a mulher que tem Satanás no corpo atenta o homem, que tem que ser bravo e resistir. Mas a culpa é dela, em primeiro lugar, porque instiga a luxúria num homem sério e trabalhador."

Pronto, até advogado o falecido Seu Ademar já tinha achado. A culpa era da moça do bar, veja só. Aquela provocação ambulante.

Na verdade, ela descobriu logo depois que o tal homem que falava do capeta tentava argumentar seu próprio pecado, numa comparação meio manca com a história de Adão e Eva. Mas a culpa não era dele, isso não. Nem deveria ser do Seu Ademar.

As senhoras continuavam no papo animado, e ela chegava perto do ponto de descida. Levantou-se, pronta para descer. Mas antes de saltar, interrompeu a conversa das mulheres e mandou os pêsames para Dona Judite. Coitada.


...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:23:45 PM





Sexta-feira, Janeiro 20, 2006

{ O jeito que as coisas são }



Tenho uma amiga que diz sempre que a cantora Fiona Apple é a mulher mais azarada do mundo, amorosamente falando. Hum. Temos um páreo duro.

Durante duas semanas, eles trocaram e-mails diariamente. No único dia em que ele não a respondeu, ela mandou uma mensagem pelo celular - que ele prontamente respondeu, telefonando e pedindo desculpas. Era um bom relacionamento. Está bem que essas coisas não acontecem, e que são histórias fadadas ao fracasso logo nos primeiros cinco minutos.

Quando não vão ralo abaixo, se transformam em uma daquelas histórias de amor que todo mundo acha bonita. De amores predestinados e de almas gêmeas.

Eles se conheceram no último dia do ano, em um dos lugares mais bonitos em que ela já foi. Uma dessas visões que se pode ficar olhando por horas sem cansar - quando ela repousava o livro sobre o colo e se perdia olhando pra baía ao redor da casa. De vez em quando, o olhar saía do mar e ia parar nele, que sorria.

Devia ter percebido o sinal. Lia a biografia de Clarice Lispector e, talvez, tal qual a escritora, estivesse malfadada a amores que nunca dariam certo.

Naquela noite, uma série de desencontros. Acabou deixando o moço no bar, um desses bares perfeitos para o começo de um romance. Ele continuava sorrindo, mas por alguma razão desconhecida, não se entenderam.

Contrariando todos os prognósticos, no primeiro dia do ano ele bateu à janela dela às 3h da manhã. Queria vê-la antes que fosse embora. Ela não sabia se era o destino tentando corrigir as coisas, mas ao invés de ficar se perguntando, achou melhor aproveitar bem suas últimas horas naquele paraíso.

Foi depois disso que eles se distanciaram. Ela saiu, conheceu gente nova e até recebeu serenata na praia, em uma dessas madrugadas em que se chateou com a cidade e achou melhor passar meia hora com os pés na areia, vendo o mar. Talvez para recobrar um pouco da história daquele primeiro dia do ano.

Pensava nele de vez em quando. E, novamente indo contra as expectativas, encontraram-se de novo no mundo virtual. Foram aquelas duas semanas trocando e-mails. Só que, no real universo moderno, a internet que une é a mesma que afasta.

E ela passou a desconfiar que essas histórias de amor e destino devem mesmo não passar de balela pura. Retomou a leitura de Clarice Lispector. Colocou o CD da Fiona Apple pra tocar.


"I wouldn't know what to do with another chance
If you gave it to me
I couldn't take the embrace of a real romance
It'd race right through me
I'm much better off the way things are"
Fiona Apple



É, ninguém disse que ia ser fácil...


postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:09:22 AM





Terça-feira, Janeiro 10, 2006

{ Uma flor roxa no pára-brisa }



Um dia a gente tem que crescer. É o que dizem. Crescer, ter emprego, casar e ter filhos. Eu não tenho nada disso. E acho que cresci.

É claro, não estou falando sobre crescer centímetros - até porque isso é relativamente limitado (tratamentos e um bom salto, para as meninas, ajudam). Falo sobre um processo que eu não sei se percebi acontecer. Sempre me pareceu que crescer exigisse um ritual. Formatura. Casamento. Qualquer coisa do tipo. E sempre me preparei para isso, fornecendo tudo o que fosse preciso para cumprir o cronograma da vida normal - e, consequentemente, o crescimento apareceria.

Mas não. Foi justamente quando me vi sem emprego e sem namorado que tudo aconteceu. Eu cresci quando descobri o que eu quero e - mais que isso - o que eu não quero pra preencher os meus dias, agora tão cheios de mim mesma. Mais ou menos como uma chance de recomeçar, fazendo as coisas do jeito que eu considero certo, e não como disseram que ia ser. Eu, talvez pela primeira vez na vida, finalmente sei o que estou fazendo.

Quinta à noite, cinco mulheres em torno de uma mesa. Uma casada, uma noiva, duas com namorados e eu, solteira. Todas com 25 anos. Discussões sobre a vida a dois, a maravilha de se dividir as escovas de dentes. Eu, dos 17 aos 25 anos, praticamente emendei um namoro em outro, meio sem saber o porquê. Afinal, é o que todo mundo espera, que as pessoas namorem e se casem. Não é?

Era o que eu achava. Queria logo cumprir o meu papel e resolver o problema. Mas nenhum namorado deles me fez feliz por mais de três anos. Foi quando eu descobri que não adianta só ter um cara bacana, inteligente, trabalhador e que goste de mim, como minha mãe explicou. E nem adianta só a gente se formar e trabalhar. É preciso mais que o salário no fim do mês pra gente ser feliz.

Mas nada disso importa naquela mesa de senhoras comprometidas e com empregos, porque eu não tenho um namorado, um chinelo velho pro meu pé cansado. Não tenho homem da minha vida aos 25 anos e não tenho nem sequer um caso. Que horror. Sou uma encalhada. Que desgraça. Que tragédia. Como é que eu vou casar e ter filhos antes dos 31? Sou uma mulher fadada ao fracasso.

"Arrume um emprego, case e tenha filhos", é o que todos dizem. Eles só esquecem de dizer que isso tudo tem que fazer a gente feliz. Que, no fim das contas, cumprir tudo o que dizem que deve ser feito só compensa se você puder parar às 15h34 de um dia de semana e sorrir, aparentemente sem motivo.

Eu descobri o que me faz feliz, e não é nada que choque as velhinhas mais conservadoras da tradicional sociedade curitibana. Eu não tenho um namorado, é verdade. Nem um emprego de verdade. Mas acho que foi então que eu cresci. Agora eu trilho meu próprio caminho e, finalmente, sei para onde ir.

Hoje, dirigindo meu carro em pleno centro de Curitiba, sou presenteada com uma florzinha roxa caída do céu diretamente no meu pára-brisa. E ainda querem dizer que eu não sou feliz.

O que é preciso pra ser feliz??

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 3:51:29 PM





Segunda-feira, Novembro 21, 2005

{ Amor em tempo recorde: seis segundos }



Tempo. Quando eu era criança, queria uma máquina que pudesse acelerar ou retardar o andamento dos ponteiros. As férias e os finais de semana, todos com os segundos demorando a passar. E os dias de aula que chispassem zunindo, para que eu, de novo, pudesse voltar a ter diversão com o tempo em câmera lenta.

Hoje, me atordôo com a idéia dos prazos. Um trabalho para daqui a 15 dias - ops!, agora já são 10 -, será que vai dar tempo? Um almoço rápido: fast food, macarrão instantâneo ou esquentar comida no microondas?

Tempo esse que, dizem, corre impassível, criando em cada um de nós um estoque de lembranças e sensações. Que anda até para quem já morreu, porque quem fica aqui conta os dias que passaram - e é preciso avisar o pessoal do almoxarifado que vem uma nova carga de saudades por aí.

Quanto tempo é preciso para esquecer alguém? Quanto tempo leva pra deixar tudo diferente?

Três segundos. Foi o tempo necessário pra mudar tudo. Ele passou por mim derrubando tudo ao redor - as paredes caindo, os amigos sumindo, as árvores tombando. Três segundos. Nós nos encaramos, os olhos claros dele decifrando os meus, castanhos. Três segundos. Para, em seguida, as paredes se reerguerem, os amigos reaparecem e as árvores se levantarem e tomarem seu lugar de costume.

Inspirei o ar com força, depois de três segundos sem respirar. Não parecia muito tempo aqui nesse mundo, mas naquele, onde os olhos se encontraram, foi o suficiente para quase morrer sufocada. Máquina para acelerar ou retardar o tempo? Para que?

Foi nesse quase nada de tempo que eu voltei a sorrir, depois de péssimos dias. Foi em um vigésimo de segundo que a atmosfera tornou a ficar cor-de-rosa. Esses três segundos me fizeram perder - ou ganhar, é tudo uma questão de ponto de vista - três dias, que deviam ter sido usados para o trabalho, mas eu não consegui me concentrar.

Parece pouco tempo para uma mudança tão drástica. Mas não é. Três segundos é tempo o bastante para apertar o gatilho da arma. Para acertar aquela cesta no basquete e virar o placar. Até gol dá pra fazer nesse tempo - o mais rápido foi marcado por um uruguaio e levou só 2,8 segundos.

E ainda dizem que, para amar, é preciso tempo. Só se for para esquecer. Para se apaixonar por alguém, são necessários só três segundos. Ou talvez mais três, até que ele diga que é casado e me faça ficar boquiaberta por três segundos, sem saber o que dizer.

Do começo ao fim, foram 6 segundos. E ainda dizem que esse tal de amor presta. O mundo não é justo, definitivamente.


"As paixões são como as ventanias que incham as velas do navio. Algumas vezes o afundam, mas sem elas não se pode navegar. (...) Na terra é tudo perigoso, e tudo necessário".
Voltaire


Ai ai...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:35:35 PM





Segunda-feira, Novembro 07, 2005

Dois estranhos numa manhã de cor cinza



Mais um dia cinza, como tantos outros que insistem em tomar conta da cidade. Andando pela rua pela manhã, assim que saio do carro, encaro um senhor maltrapilho, cerca de 50 ou 60 anos, enrolado em um pedaço de manta. Não faz tanto frio, mas a gripe que me derruba parece também tê-lo atingido.

Ele sorri. Aquele esboço de sorriso meio amarelado, envergonhado de rir entre a barba desgrenhada e a desgraça da porta da padaria. Olho em volta. Bairro do Batel, Curitiba. Prédios de apartamentos. Sacadas. Moradores - não, isso parecia não existir.

Tudo absolutamente vazio nos prédios em volta. Estávamos, no nível da rua, eu e aquele senhor. À nossa frente, carros e pessoas disputando espaço. Curiosamente, do primeiro andar para cima, é como se não existisse vida.

Sento-me ao lado dele na marquise da padaria. Os dois agora observando a solidão das sacadas. É verdade, alguém deve viver naqueles apartamentos todos. Mas não se vê ninguém. Olhamo-nos desacreditados.

Enquanto isso, conversamos em silêncio. Eu respiro meu mau-humor da última semana, justo eu, que não sou dada a isso.

Mau-humor.

Não foi porque eu derrubei todo o café na calça logo cedo, nem porque cheguei atrasada para a prova - que, aliás, nem teve. Não foi porque fiquei presa no trânsito ou porque a gripe me deu uma rasteira. Não foi pela insônia, nem pelos pesadelos.

Não foi por nada disso. Foi por um problema com nome e sobrenome, endereço e telefone. Foi por um problema que parece não ter solução.

Continuamos olhando para cima, esperando alguém. Ele entende que me desarrumaram, como quem bagunça uma gaveta. Embaralharam as blusas de frio com as de calor, essas que não são usadas há tanto tempo - seja pelo frio dessa primavera invernal ou pela falta daquele calor que aquece a alma, como na música.

Os olhos dele param de olhar o céu e me fitam por alguns segundos. O olhar me responde que falta o sol. Para estender tristezas e roupas escuras, tirando do armário aquele cheiro de roupa seca à sombra. Concordo com a cabeça.

Voltamos a olhar para o alto. Já não sei se procuramos pessoas nas sacadas ou um vestígio de sol. Mais que isso, talvez a esperança de dar de cara com Deus, acenando e dizendo que tudo vai ficar bem.

De repente, lá pelo quinto andar, uma criança aparece e se deita na rede pendurada na sacada. Seguida pela mãe, que toma o pequerrucho no colo e o acarinha. Olhamo-nos surpresos - eu e um senhor maltrapilho, cerca de 50 ou 60 anos, enrolado em um pedaço de manta. Como se realmente houvesse alguma esperança.

São 40 minutos de conversa silenciosa, até que ele diz: "há a vida e a morte - mas ainda estamos vivos". E sai em direção a um passante, para pedir uma ajuda para o café da manhã do dia. Levanto, pego a chave do carro e sigo.

Ainda estamos vivos.


Pelo menos por enquanto...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 4:51:34 PM





Terça-feira, Outubro 18, 2005

{ Você decide. Ou não? }



A cor dos olhos, o formato dos cabelos, o tamanho dos seios. Tudo isso não depende de uma escolha sua - ou não dependia, até que se criou a tal ditadura da beleza e da indústria do ser humano perfeito. Agora, o que Deus te deu quando você nasceu e sua carga genética pouco importam para o seu resultado estético final.

Sempre dá pra botar um silicone aqui, colorir as madeixas, botar uma lente de contato. Malhar horas na academia. E corrigir o nariz, preencher os lábios, fazer dieta, puf puf. Se você decidir, pode ser outra pessoa - pelo menos fisicamente.

Tudo depende, basicamente, de escolhas. Assim como o que fazer quando crescer. Ou com quem casar. Isso é, se você realmente quiser se casar. Ou o que comer no almoço, ou mesmo se vai se barbear ou sucumbir à preguiça. Dá pra controlar o riso. Ou o choro.

São decisões demais, algumas tomadas sem nem pensar a respeito. A gente se acostuma mal e começa a achar que dá pra escolher tudo. Mas alguma coisas simplesmente não dá pra parar em frente ao menu, mudar as flechinhas e apertar o enter, dá?

Se a sua genética lhe der toda a tendência a infartar ou a ter um câncer, o máximo que você pode fazer é escolher se cuidar. E se isso não bastar? Hum, aí você descobre que a sua vida não é tão sua quanto você imaginava. Que você pode escolher se vai ter peito ou não, mas não pode escolher se vai morrer de câncer aos 35 ou dormindo, tranquila, aos 98 - mas sabe que estará usando um sutiã 46.

Assim parece simples: a existência está dividida entre as coisas que você decide e as que não pode controlar. E ponto. Ou ponto e vírgula: me atormentam as coisas que eu não sei se são ou não passíveis de escolhas.

Dá pra deixar de gostar de alguém?


Não sei, mas eu queria!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 8:11:07 PM





Segunda-feira, Setembro 19, 2005

Ah, esse tal de amor



Falávamos em Pavlov. Reflexos condicionados. Aquele cara que demonstrou que os cães começavam a salivar só de ouvir o sininho que soava antes de cada refeição. E, logo mais, seguiram-se pesquisas com ratinhos brancos e choques. E falávamos de roleta russa, aquela brincadeira (brincadeira?) que se faz com um revólver com uma bala no tambor.

Falávamos de coisas desse tipo, mas estávamos falando de nós mesmos. Estávamos falando de amor. De uma maneira diferente, mas era isso.

De repente me lembra Leminski. Gente que fala de amor falando de outras coisas. Ou de Leoni (e eu odeio Leoni). "Eu tou falando de amor, e não do que você pensa". Mais ou menos isso.

Eu, que andava repetindo que "esse negócio de gostar não presta", me pego de novo apaixonada. Reflexos condicionados de Pavlov? Dizem que isso também funciona com humanos. Que é útil no tratamento de fobias. E eu já ouvi gente dizendo que tem dificuldade de gostar de alguém porque tem um coração burro (como eu, uma semana atrás, prometendo trocar meu órgão cardíaco por um fígado novo no tráfico internacional de órgãos). Mas nunca vi elas não se apaixonarem.

Por mais que você saiba que vai se quebrar, algumas coisas simplesmente têm que acontecer. Como, de repente, a bala na agulha da roleta russa ser sua. Como amar a pessoa errada. Como amar a pessoa certa, mas ela ainda não saber disso. Falávamos de cães, de ratos, de jogos. Mas também falávamos de destino.

E enquanto eu dormia, quentinha com o meu lençol elétrico, eu percebi uma coisa engraçada. Eu me queimei com o lençol. De repente, na minha barriga, cinco linhas vermelhas que nada mais eram que as marcas dos fios térmicos do tal lençol. E nem tinha percebido. Tá, e daí?

Daí que é bom estar quentinha e abrigada. E vale arriscar me queimar pra ter essa sensação. E, portanto, se tudo vai dar errado daqui a cinco minutos, eu quero mais é que se exploda. Eu gosto de estar sorrindo agora.

Falávamos de amor, mas também falávamos de tempo. O futuro? Ah, o futuro e o passado não existem, foi o que eu ouvi dizer. Assim como fantasmas. Mas há quem jure ter presenciado - passado e fantasmas e futuro.

Cães de Pavlov. Ratos brancos da Psicologia. Reflexos condicionados. Quantos choques elétricos eles tomaram antes de aprender a lição?

Falávamos de tanta coisa, mas tudo o que queríamos era ficar em silêncio.


sorte no jogo
azar no amor
de que me serve
sorte no amor
se o amor é um jogo
e o jogo não é o meu forte,
meu amor?
Paulo Leminski



Aaai ai...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 6:46:05 PM





Quinta-feira, Agosto 18, 2005

{ Sem título }



O primeiro a gente nunca esquece. É o que dizem. O primeiro qualquer coisa: dia de aula, amor, tapa na cara, namorado, beijo, salário. Até o primeiro canalha.

E eu já não me lembro mais de primeiras vezes que deviam ser importantes. Já esqueci como foi meu primeiro banho de chuva, daqueles que a gente toma quando criança, no fundo de casa. Não lembro mais da primeira dor de amor. Nem quem foi o primeiro a dizer que me amava.

Eu não sei dizer quando foi a primeira vez que eu deitei na grama e olhei as nuvens fazendo formatos. Nem quando foi que eu acertei a receita de bolo de chocolate.

Mas posso falar sobre as últimas vezes. E é o que me faz abrir um sorriso, mesmo quando a lembrança não é das melhores. É o que me faz querer - ou não - tudo isso de novo.

A primeira vez pode até ser importante, mas não devia ser mais que a última.

E a última vez que eu sorri foi agora...


postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:13:06 PM





Domingo, Julho 31, 2005

{ É só teu coração que não te deixa amar* }



As luzes desfocadas. De várias cores, mas a maioria amarelas, vermelhas e brancas. Logo descontraía o músculo dos olhos e eles voltavam a ficar em posição normal. O bruxulear das luzes parava, voltando a ser somente o que eram: faróis de carros, postes e estrelas.

Era assim que ela se divertia quando criança. Brincava de não ver o mundo real, com cores reais e acontecimentos reais. Tudo isso era chato demais. Então ela movia os olhos e perdia o foco das imagens que via. E, em meio às luzes desfocadas, podia ser o que ela quisesse. Astronauta concentrado num ataque intergaláctico, cantora num cabaré, turista passeando em Tóquio.

Só que ela cresceu. E continuou a achar o mundo sem graça. Então, quando tudo dá errado, ela muda tudo o que vê. Às vezes esquece de voltar para a vida real. Continua achando que o cara com quem sonha quer alguma coisa a mais com ela, além de algumas noites divertidas. Acredita que ele pode finalmente descobrir que ela é a mulher perfeita para ele.

Lá no fundo, ela sabe que nada disso é verdade. Ah, mas como queria que fosse. Então continua a desfocar o que vê e a enxergar um mundo repleto de imagens que dançam ao som da música que toca no rádio do carro.

*trecho da música "tá bom", do los hermanos

Talvez seja hora de crescer...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 5:51:03 PM





Quinta-feira, Julho 21, 2005

{ Eu existo }



Faz dois anos que esse blog existe. Faz dois anos que eu escrevo aqui, embora nos últimos meses com uma periodicidade meio a desejar. Mas tudo bem, isso não vem ao caso agora. O que vem ao caso nesse momento é que eu, que sempre assinei Lady Erinyes, passo a ter um nome. E uma cara. E uma página no Orkut. E essas coisas todas que as pessoas têm.

Isso provavelmente dê fim num pedaço da magia. Talvez não seja tão divertido ser só eu. Mas juro que vou tentar.

Aliás, já que esse é o momento de promessas, prometo atualizar com mais freqüência (hum, acho que já prometi isso antes). Mas dessa vez eu tenho um bom motivo. Agora eu escrevo num meio impresso, que as pessoas poderão ler daqui a 130 anos se o jornal não derreter e as traças não comerem. E isso me dá medo, mas existem coisas que simplesmente precisam ser feitas.

Agora eu tenho um nome: Letícia Junqueira. E, a quem interessar possa, e a quem ache o jornal pra comprar, toda terça-feira no Hora H, de Curitiba.

Textos novos e (relativamente) decentes em breve. Eu juro que sim.

Que tal vocês existirem também e dizerem "oi"?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:59:58 AM





Terça-feira, Maio 17, 2005

{ Do prazo de validade das coisas }



Quando se mora sozinha, aprende-se uma coisa sobre prazos de validade. Eles não valem quase nada. Afinal, com uma pessoa só em casa, é meio complicado fazer um litro de leite ir embora em 3 dias ou consumir um litro de suco em 2 dias.

O nariz vira aliado. A coragem, pré-requisito mais que necessário. Se o cheiro tá bom, você arrisca virar um tanto no copo e dar um golinho. Mas já fica preparada pra fazer careta se estiver com gosto de podre. Se parece normal, você toma o copo inteiro, meio sem pensar se isso vai fazer mal depois.

E nesse cheira-arrisca cotidiano, chega uma hora em que se começa a cheirar relacionamentos. Pessoas. E ver se ainda dá pra insistir mais um pouquinho, mesmo que saiba que o prazo de validade já venceu. Às vezes, o gosto chega até a ser um pouco diferente do habitual, mas você engole entoando o difundido mantra "o que não mata engorda".

Sabe-se lá se por preguiça ou simplesmente porque você se ilude pensando que aquilo pode parecer tão bom como foi um dia... quando você se dá conta, tá tomando leite velho. E beijando pessoas que já azedaram.

Insistir no que não dá mais é prejudicial à saúde.


Válido até que eu mude de idéia...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:38:19 PM





Sábado, Abril 02, 2005

{ Luzes, câmera, ação }



Eu sei que eu disse que sabia de tudo e tinha sempre razão. Mas isso não é verdade, sabe?

Se eu pudesse escolher um super poder, eu queria conhecer o roteiro da minha vida. E das pessoas que estivessem nela. Tudo o que vai acontecer. E assim eu podia saber quando um pedacinho do seu teto está prestes a cair e ajudar segurá-lo. Mesmo que meu próprio teto não esteja lá muito firme.

E eu ia querer que os roteiros viessem com as minhas falas - porque, às vezes, eu esqueço o que tenho que dizer. Chuto um texto qualquer, especialmente às 3h da manhã. Principalmente quando eu acabo de acordar. E então a gente tem que parar tudo e começar a gravar a cena do começo.

Se eu tivesse o roteiro, eu não teria medo. Porque eu tenho, e muito. Eu faria sempre o que esperam de mim - e que nem sempre eu sei o que é. Mas eu não tenho.

Eu não sei o que exatamente começou mal. Só não quero que acabe agora.

"coragem de fugir é medo de ficar"


(Não tenho o costume de botar o que eu ouço enquanto escrevo, mas dessa vez vai: Jack Johnson - cd On and On)

Corta!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 4:18:30 PM





Quarta-feira, Março 09, 2005

{ Mulher no volante )



"Isso, vem... vem... não, mais pra cá! Agora esterça!"

Não adianta. Vez ou outra gente acaba tendo que avisar o coração que logo ali atrás tem um passante. Ou que tá quase encostando no outro estacionado atrás.

E aí a gente fica como quem faz baliza em carro mil sem direção hidráulica. Suador danado. Ainda mais com gente olhando (eu fico tensa com gente me olhando).

Pior é quando se tem pressa: de entrar na vaga ou de deixá-la. Invariavelmente algum detalhezinho vai passar despercebido e - poft! - um pedaço do coração se estrepa. Então a gente liga pra mãe, chama o seguro, grita o melhor amigo. Depois de tudo consertado, fica aquele medo de tentar entrar numa vaga de novo - ou de ter que sair dela.

E a gente se transforma numa espécie de flanelinha de sentimento. Mas, como todo mundo sabe, flanelinha mais atrapalha que ajuda; e sentimento é coisa que não se pode manobrar (se a maioria das mulheres não têm lá muita intimidade com carros, que dizer de algo completamente abstrato?).

Só resta torcer pra achar uma vaga bacana. E botar o cinto de segurança.



Não dirijo muito bem, mas gosto de saber pra onde vou...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 3:52:26 PM





Quinta-feira, Janeiro 20, 2005

{ A tecnologia a serviço dos canalhas }



Houve um tempo em que os homens anotavam suas conquistas em agendas telefônicas. Quanto mais telefones, mais moçoilas arrebatadas. Sim, sim, todo mundo se lembra da tal história do "caderninho", em que figuravam as moças e seus atributos, algumas com nota e informações extras - dependendo do capricho do canalha. A verdade é que não sei se essa tal história era só lenda ou se realmente existiam esses tipos (esses que anotavam, porque os canalhas é fácil notar que povoam o mundo).

Até o Gabriel, aquele dito "o pensador", tratou sobre o assunto em uma de suas músicas. Lembra? "É o seu velho caderninho de telefone, com o nome e o número de um monte de mulhé. E ele vai ligar pra todas até conseguir chamar uma gata pra sair e dar um rolé. 2345Meia78"! Não que sirva como referência intelectual, mas apenas comprova que eu não delirei quando resolvi falar sobre o assunto.

Pois bem, eis que o mundo tecnológico vislumbra uma nova possibilidade para os marmanjos: o orkut. Que esse era meio de busca e caça, eu já sabia. Mas não tinha percebido, trancafiada em minha personalidade feminina, que os rapazes usassem o orkut como meio de reencontrar as mocinhas que amealharam em suas conquistas noturnas (ou diurnas, por que não?). Prático, o dito cujo encontra uma senhorita, pede o nome completo da donzela, encontra-a na internet e pronto! Basta deixar um recadinho quando resolver que a segunda-feira chuvosa vai ser melhor se ele estiver acompanhado!

O orkut substitui os caderninhos de telefone com algumas vantagens. Já vem com fotos, o que agiliza o processo de memória e permite um acompanhamento do estado físico atual da moça. Além de saber se "embarangaram", o canalha já sabe de quebra se elas casaram, tiveram filhos ou qualquer coisa do tipo. Mais que isso, ele vê quem é amiga dela - e descobre se existe alguém para quem pode "ser apresentado" caso a presa não interesse mais. E assim vai.

Mas nem tudo são flores. Em especial porque, se as mulheres não vislumbraram o potencial do orkut enquanto meio de caça e de armazenamento de dados sobre o sexo oposto, notaram uma coisa que elas amam, especialmente no que diz respeito ao homem com quem elas saem: vasculhar a vida alheia.

Nesse ramo, como bem diz uma das comunidades do orkut, "scraps são perigosos". E as mulheres adoram isso. As neuróticas fuçam com afinco e descobrem o que podem sobre o moço que diz que elas são a única - inclusive que não são a única. Ou que ele tem namorada. Ou que ele cantou umas três na mesma noite em que ele disse ter esperado só por ela. Ou que ele não passa de um canalha.

É o orkut revolucionando o mundo sentimental! E pensar que eu demorei a entender a graça disso...

E no fim das contas, pra que serve o Orkut?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 8:09:58 PM





Terça-feira, Dezembro 07, 2004

{ Oh, happy day }




"podia ter muitas garotas
mas você é diferente
você me ligou naquela tarde vazia
e me valeu o dia" *



É assim que acontece. As melhores coisas não custam nada. Ou um pulso local, lembrando que falar de fixo pra fixo faz com que as melhores coisas custem ainda mais barato.

Banho de mar não custa nada. Pra quem tá longe da praia, como eu, banho de chuva não custa nada. Pisar na grama é de graça. Fazer alguém sorrir também.

Gargalhar até a barriga doer não custa um, nem cem, nem mil reais. Não custa nada. Só é preciso ter um pouquinho de desprendimento. De querer ser feliz.

E assim são as melhores coisas da vida! Beijo, abraço, trepada, ar puro, pé no chão, cabeça nas nuvens, sonhar acordada, ois inesperados, beijos inesperados, abraços inesperados, trepadas inesperadas, cheiro de terra molhada, criancinha, filhotinhos, piadas engraçadas, dias de festa mesmo que sem festa, cochilo no meio da tarde, matar aula sem culpa, dormir de colherinha...

Não custam nada. E fazem valer o dia.


*música do Ira! que tem feito minhas tardes mais cheias...

Dias felizes pra sempre

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:59:27 PM





Sábado, Novembro 20, 2004

{ Um suspiro e um sorriso }



Agora. Já. Esse imediatismo que fazia com que ela estragasse tudo sempre. A paciência é uma virtude - que ela definitivamente não possuía. É como se tudo o que existisse fosse se esgotar em seguida - e era preciso fazer tudo agora. Não importa o quê, mas tinha que ser já.

Instintiva, sempre fez tudo o que deu vontade. Frustrada, porque o mundo rodava mais devagar do que ela precisava. Doída, porque havia tanto o que rodar e algo a prendia ali. E, como disseram pra ela*, esse nada que nos prende é que é tão difícil de deixar...

Ela queria, mas tinha que ser nesse instante. Saber que as coisas aconteciam a uma velocidade menor que a desejada a consumia. Até que ela resolveu olhar pra cima. Depois de tanto tempo, ela voltou a andar olhando as nuvens.

E lembrou que algumas coisas acontecem e outras não. E que amanhã tudo pode estar diferente. E que hoje a cama é toda dela, mas amanhã pode não ser. Tipo filosofia barata mesmo. Devia ter exagerado no álcool. Ou talvez fosse falta dele. Melhor mais um pouco de vodca no café.

Agora ela olhava as nuvens. As brancas, porque as cinzas foram embora. Depois de tanto tempo. Era um ciclo mau que se encerrava, e justo no inferno astral dela. Incoerência das maiores.

Agora o tempo era todo dela. Todinho, da primeira hora do dia até a hora de dormir. Até depois de dormir. Sem ninguém por quem o mundo devesse acelerar.

Tranqüila, agora ela podia fazer o que quiser. A vida era só dela de novo. No tempo em que ela quisesse. Na velocidade em que ela precisasse. Porque a felicidade dela não podia depender de ninguém.

E nem vai.

Só o que ela quer pra agora é ser feliz de novo. E isso ela já conseguiu.


*Quem disse isso pra ela foi um cara bem bacana, muito inteligente, com textos ótimos. Quem quiser encontrá-lo:
http://www.terceirocaderno.blogger.com.br/



:)

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 3:13:22 PM





Sexta-feira, Outubro 29, 2004

{ Porque eu odeio chiados }



Mora um besouro dentro do meu rádio. Eu não sei onde ele está, mas sei que ele existe. Porque quando é madrugada e eu ligo o som bem baixinho, ele fala comigo. Zzzzzzz.

E aí, tentar escrever ouvindo o acústico do Robertão é tarefa complicada. Não, o besouro do rádio não torra. Fode é quando tem um besouro morando dentro de mim. Porque para o bicho do rádio há de haver solução - mesmo que ninguém tenha achado ainda. Ou eu jogo a porcaria contra a parede e resolvo o problema.

Incomoda mais o besouro interno. Aquele que diz o que eu não quero ouvir quando eu só quero ouvir a música, que cutuca quando tudo parece tão bem, que teima em dizer que tá tudo errado quando tudo fica bem certinho. Enche o saco a porra do besouro que insiste em sussurrar que tudo tem que ser diferente.

E quando me irrito com o zzzzzzz do rádio eu desligo e fica tudo em ordem - com o rádio. O besouro que mora aqui dentro não desliga, mesmo quando durmo. É impossível. Ele vem voando e - ploft - bate contra o vidro de carro, me obrigando a mudar de caminho e encontrar com quem eu não quero. Chiado no sonho.

O analista tenta dar umas chineladas nele. Eu apaguei a luz esperando que ele saísse pra procurar outra fonte luminosa.

Ele insiste. Zzzzzz.


PS: esse texto definitivamente não me reflete hoje. Mas vai esse mesmo, escrito há um mês, só pra não ficar muito tempo sem postar...

zzzzzzz...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 7:09:41 PM





Quarta-feira, Outubro 06, 2004

{ o que eu quero }



tem tanta coisa que eu quero e não sei o que é. tem o que eu sei que eu quero, mas parece tão difícil, mesmo quando não é.

eu quero uma tarde no parque, uma garrafa de vinho, uma toalha xadrez pra deitar em cima. um pé de pato pra andar pela casa quando tudo der errado, uma mesa de jantar e uma cortina pra sala. adsl de novo.

uma companhia agradável full time, ninguém me dizendo o que deve ser feito, alguém pra me dizer o que fazer, olhos pra fitar de manhã, café na cama com suco de laranja que nem propaganda de margarina.

eu quero fazer só o que eu efetivamente quero, sem pensar se os outros vão gostar ou não. quero levar em conta só o que eu quero fazer, num comportamento egoísta que minha educação cristã me impede de seguir. e eu quero falar o que quiser, mesmo que ninguém me entenda.

também quero que finalmente os seres divergentes que habitam esse meu corpo se entendam, porque eu não tenho mais saco pra ficar apartando briga. quero só poder deitar de barriga pra cima na grama, olhando as nuvens.

um copo de conhaque, um afago na cabeça, um colo de mãe, um cachorro bem grande, um prato de sopa de mandioca, uma noite bem estrelada.

e pode ser que daqui a cinco minutos eu queira exatamente o contrário. e aí, eu quero poder querer tudo diferente.

e ponto final.

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 8:37:27 PM





Sexta-feira, Setembro 24, 2004

{ Antes uma certeza }



Duas e meia da manhã. Ela nunca acreditou em contos de fadas. Nem Papai Noel ela esperava, quanto mais acreditar em príncipe encantado. Tinha sérias reservas quanto ao assunto: homens prestavam praquilo que ela sempre soube que prestavam. E pronto.

Na primeira vez eles estavam muito bêbados. Foi ótimo, mas ele virou pro lado e dormiu. Enquanto ela, acordada, pensava que tinha feito merda - mas era bom.

A única ela não era - e sabia disso. Havia muitas outras. Mas ela não queria saber das outras. Queria saber dele. Justo ela, que sempre foi tão esperta. Agora incerta de várias coisas.

Não sabia que existiriam outras vezes, em que eles estariam de novo muito bêbados. Nem sabia que ia querer que ele ficasse um pouco mais. Nem que ele não saberia, no dia seguinte, o que tinha feito - com ela - na noite anterior.

Simplesmente ela não fazia a menor idéia. O que fazer, se existiam príncipes encantados ou se eles preferiam as princesas. Talvez fossem só um bando de sapos e ela estivesse delirando.

É, devia ser isso. Tomara que sim.



Adendo

E assim eu me pergunto: por que porra tou pagando a maldita análise?

Pra ter certeza que sou insegura.

Pra saber que todos bebemos demais.

Pra ter alguém pra me ouvir sem reclamar.

Pra tentar resolver problemas que nem eu consigo.

Talvez seja a hora de retomar o juízo.



ps: como ter um texto razoável se as coisas não são razoáveis?


certeza meio manca, essa...


postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 8:09:37 PM





Segunda-feira, Setembro 20, 2004

{ Agora era }



"Me chama um táxi."

"Agora?"

"Por favor."


Foi quando ela descobriu que era puta sem receber por isso. Desconfiava, mas nunca havia tido resposta tão clara.

"Tuuuu... tuuuu... por favor, um táxi."

Era uma puta. Já tinha ouvido falarem isso dela, mas era a única vez em que tinha se sentido como tal.

"Pronto, já tá vindo."

Veste a blusa. A calça. Agora espera. Ele dormia. Sentada na cama, ela encostou na parede, pés sobre o colchão. Era questão de tempo até a cama ser toda dela de novo.

"Pééim..."

Ele acordou assustado. Havia deitado com uma puta. Talvez só mais uma, ela não sabia. Ele se vestiu olhando para os pés dela ainda em cima da cama. Que diabos queria com os pés? Ela procurou os olhos dele por trás dos cabelos.

"Estou embriagado."

E ela era uma puta. Quis ser tudo, amiga, namorada, amante. Queria muito estar com ele - e então era uma puta.

Ele a beijou antes de sair. Talvez para consolá-la agora que sabia a verdade.



ERRA UMA VEZ


nunca cometo o mesmo erro
duas vezes
já cometo duas três
quatro cinco seis
até esse erro aprender
que só o erro tem vez

Leminski


e não havia mais o que fazer.

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:33:29 AM





Quarta-feira, Setembro 15, 2004

{ Mensagem não enviada }



Abre essa tua boca e me diz o que você quer. Não fica só me olhando assim que eu cato as tuas coisas e jogo pela janela.

Diz que me quer e que eu sou sua e de ninguém mais. Me abraça daquele jeito. Só não fica quieto assim que teu silêncio me enlouquece.

Só não fica quieto assim que você me obriga a falar - e eu sempre falo demais.

Abre essa boca ou eu abro essa porta e te jogo fora. E não vale não acreditar, senão não brinco mais.

Eu só queria que você dissesse. Que sim ou que não. Mas eu não vou perguntar, você vai ter que me dizer.

Deixa eu te desgraçar, maldito. Deixa que eu te amo como nunca.

Abre essa boca ou eu abro essa porta.



eu quero brincar
mas não assim
quando o jogo não tem regra
alguém se quebra



será que o sonho acordou antes de mim?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 3:07:52 PM





Segunda-feira, Setembro 06, 2004

{ Amor de ocasião }



Ela parada, olhando para fora. Pensando na vida, nas contas a pagar, nas roupas a lavar, nos homens a esquecer. E então ele apareceu, ombros largos, cabelos pretos, compridos, olhos castanhos. Ela sempre gostou de cabeludos, desde que achou que se apaixonou pelo vizinho cabeludo, lá pelos 8 anos.

E ele com aquele monte de cabelo pronto para ser enroscado nos dedos dela. E com olhos castanhos. Os castanhos são divertidos porque não se perde tempo tentando decifrar a cor, só se fica perdido tentando decifrar o que querem dizer.

Ah, quanto cabelo.

Ele logo encontrou aquela figura parada. Belos peitos, foi a primeira coisa em que pensou. Sabe-se lá por que, no país das bundas sempre curtiu mais os peitos. Valendo a pena, encompridou o olhar e descobriu dois olhos grandes, brilhantes, olhando para ele.

Gostava dos olhos grandes porque se via refletido neles. O que era de certa forma narcisista. Mas de alguma outra maneira não era apenas isso. Voltou a olhar os peitos.

Ele abriu a boca e ela ficou esperando. Geralmente ela dizia tudo, porque era impaciente demais para esperar e escutar. Mas não dessa vez. Parecia que eles teriam todo o tempo do mundo.

Parecia.

O ônibus em que ela estava arrancou, desemparelhando com o dele, que ia em sentido contrário. Nunca mais se veriam. Resignada, ela voltou a pensar na vida, nas contas a pagar, nas roupas a lavar e nos homens a esquecer. E ele continuou pensando nos peitos.


Contas, roupas e homens:

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:16:08 PM





Quarta-feira, Agosto 18, 2004

{ Os canalhas de antigamente }



Não se fazem mais canalhas como os de antigamente. Românticos, galanteadores e, ainda assim, canalhas. Capazes de arrebatar o coração da mais sensata das moçoilas com um único beijo nas costas da mão.

Os canalhas de antigamente tratavam cada rapariga com um tratamento especial - e uma cantada certeira para cada ocasião. Sabiam como dosar a distância, fundamental para que ele pudesse amealhar à sua lista outras senhoritas, sem fazer com que as já conquistadas o esquecessem.

Até porque a grande sacada dos canalhas era brincar de quebra-cabeça de corações. Despedaçá-los e reconstruí-los. Manter garotas secando as lágrimas nos lencinhos bordados, esperando o reencontro. Relendo bilhetes. Escrevendo nos diários o quanto esperavam pelo momento em que eles voltariam e lançariam aquele olhar fulminante, enquanto os lábios tocariam o dorso da mão da pobre mocinha.

E ser mulher de malandro, nos tempos áureos dessa prática, era honra. Senão, o que dizer de qualquer senhorita apaixonada pelo grande galanteador Vinicius de Moraes? Os canalhas eram grandes amantes - e, de lambuja, a bem-amada ainda podia acabar merecendo uns versinhos ou uma letrinha de música.

Naquele tempo, os canalhas tentavam esconder sua "natureza incontrolável". Negavam essa posição, embora toda a cidade (ou a região, dependendo da competência do rapaz) soubesse que ele era um legítimo safado. Ah, os canalhas de antigamente tinham estirpe, coisa que não se vê mais hoje em dia.

Não se fazem mais canalhas como os de antigamente. O que é uma pena.

snif...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:16:14 PM





Terça-feira, Agosto 10, 2004

{ Eu vi, eu vi }



Um redemoinho dentro da cabeça, é assim. Tudo parecia ser tão mais fácil quando eu tinha 8 anos: ia trabalhar, me casar e ter filhos. Aos 20 anos, segundo minha concepção infantil, eu estaria casada. Filhos? Dois ou três, talvez aos 23 e aos 25.

Tudo tão simples, tão resolvido. Hoje, as idéias rodopiando na cabeça mostram que de repente tudo isso pareça cretino demais. Prosaico demais pra minha cabeça complicada. Talvez porque viver realmente seja uma coisa complicada. E talvez tudo ser tão difícil não seja minha culpa ou minha incompetência. E eu não seja anormal.

Afinal, ninguém me disse, aos 8 anos, que eu podia não querer casar. Que podia não querer ter filhos. Ninguém me disse que eu teria homens perfeitos e que eu não ia querê-los. Ou que eu teria que dizer não quando a minha vontade era dizer sim, sim, sim!

Aos 8 anos, eu não fazia idéia do quão difícil era abrir um vidro de palmito. Que ficar doente não é legal se não houver quem cuide de mim. Que a Barbie representa um modelo de corpo que eu nunca vou ter e que ninguém é feliz pra sempre como contam as malditas histórias pra criança dormir. Que limpar a casa é um saco e o melhor que eu posso fazer é nunca dispensar a diarista.

Eu não fui avisada de que simplesmente gostar do que faz não basta se você não conseguir se sustentar. Que ter um bom salário não quer dizer que eu seja feliz profissionalmente (embora isso eu tenha aprendido só na teoria, visto que ainda não tive um salário realmente polpudo). Que talvez não exista um só cara que possa me fazer feliz, mas vários - ou a combinação de vários.

Nem meus avós, nem a professora da segunda série me disseram que eu podia ter vontade de largar tudo e ir morar em Cuba. Meus pais nunca me avisaram que eu poderia ter vontade de mudar o mundo mas mal daria conta da minha vida. Ninguém me disse que consciente e inconsciente travam uma batalha todos os dias, cada um lutando de maneira diferente por coisas diferentes. Que eu poderia ter medo de me tornar adulta. Que a vida era feita de escolhas que nem sempre eu faria sozinha.

Pelo menos ninguém tentou me fazer acreditar em Papai Noel e Coelhinho da Páscoa.

Pensando bem, talvez ainda dê tempo de começar a acreditar nisso e desistir de todo o resto.

ninguém me contou...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 1:38:54 PM





Segunda-feira, Julho 26, 2004

{ Not yet }



- Me deixa dormir. Só mais cinco minutinhos. Só mais uma hora. Talvez mais cinco horas, ou cinco dias.

Mesmo que tudo esteja tão bem, mesmo que tudo esteja tão em ordem, existe alguma coisa dentro dela que a lembra que a mochila que ela carrega está ficando pesada demais. E quando faltarem ombros ela não poderá pedir que a ajudem.

E não dá pra simplesmente largar tudo e sair correndo com os braços abertos. Não dá pra esquecer de tudo. O livro na estante continuará sempre com a dedicatória que ela escreveu, com o cuidado de não revelar tudo o que era capaz de sentir.

E ele pode arrancar a página pra evitá-la se quiser. Ele pode se perder com todas as outras mulheres - não pra esquecê-la (até porque isso nunca foi preciso). Ele pode se embrenhar nas tramas mais desconexas pra ser feliz e não precisar encarar os olhos dela nunca mais - aqueles olhos grandes e sempre tão brilhantes. Nunca mais.

Mas ela não. Ela tem que carregar a mochila, cada vez mais pesada. Ela precisa escolher o que tirar dela. E ela não queria desistir das lembranças, que são a única coisa que restou.

Uma hora ela terá que parar e tirar todo aquele entulho. Mas não agora. Agora a mochila é pesada, mas ela quer acreditar que é forte o bastante pra carregá-la.


às vezes, viver se torna um fardo pesado demais pra carregar...



postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 12:09:53 AM





Segunda-feira, Julho 19, 2004

{ Cadê a graça? }



O Orkut está na moda. Mas não sei nem como defini-lo. Basicamente um lugar na internet onde você mostra sua rede de amigos, vê os amigos dos outros, conhece umas pessoas e faz parte de grupos que discutem os mais variados temas, desde o fato do chocolate branco não ser chocolate até à extinção do mico-leão dourado e a situação no Iraque.

(pra ser sincera, nunca vi nenhum grupo que discuta os dois últimos assuntos, mas há de haver.)

Eu estou no Orkut, até participo de alguns grupos e tal, mas juro que ainda não peguei o espírito da coisa. Afinal, tou pouco me fodendo se o cachorro de Fulano foi atropelado quando ele tinha 5 anos ou se a Peposa era o sonho de consumo de Sicrana!

Claro, hão de dizer que a culpa é minha se faço parte de uma comunidade chamada "Traumas de Infância". Tá, isso lá é verdade. Mas também pouco me importa a opinião de um ou outro desconhecido sobre qualquer tema aleatório que provavelmente não me diz respeito!

Sem falar que recebo várias mensagens de pessoas que não conheço e não passam de forwards! Ou seja, insatisfeita em lotar caixas postais com correntes sem graça e spams mil, a humanidade resolveu adotar uma nova maneira de enviar e receber lixo na internet!

Argh!

Tou ficando ranzinza.


Me empresta um Prozac?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 12:05:07 AM





Sábado, Julho 17, 2004

{ Desculpa de manco é muleta }



Qual é, exatamente, a diferença entre dar uma explicação e dar uma desculpa qualquer?

Explicar... complicado. Talvez seja, basicamente, que a explicação é a verdade, e a desculpa é fruto de um processo imaginativo, desencadeado por uma situação de pressão, desenvolvido no cérebro do ser humano - muito provavelmente em apuros.

"Cheguei atrasado porque o ônibus quebrou". Puá, desculpa. "Eu tentei te ligar, mas ninguém atendeu", com as variáveis "mas estava ocupado", "mas me disseram que você não estava!", acompanhado de um impiedoso "não te deram meu recado?". Rá, é blefe. Qualquer coisa que você diga para tentar se explicar invariavelmente adquire o caráter de desculpa. Pior: desculpa barata, esfarrapada, troncha, deslavada, "essa é velha!".

Mesmo que realmente sua história seja verdade, a possibilidade de alguém acreditar em você, deixe ver, ahm... bem... hum... é zero.

O segredo é ter esperança. Sempre acreditar que vão acreditar em você. Dar explicações, mesmo que os outros não acreditem nelas, é prova de que você tem um mínimo de consideração com o próximo.

(Aproveito-me deste momento de reflexão para explicar o motivo de minha ausência tão prolongada. De folga no meu trabalho habitual, costumeiramente noturno, aproveitei para trabalhar durante o dia - preciso juntar grana ou Cuba não verá minha cara ano que vem!

Local de trabalho: região metropolitana de Curitiba.
Tempo gasto com transporte: 1h25min pra ir, mais 1h25min pra voltar. Total do dia, 2h50min.
Jornada de trabalho: 8h40min mais uma hora de almoço, de segunda a sexta.

Isso significa que saio de casa às 6h30 e volto quase às 20h! Sem internet em casa! Sem internet no trabalho! Aaaaaaaargh! Por isso a dificuldade para postar. Aceito doações de modems!)

Mas cuidado! Desculpas bizarras podem surtir um efeito devastador no relacionamento interpessoal!

"Ahn, não posso sair hoje porque preciso ajudar minha prima a relaxar os pequenos músculos do couro cabeludo" não vai cair bem. Ver o neném da vizinha da manicure, ajudar a bisavó a colocar bobs no cabelo e organizar uma competição de cuspe não são motivos bons o suficiente para serem tema central de uma desculpa.

E se não acreditarem nas suas explicações - mesmo que verdadeiras - sempre dá pra pedir desculpa.

Desculpa!

Escrito em 13/07, na hora do almoço . Quero ver é postar!

Tá ruim mas tá bom!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 6:05:41 PM





Segunda-feira, Junho 28, 2004

{ Onde é que tu tava, onde é que tava tu? }



Crianças, estou viva mas sem internet. Prometo dar um jeito nisso logo.
:)

Enquanto isso, na sala de justiça...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 5:42:06 PM





Terça-feira, Junho 08, 2004

{ O problema era que... }



... os olhos dela insistiam em brilhar. Mesmo sabendo que ele nunca deixaria de ser o que é. O problema era que ela o queria assim. O problema era que ela só tinha dúvidas e dúvidas e dúvidas e ela não sabia o que queria. Mas o olho dela sabia.

O problema era que o mundo parecia tão pequeno para abrigá-la e, ao mesmo tempo, tão grande para ser percorrido. O problema era que a vida parecia curta demais para ser desperdiçada. O problema era que o olho insistia em brilhar.

O problema era que ela queria o impossível. O problema era que a impossibilidade de fazer tudo ao mesmo tempo agora dava nela o maior tesão. E que a impossibilidade de resolver toda essa confusão a deixava maluca. Mas o olho dela brilhava só de pensar.

O problema era que o olho brilhava. Talvez isso só fosse se resolver quando o olho fechasse de vez.

Por que diabos eles insistem em brilhar?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:28:14 PM





Terça-feira, Junho 01, 2004

{ Paredes }



O cimento da espátula percorre o tijolo. Aquele som tão comum, que eu ouvia tanto quando criança. Filha de engenheiro civil assim, vez ou outra ia acabar na obra.

Diversão era apelido. Brincar nos montes de areia, se esconder nas construções inacabadas, papear com os pedreiros. Sim, os pedreiros, esses que são seres únicos na sua maneira de ver e viver o mundo. Mesmo quando se é criança, é fácil notar que eles são diferentes.

Lembro do cheiro das marmitas, das montanhas de pedrinhas, das roupas imundas na volta pra casa.

Depois de grande, o som continua trazendo todas as lembranças. De tudo que foi minha infância, de tudo de bom que eu vivi, de todas as molecagens e artes que fiz - segundo a própria moça que cuidava que cuidava de mim e que eu reencontro agora, uns 15 anos depois.

Só que agora as ocasiões são tristes. O som do cimento sendo alisado, hoje, vem de mais perto do que eu gostaria. Logo à minha frente, quem maneja a espátula e ergue a parede não é um dos pedreiros que tanto me divertiram. Hoje, a parede erguida me separa para sempre, fisicamente, do meu avô.

Mas as lembranças, essas nunca serão esquecidas.

Levantadas ou derrubadas...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:48:28 PM





{ Isso diz tudo... }



dor de cotovelo

o ciúme dói nos cotovelos
na raiz dos cabelos
gela a sola dos pés
faz os músculos ficarem moles
e o estômago vão
e sem fome

dói da flor da pele ao pó do osso
rói do cóccix até o pescoço

acende uma luz branca em seu umbigo
você ama o inimigo
e se torna inimigo do amor
o ciúme dói do leito à margem
dói pra fora na paisagem
arde ao sol do fim do dia

corre pelas veias na ramagem
atravessa a voz e a melodia


Caetano Veloso


E se não disser: ciúme é um amor ao contrário

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:14:43 PM





Quinta-feira, Maio 27, 2004

{ O dilema trigonométrico }




Imagem gentilmente copiada do site www.earthmatrix.com



Ela nunca foi boa em Trigonometria. Sempre teve problema em lidar com formas angulares, em aparar arestas e coisas do tipo. Eram horas a fio, durante as aulas, tentando lidar com algo que devia ser lógico.

Eles ensinaram que o triângulo tem três lados. Como calcular a área. O perímetro. Os vários tipos de triângulo. E, no fim das contas, não explicaram o que acontecia quando ela se transformava em um dos vértices da tal figura.

O que fazer quando um vértice tentava expulsar outro do triângulo e transformar tudo numa simples linha. Ou como reagir quando surgisse um novo vértice e a coisa literalmente mudasse de figura. Se lidar com um triângulo já era tarefa complexa, o que fazer com um quadrilátero?

Ela fez várias projeções, de como ia ou não ia ser. E devia se lembrar que a Trigonometria era chata porque tinha regras. E a principal era: não se apaixone.

Mas a familiarização com os catetos fez com que ela relaxasse. E ela quase sucumbiu à paixão. Ninguém explicou que, nesses casos, era impossível traçar uma média geométrica. Ou que, o Teorema de Pitágoras podia não ser solução.

Talvez a saída fosse fugir pro Triângulo das Bermudas. Ou se mandar pra hipotenusa que pariu!


O quadrado da hipotenusa é igual à soma dos quadrados catetos:

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:16:08 PM





Quinta-feira, Maio 20, 2004

{ Quit playin' games }



É praticamente físico. A língua começa a mexer, a boca abre, o cérebro não comanda mais nada.
- Hum, você fica muito bonito de preto!
Pronto, tá dito.

Tudo podia ser simples. Era só ficar quieta. Mas nããããão. Eu preciso dizer quando eu gosto. Preciso dizer que sinto falta, que acho bonito com o cabelo preso, que gosto dele de preto. Prática não muito adotada (especialmente entre as mulheres), muitas vezes soa como cantada.

Se eu não falo, aquilo me remói, eu penso o tempo inteiro, eu olho, quero dizer, não, eu vou ficar quieta, não, eu preciso dizer. Conflito de decisões.

É que eu não sei fazer joguinho. Até conheço a teoria, mas a prática me parece impossível. Isso me incomoda. Eu não consigo ficar tranquila. E assusto os caras que são acostumados com a habitual lenga-lenga feminina. Mulher que elogia tá sempre cantando e é sempre puta.

Puá. Então eu sou assim.


Como diz a música: mas que se foda!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 12:39:26 AM





Terça-feira, Maio 11, 2004

{ E aí, neguinho? }



"Hum, meu esmalte tá descascand..."

"Escuta aqui, moça..."

Uma blusa azul. Cabelos desgrenhados. E um buraco preto apontado pra mim.

"...me dá todo o dinheiro que você tiver..."

Era a primeira vez que eu tinha uma arma apontada pra mim. E, o pior, com alguém completamente desconhecido no controle.

"...se você não tiver nada eu te mato..."

Carteira, carteira, carteira. Abre o zíper, maldita carteira, cadê a carteira?

"...se você gritar ou se o sinal abrir você morre."

Aqui a porra da carteira. Isso, tem dinheiro, graças a Deus. Pega logo e me deixa ir, por favor.

"Tem mais aí, tou vendo."

Porra, até meu dólar? O que minha vó me deu com as explicações de todos os significados místicos que ela carrega?

"É, me dá tudo."

Opa, o sinal abriu. Respira, respira. Tem que respirar, mulher, respira! Engata a primeira e sai!

Antes que perguntem de novo: não, o cara não era um neguinho. Era um branquelo filho da puta.

Saldo: 40 reais a menos, chororô e tremedeira...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 5:00:43 PM





{ Paca é paca... }



Atrasado porque eu decidi dar fim completamente à internet em casa.




Mãe é mãe, e filha é filha. E, embora eu às vezes inveje relacionamentos em que as moçoilas compartilham tudo o que vivem com as madrecitas, não tenho esse tipo de ligação com a minha mãe. E nem sei se quero.

Só que minha mãe é, com certeza, a mulher que sempre tenta me colocar no caminho de ser uma pessoa melhor - mesmo que à maneira dela. Eu não digo tudo o que penso a ela, nem ela a mim. Mas eu sei, quando paro em frente àqueles olhos castanhos, que ela sabe tudo; e que, mesmo se não souber, não faz a menor diferença.

Porque somos mãe e filha.



Coisas que minha mãe certamente não precisa saber sobre mim:

Quantas pessoas eu beijei. Com quantas pessoas eu fiz sexo. Transei pela primeira vez aos 15 anos, e não aos 19, como ela imagina. Isso não aconteceu com o namorado que ela pensa que aconteceu. Experimentei drogas (e só experimentei, porque elas simplesmente não fazem efeito sobre mim!). Tive dois namorados ao mesmo tempo. Tive namorados que ela nem soube que existiram. Fumei (cigarro) durante um tempo. Tenho vontade de beijar uma mulher. Todas as coisas absurdas que eu fiz por causa de um homem (ver post anterior). Tomei remédios hardcore pra emagrecer. Nem todos os meus amigos são tão bem-comportados como ela gostaria que fossem (na verdade, só uma é, e essa amiga vai saber que se trata dela quando ler isso). Eu comprovei a existência da amnésia alcóolica. O dinheiro que ela me deu nem sempre foi usado para os fins alegados. Eu menti (muito) pra ela.

E o que ela certamente sabe:

Eu estou longe de ser a filha ideal. E preciso de terapia. E a amo demais.

É clichê, mas as mães também são!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 4:56:53 PM





Segunda-feira, Abril 26, 2004

{ Uma tragédia em 5 atos }



Histórias mirabolantes sobre a burrice feminina, porque toda mulher um dia faz alguma coisa (bem) idiota (mas muito idiota mesmo!) por causa de homem...


Algum dia de janeiro de 2000. Eu passava as férias na casa da minha mãe, no cafundó do interior do Paraná (eu estudava em Curitiba). O namorado andava estranho desde a minha chegada e eu, como ótima advogada que poderia ter sido, anotei durante uma semana o tempo que ele ficou comigo. Total de 1h42min. Quase duas horas. Em uma semana toda. Aí tinha coisa.

Lá fui eu fuçar na agenda eletrônica do bicho. "Quem é esse? E essa? E aquela?", até ouvir um gaguejar.
-"Ahm... essa é... hum... amiga daquela..."
Rá, básico que eu decorei o telefone. Dessa e daquela.

Lição para os homens: não gagueje nunca, ela sempre vai notar.


Ato 1:

Uma madrugada, liguei pro namorado e deu ocupado. Mais ou menos duas da manhã. Liguei pra mocinha e - surpresa! - ocupado também. Até podia ser coincidência, mas eu sabia que não era. Saí de casa sem avisar pai nem mãe. Chamei um táxi, cheguei no prédio do rapaz, inventei uma história pro porteiro e entrei no apartamento sem bater. Claro que ele estava no telefone com ela. Peguei a extensão e soltei um "quem desliga primeiro, você ou ela?".

Imagino o susto dos dois com a voz do além no telefone, até ele me enxergar no corredor e tomar um susto ainda maior. E ele desligou, claro.

A sina passou a ser, então, ligar pra moçoila a noite toda, até às 3h da manhã, pra só então tentar dormir (deviam adorar isso na casa dela!).


Ato 2:

Um dia veio a coragem: liguei na casa da moça, uma história triste e a mãe dela me deu o telefone de onde ela trabalhava. E a surpresa: a moça era atendente no xerox que funcionava ao lado do prédio dele. Homens e palhaços, qual a diferença?

Decidi que era hora de os três nos encontrarmos. Sabe Deus como, em 15 minutos estávamos no xerox eu, uma amiga, ele e um amigo - e a mocinha, claro. Como eu não sou burra nem nada, entrei bem longe dele. E vi a menina se debruçar no balcão e perguntar "onde você estava ontem à noite? Te liguei a noite inteira!". Eu tava pronta pra fazer o namorado engolir o papel que eu ia mandar copiar, mas fiquei na minha. E a conversa que se passou, com ela quase o beijando, foi assim:
- onde você estava ontem à noite? Te liguei a noite inteira!
- ahn... não sei... Ricardo (o amigo dele), você sabe onde eu estava ontem? Ahn, não sei onde eu tava não...

O filho da puta tava na minha casa!


Ato 3:

Durante o sono dos justos, eu sonho com uma carta embaixo da última gaveta do guarda-roupa do namorado. Uma carta de amor - e não era minha, apesar de eu morar a 600 km de distância dele.

Eu quase contei pra ele minha preocupação. Afinal, sonho ruim é sonho ruim. Mas como a situação estava estranha e eu sempre tive uns sonhos premonitórios, decidi não contar e verificar o que havia no limbo da última gaveta do guarda-roupa do gajo. E... surpresa (ou não)! A maldita carta existia e eu lia, linha por linha, enquanto ele estava no banho. Achei várias outras coisas também, fotos, cartões e o diabo empalhado.

Porra, pro além me mandar sinais, eu devia estar tão chifruda que se chovesse argola não cairia uma no chão.


Ato 4:

Ainda a moça do xerox. Precisava de informações. Falsifiquei rubricas do namorado em partituras (o cara era músico) e mandei uma amiga com cara de séria (mãe, casada, beirando os 40) pra fazer cópias com a mocinha. Na hora, ela pede uma borracha pra apagar os escritos e vai reclamando dele "que rabiscou todas as partituras!". O suficiente pra engatarem uma conversa, e a guria dizer que o conhecia e que ele já tinha ido na casa dela várias vezes (e várias outras coisas que ele havia negado...).

Prova de que não é só homem que tem mania de contar vantagem.


5º e último ato:

O lazarento insiste em gastar as madrugadas falando ao telefone com a moça do xerox. Ligo aos prantos para a minha amiga com cara de séria, que me leva até a casa dele. São 3h da manhã. Driblo o porteiro, mas dessa vez não consigo entrar no apartamento. Toco a campainha, a mãe dele atende. Sim, a mãe dele atende, às 3 da manhã! Argh!

De novo, ele nega tudo. Inventa uma história e eu deixo o recado: "se eu descobrir a verdade você não precisa olhar na minha cara nunca mais". Ele concorda.

No outro dia, consigo uma confissão do amigo com quem ele disse estar no telefone dizendo que eles não se falavam há não sei quanto tempo. E, ela, que tinha disfarçado tudo na noite anterior (a pedido dele, claro), confirmou a história quando eu liguei e passei um papinho furado nela.

E o namoro com o cara que eu pensava ser o homem da minha vida terminou.


Moral da história:

Quer chifrar? Então faça bem feito, puta que pariu!


PS: essa é uma história real, que espero que não se repita nunca. A publicação da mesma aqui, embora resumidíssima, é uma espécie de exorcismo final.

PPS: no que não resulta uma mulher idiota com um homem cachorro...

PPPS: botei o piercing no nariz.


Eu faço merda, mas aprendo!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 3:22:07 PM





Quarta-feira, Abril 14, 2004

{ Lady Erinyes, 23 anos, drogada e prostituída }



Sempre gostei de piercings e tatuagens. Simples assim. Mas sabe como é, jornalista e blablabla, tem que ter uma cara confiável (aliás, quem disse que tatuado é sempre porra louca??) e eu resumi a vontade em três tatuagens e um piercing no umbigo.

E, no fim do ano passado, fui pra praia com o namorado e a família (dele). Até que a sobrinha do dito cujo, no alto de seus oito anos, anuncia que quando for grande vai ter uma porção de piercings e tatuagens. Foi o início do fim. A avó da mocinha (vulgo minha sogra) horrorizada, "onde já se viu?", "pra que isso?", biriri bororó. A mãe da pequena tentando dissuadi-la, o pai dizendo que era um absurdo. E eu, com as minhas tatuagens, ouvindo a discussão familiar no meio da sala...

E nada disso seria tão mal se a sobrinha não soltasse um "por que não? A Lady Erinyes tem!".

Puta merda.

Eu tenho tatuagens, eu sou levemente doida, eu saio, eu encho a cara, eu faço coisas que as pessoas acham estranhas, eu sou censurada. Mas eu trabalho, eu sou responsável e eu pago as minhas contas.

E agora quero botar um piercing no nariz.

Que tal?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:35:53 PM





Sábado, Abril 10, 2004

{ My power, my plesasure, my pain }




Zuummmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm....
mmmmmmmmmmmmmmmmmmuuuuuuuuuZZZZZZZ...



Eu sei, eu sei. Larguei isso aqui às moscas. Mas todos têm seus dias ruins, né? Às vezes, uns dez dias ruins seguidos.

Mas eu ainda não desisti. Os 23 anos parecem pelo menos 32, mas eu me recuso a deixar tudo e sair correndo.

Tá, eu corri. Fugi, pra muito longe. Longe demais, mais do que eu podia esperar. Eu disse que não.

Mas você me chamou de volta. Uma garrafa de vinho, talvez duas. Nunca vou esquecer dos seus olhos fechados, sonhando sabe-se lá com que. Dos lábios cerrados. Do cabelo negro. Parece que foi há tanto tempo.

Tudo que eu sempre sonhei, mas tão diferente agora.

"And I was thinking to myself
This could be Heaven or this could be Hell"


Eu só queria poder dizer que você ainda é o que eu quero.

Stranger it feels...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 3:05:15 PM





Sexta-feira, Março 26, 2004

{ Nexo pra quê? }



E ela deixou pra trás um cigarro pisado e um coração partido. O dela. E dentro da bolsa guardou o maço de ódio que a fazia seguir em frente. Companheiro, o isqueiro queimava as lembranças que a fazia chorar.

Nada seria como antes.

Agora tudo que ela queria era a paz de criança dormindo, como na música. Talvez ela devesse dormir. Talvez não, já que sempre foi complicado nunca saber quando sonhava e quando vivia, porque as duas coisas eram tão parecidas. E tudo se confundia naquele instante em que o cigarro caía.

O lado bom de dormir era saber que podia acordar. O lado b da vida era saber que o disco havia de acabar.


Se ainda fosse sexo...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 12:31:15 AM





Quarta-feira, Março 17, 2004

{ Mudar não é só bom... }



É necessário.






Eu sei, as fotos estão péssimas. Mas isso não importa.


postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 12:32:02 PM





Quarta-feira, Março 10, 2004

{ Eu sou homem! }



Eu não tenho frescura, não tenho mais de dez pares de sapato e falo palavrão - freqüentemente. Sou desbocada. Mato as baratas da minha casa e tento arrumar as coisas que estragam. Eu admito mentira e traição, desde que eu nunca saiba a verdade.

Quando eu não namorava, saía com quem me desse vontade e fazia o que desse vontade. Esse negócio de "joguinho feminino" é coisa estúpida: você quer ou não quer, e acabou-se. Por isso, transar ou não transar no primeiro encontro é dilema de mulher.

Não acho que dar o cu é problema existencial e acredito em sexo sem amor. E tenho tesão por tesão, faço sexo sem compromisso. Eu arroto, eu peido e faço cocô, ao contrário de mocinhas bonitinhas que negam veementemente visitarem o banheiro para fazer um número dois. E odeio fazer compras.

Não tenho ciúme, não fico imaginando se sou traída ou não. Se alguém não me quer, descubro alguém que queira sem ficar perdendo tempo, seguindo a velha máxima "quem não me ama não me merece". Curo depressão com cerveja, amigas e uns beijos na boca (e talvez um pouco mais).

Ser prático é coisa de homem. Ser enrolada é coisa de mulher. Tanto que nunca se vê homem fazendo cu doce.


Tá, eu também sou mulher. Tenho TPM, choro em filmes, não sou lá muito fã de futebol, gosto de colo, essas coisas todas. Mas ser mulher, definitivamente, é complicado demais para mim.


H ou M?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 3:46:47 PM





Terça-feira, Março 02, 2004

{ Esta é minha vida }



Tem coisa melhor que agenda? Aquelas de adolescente, cheias de papéis e recordações (se bem que, com o mundo blogueiro, não sei se ainda existem), ou mesmo as de colégio, cheias de bilhetes, recadinhos e muita matação de aula.

Fazendo a arrumação dos meus armários, dei de cara com todas elas.

A foto da cozinha de uma amiga minha de muuuuuito tempo - na época, parecia absolutamente ridículo ganhar aquela foto, visto que ia todo dia até a casa dela. Mas, hoje, é como se eu voltasse a ter meus 8 anos, comendo amora, alisando um dos tantos gatos que ela tinha e me espantando por ela passar margarina no pão com a mesma faca com que o cortava. Os jogos de Atari na TV imensa que ela tinha e os bailinhos ao som de Guns e Phil Collins. O irmão dela que eu achava que amava, depois achava que odiava, e mais uma vez pensava que amava.

Todos os amores da adolescência, o primeiro namorado com que eu achava que ia casar e que me chifrou, o segundo namorado com quem perdi a virgindade mesmo sabendo que não ia me casar com ele, o terceiro namorado que eu achei até há pouco tempo que era o homem da minha vida.

As amigas, as palhaçadas, as festas, os churrascos. Os beijos, os não beijos, a revolta, o papel de bala, o bilhetinho daquele cara que eu nunca mais vi.

Na faculdade, as agendas já não tão mais ricas em detalhes, mas todas guardadas. Uma página inteira dedicada a xingar um professor, outra dedicada a copiar a rubrica da amiga pra poder assinar a chamada pra ela, com o recado "vale nota - a minha nota!". Os recados trocados antes de namorar um menino da minha sala, as conversinhas depois de namorados.

Talvez por isso não tenha resistido a fazer um blog. Não podia deixar o resto das minhas páginas em branco.

É tosco, mas é meu!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 1:56:14 PM





Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004

{ Tempo, mano velho }



Onze horas. É mais ou menos o quanto eu tenho trabalhado por dia na última semana. Nunca menos que dez, mas nunca mais que doze. São duas horas da manhã quando eu chego em casa. Seis horas é o quanto eu durmo.

Seis dias na semana. Trabalhando de terça a domingo.

Cento e tantos reais é quanto eu gastaria com internet ADSL para não usar nem duas horas por dia. Aliás, meu micro também decidiu parar de funcionar após uma queda de energia de quatro horas. E agora faz aproximadamente 48 horas que ele não funciona.

Péim! O tempo acabou.

PS: Posts relativamente decentes somente após o conserto do meu micro (espero que logo!).

Tempo amigo, seja legal...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 1:23:02 AM





Segunda-feira, Fevereiro 09, 2004

{ Detalhes tão pequenos }



O cara é perfeito. Gosta das mesmas coisas que você. Canta as mesmas músicas que você assovia o dia inteiro. Fala sobre seus filmes preferidos.

Ele tem aquele nariz do jeitinho que você gosta, os ombros largos e aquele olhar que te derrete inteira. E você pensa que podiam ficar para sempre numa ilha deserta: você, ele e o Chico Buarque (não, não o Chico Buarque - hum, se bem que não seria nem um pouco mal! Mas, nesse caso, Chico se restringe à trilha sonora).

E é então que:

- você nota que ele usa pochete. P-O-C-H-E-T-E. Argh.
- ele assoa o nariz à mesa.
- ele varre o nariz em busca de um tatu. Sempre.
- ele mastiga de boca aberta. E fazendo barulho.
- ele tem um pedacinho de comida no dente (acontece nas melhores famílias, mas é broxante).
- você tem que explicar tudo. Várias vezes.
- e tem que repetir seu nome. Pelo menos umas dez vezes.

Por que é que aquele carinha com asinhas e flecha vive tentando me enganar?


Essa não é uma história real. Qualquer semelhança terá sido mera coincidência.

Ui, são coisas muuuuuuuuuito grandes pra esquecer! Eca!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:35:38 PM





Segunda-feira, Fevereiro 02, 2004

{ Prepara o divã que virou terapia }



Dizem que ter medo é bom. Porque é uma garantia, uma proteção, pra gente não sair por aí bancando o valentão e se estropiando.

Desde criança, sempre tive medo. De ir pra escola, de virar estrela, de tirar nota baixa. A professora da primeira série me deu um tapa na mão porque eu pegava com 3 dedos no lápis, e então e fiquei com medo de escrever na frente dela.

Na adolescência, o medo era de não ter uma turma, de ser rejeitada pelos meninos e de passar vergonha. E eu abri mão de um monte de coisas que eu poderia ter aprendido simplesmente por medo de errar.

Na hora de escolher a faculdade, tive medo de não ser criativa o bastante para fazer Publicidade ou não ser capaz o suficiente para fazer Desenho Industrial. Quando passei em duas faculdades, uma pública e uma privada, optei pela particular porque tive medo de morar sozinha numa cidade que eu não conhecia.

Já em Curitiba, medo de ir pra faculdade, de não fazer amigos, de odiar o curso. Namorando dois ao mesmo tempo, medo de terminar com um e descobrir que o outro é quem era o homem da minha vida.

Acabei terminando com os dois, começando uma nova faculdade numa área que não tenho lá muita aptidão, adorando o curso, fazendo uma porção de amigos. E, agora, moro sozinha.

Ainda tenho medo de casar e de ter filhos. Mas não quero mais ter medo de arriscar.


"Quanta coisa perdi por medo de perder".
Paulo Coelho



Não, eu não gosto do Paulo Coelho!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:43:49 AM





{ Ou ela ou eu }



O medo de ficar sozinha tá indo embora. E levou junto minha internet rápida. Muitíssimo em breve, na contramão do mundo, darei adeus a toda a comodidade do ADSL e blablabla. Responder a todos os comentários será impossível (já estava bem difícil nas últimas semanas).

Agora fica o medo de ninguém mais voltar aqui. Talvez eu remova o sistema de comentários e deixe somente meu e-mail. Talvez não. Mas finalmente hei de fazer a seção de links.

Tira? Bota? Deixa ficar?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:03:59 AM





Segunda-feira, Janeiro 26, 2004

{ Amar é...? }



O amor é fogo que arde sem se ver;
É ferida que dói e não se sente;
É um contentamento descontente;
É dor que desatina sem doer.


Acho que ninguém melhor que Luís de Camões descreveu o amor. Embora seja um tanto quanto subjetivo demais. Talvez venha dessa inexplicação que é esse sentimento.

Ninguém sabe de onde veio nem para onde vai quando se acaba. Mas todo mundo sabe quando o amor se instala de mala e cuia.

Às vezes a gente se engana e acha que ama, só porque quer amar. Mas não basta querer. Tem que saber esperar.

Ah, e como a gente espera.

Espera tanto para, um dia, encontrar a felicidade no outro. Para ser chamada para dançar, no meio da sala de estar, ao som do Especial do Roberto Carlos. Para passar todas as noites ao lado de quem se ama, sem se incomodar se ele ronca ou baba. Para beijar de novo e de novo e de novo, sempre com o gosto da primeira vez.

Porque amar é ser feliz a cada pequena coisa que se faz junto ao bem amado. É dar um pedaço de si e receber um pedaço que não encaixa exatamente no lugar... mas que faz um bem danado, melhor até que quando se era inteiro.

Talvez Camões esteja certo em ser subjetivo. Não há como explicar, objetivamente, o inexplicável.


O que é o amor?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:45:55 PM





Terça-feira, Janeiro 20, 2004

{ Acidentes de percurso }



Fui levar meu carro pra arrumar (por causa da batida com a senhora-que-acha-que-está-sozinha-no-mundo). E é claro que ele não ficou lindo e perfeito como era antes. É claro que dá para notar que ele foi remendado.

Eu, revoltada, pensei em ir até a casa da dona e exigir uma lanterna e um pára-choque novos. Senti um déjà vu.

Muitas vezes eu já quis ir atrás de um ou outro dito cujo que não olhou para os lados e passou por cima de mim. E enfiar o dedo na cara do gajo e dizer "escuta aqui, chuchu, eu não era assim antes de você fazer isso comigo, faz favor de me dar um coração novo!".

Mas é claro que ele não me devolveria. No máximo me faria um cafuné rápido e diria que "a vida é assim mesmo, a culpa não é sua, eu preciso ficar sozinho um tempo". Mesmo que, na outra semana, ele aparecesse agarrado em outra.

Assim vai ser com o meu carro. "Sabe como é, ninguém quer bater em outro carro de propósito, essas coisas acontecem, mas eu não vou te pagar uma lanterna e um pára-choque novos!".

Tudo bem. Eu já vivo com um coração cheio de riscos. Ter um carro assim não vai ser tão pior.



NOTA DE FALECIMENTO


É com extremo pesar que comunico o falecimento de

Orchídea Brasilienses


que se encontrava sob minha custódia desde Maio/2003. Era propriedade de Alexandre Henrique Pott e teve falência múltipla dos órgãos na última semana. Seu sepultamento dar-se-á no dia em que a mesma secar pro completo.


Acontece nas melhores famílias...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:38:13 AM





Sexta-feira, Janeiro 16, 2004

{ Das coisas que eu não entendo }



Acho que eu devo ser mesmo muito tança, porque, lembro-me agora, já é a segunda vez que escrevo sobre o que eu não entendo. E quero entender, claro.

- As empresas realmente acham que estão prestando um serviço de atendimento ao consumidor quando colocam à disposição um número de telefone cuja ligação custa R$ 0,29 o minuto?
- Aliás, essas mesmas empresas sentem prazer em desligar na sua cara depois de você gastar três minutos apertando os botõezinhos do telefone, justamente no momento em que eles deveriam transferir a ligação para alguém que - na teoria - resolveria seu problema?
- Como o Detran ainda não considerou a hipótese de incluir teste de Q.I. nos exames de direção (porque, vou falar a verdade, marmota não pode dirigir carro!)?
- Por que algumas pessoas se consideram no direito de dirigir no meio de duas pistas de trânsito?
- Mais que isso: o que faz com que uma pessoa num carro de passeio permaneça na pista do meio quando quer fazer uma curva? Ela acha que dirige um ônibus biarticulado ou uma jamanta?
- O que há com a minha gata, que insiste em arranhar meu sofá novo, mesmo que eu dê uns bons tapas nela?
- Existe alguma coisa errada comigo, visto que eu nunca consigo abrir embalagens de Club Social e sachês de catchup sem destruir a embalagem?
- Quem foi o engraçadinho que deu o nome "abre fácil" a esses sistemas de abrimento?
- Como foi que eu comprei um Suflair que veio faltando um quadradinho?
- O que leva a Globo a pensar que nós acreditamos que Antonela e Marcela foram escolhidas a esmo, apesar da amizade da primeiro com Boninho e da segunda com a esposa do Galvão Bueno?
- Por que ninguém do Big Brother enfiou a cabeça da "Antonela-minha-voz-é-extremamente-irritante-e-ninguém entende-o-que-eu-falo" na privada?
- Como é que eu continuo assistindo a esse programa?
- O que há de errado comigo que, agora que eu tenho as manhãs livres, não consigo postar nada decente?

Por quê?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:52:51 AM





Quarta-feira, Janeiro 14, 2004

( Dirija com prudência }






Semana passada, uma senhora sóbria simplesmente engatou uma ré e estabacou o carro dela no meu. Assim mesmo, nessa simplicidade, seguindo a equação:

Ré + "eu não preciso olhar em espelho algum" = CAPOFT!


Desde então, tenho observado o trânsito da capital paranaense. Atitude bastante difundida, essa de botar uma ré e não olhar quem avança. Sem preocupações, como se estivesse sozinho no mundo.

Curitiba é uma cidade que anda para trás. Literalmente.


Cuidado: neurônios na pista!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:08:23 PM





Sábado, Janeiro 10, 2004

{ Não me deixem só }



Eu não quero morar sozinha. Nananinanão. Não quero não ter pra quem dar bom dia. Desde criança, nem um quarto só pra mim eu tive. Hoje tenho meu quarto e minha cama, mas não sei ser só. Eu não sei viver sem ninguém.

Sempre será minha vez de ir ao mercado e fazer café. Nunca mais vou comprar melão, porque ele sempre vai estragar. Vou ter que passar a pedir pizza brotinho. Ninguém vai me ajudar a escolher roupa, amarrar os lacinhos da minha blusa ou fechar meu zíper. Se eu quiser falar com alguém, terei que usar o telefone.

Quando eu for comprar alguma guloseima, nunca mais vou levar mais uma pra minha irmã. Eu não vou mais precisar dizer que eu não gosto de pizza portuguesa. E não vou ter pra quem contar o que aconteceu no escritório ou na faculdade. Não vou poder gritar com ninguém quando estiver com raiva.

E as plantas da casa vão morrer, porque eu não sei cuidar delas. Nunca vai ter ninguém falando pela casa. Vamos ser sempre eu, o barulho da televisão e a internet. E os miados da Liz. Sempre tomar café e almoçar sozinha.

Nunca mais vou ligar pra casa pra saber se minha irmã já comprou pão. Meu celular vai continuar tocando, mas eu não vou mais ver o escrito "Casa" no visor. Ninguém vai me dizer pra comprar ração e eu não vou poder discutir que não vai dar tempo.

Quando eu for dormir, simplesmente vou apagar todas as luzes e ir pro quarto. E ninguém em casa vai dizer "boa noite". Minha irmã não vai mais esfregar a barriga da minha gata na minha cara dizendo "olha como ela é gostosa".

Eu não quero ficar sozinha. Mas vou.


O que será ser só?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:48:52 AM





Terça-feira, Janeiro 06, 2004

{ A catequese diária }



Longe de casaaaaaa, há mais de uma semana...

É, começo de ano é sempre assim. Um monte de coisas pra fazer e sem saber por onde começar. Diarista de férias. Sono. Muito sono. Ai ai, tem mesmo que começar a trabalhar?



Nos meus últimos momentos de férias, assistindo ao Fantástico, uma matéria sobre a colonização de São Paulo. Regina Casé, falando sobre catequização, diz que os jesuítas construíram um mosteiro num lugar temido pelos índios. "Para que eles deixassem de acreditar nessas coisas. E passassem a acreditar em outras."

E de repente caiu uma ficha. Quantas vezes já não fizeram isso comigo? Hoje, neste ano, neste mês, nesta semana? Todos os dias?

E nem estou falando de religião. Penso em coisas que eu achava que eram certas (e por que não seriam?) e tentaram me convencer do contrário.

Já me disseram pra emagrecer, pra engordar, pra jogar no bicho. Pra casar, pra terminar namoro, pra começar a namorar, pra sair do emprego, pra permanecer nele. Quiseram que eu confiasse, que eu abandonasse, que eu vivesse, que eu morresse.

Ah, mas eu não quero ser catequizada. Se é pra acreditar no que ninguém sabe, prefiro eu mesma escolher meu caminho.


E quem sabe?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:39:18 AM





Quinta-feira, Dezembro 25, 2003

{ Combinações que não funcionam }



- véspera de Natal e TPM;
- parente chato e dor de cabeça;
- peru e farofa;
- som alto e ressaca;
- Natal e cólica;
- teclado que trava a barra de espaço e textos compridos;
- internet discada e provedor gratuito;
- internet discada, provedor gratuito e cartões de Natal;
- internet discada, provedor gratuito, cartões de Natal e blogs.

Por isso, será humanamente impossível responder, agora, um por um, aos vários desejos de Feliz Natal. Muito obrigada a todos. A vocês, ótimo Natal e Ano Novo. Espero que todos os sonhos que não foram realizados por Papai Noel na noite de ontem se transformem em realidade em 2004.

PS: quando voltar para minha casa, juro que respondo a todos direitinho.


Feliz Natal e Ano Novo!


postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:42:06 AM





Sexta-feira, Dezembro 19, 2003

{ Último dia }




Esses dias, me peguei cantando "meu amooor, o que você faria se só te restasse esse dia?", do Paulinha Moska, e fiquei com a pergunta na cabeça. Eu:

- com certeza, não trabalharia;
- pintaria meu cabelo de vermelho;
- experimentaria cocaína;
- abraçaria e beijaria muito todo mundo;
- pediria desculpas;
- cuspiria na cara da única pessoa que eu odeio;
- gastaria todo o meu (pouco) dinheiro;
- faria muito sexo;
- ficaria na rede, abraçada com quem eu amo;
- olharia as estrelas;
- pularia de pára-quedas;
- tentaria "virar estrela" (aquele negócio que a gente faz quando criança e depois cresce e não consegue mais - mas eu nunca consegui, nem quando era pequena);
- compraria chocolates ao preço de 80 reais o quilo;
- diria aos meus pais e amigos o quanto eu os amo;
- beijaria uma mulher;
- diria a Deus que, se Ele existe (e eu espero que sim, senão fiz papel de idiota todo esse tempo), que perdoasse a todos nós, por tudo;
- comeria um pote imenso de sorvete da gelateria D´Vicz;
- colocaria uma foto minha no Chá-tice.

Talvez essa seja uma boa lista de resoluções para o Ano Novo.

Me diz, o que você faria?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 3:26:58 PM





Segunda-feira, Dezembro 15, 2003

{ Trazendo um Natal de felicidaaaaade }



O Natal, como já foi dito aqui, é aquele período mágico do ano. Em que os adultos se confraternizam e as crianças entoam canções de paz. E assim é o Coral do Palácio Avenida.

As apresentações acontecem na rua mais famosa de Curitiba: a rua XV. Todos os espectadores no calçadão, olhando para as janelinhas do prédio do HSBC, esperando surgirem as criancinhas fofinhas que cantam. De longe, é um espetáculo lindo. Mas de perto...

Adulto levando criancinha no colo, arrastando filhinho pela mão, tropeçando no bebê alheio. Papai escolhe um lugar com uma pessoa bem baixinha e pára em frente: então, saca seu bebê e empoleira o dito cujo em cima dos ombros. E aí não adianta protestar. Curitibano não fala com estranhos e acha que os incomodados é quem têm que se mudar.

Assim, entre cotoveladas e empurrões, você descola um lugarzinho no meio da multidão. Está feliz, vendo as criancinhas fazendo playback (sim, eu me iludi achando que elas realmente cantavam ao vivo!) e já estava pronta para esboçar um sorriso natalino. Mas eis que surge uma velhinha. Aparentemente inofensiva. Com uma bolsinha. E uma bengala.

Ela pára ao seu lado. Começa te empurrando discretamente. Quando você menos esperar, ela terá dado três bolsadas no seu estômago e cinco bengaladas na sua unha encravada. E ai de você se reclamar, porque ela é uma senhora de idade e merece respeito! Você é quem está errado, porque não cedeu o lugar a ela! Agora ela tem que te dar umas pancadas para poder assistir ao coral em paz!

Quando nada pior pode acontecer, começa a chover. E, nessa cidade, pode chover o quanto quiser; ninguém consegue manejar decentemente um guarda-chuva. Você se pergunta e qualquer super-herói capaz de desviar de balas sairia ileso de lá.

Então você vê mãe e filho chorando. E o espetáculo encerrando. E corre a repórter perguntar porque eles choram. Acho que, até agora, ninguém teve coragem de dizer a verdade.

No ano que vem, juro que levo minha própria bengala e meu guarda-chuva assassinos.


E um ano novo cheio de prosperidade!


postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 3:17:55 PM





Quinta-feira, Dezembro 11, 2003

{ Play }



trilha 1. [Dev. de trilhar.] S. f. (...) 3. Pista, vestígio, rasto. (...)


Para cada vida, uma trilha sonora. Você ouve o que você é.

De novo, eu e Moulin Rouge. Vontade de largar tudo pelo amor. Não paixãozinha: amor desses de filme. Queria arriscar sem medo de não ter dinheiro para pagar o aluguel, queria fugir com o bem-amado. Como roleta russa, jogando para ser feliz. Queria uma história que fizesse chorar.

Mas há mais que isso. Odeio ser racional, às vezes. E, sim, eu sou clichê. Só queria ter a opção de ser clichê como final de filme de amor.

Eu ouço o que eu tento ser.



Your Song
Moulin Rouge Soundtrack Lyrics


My gift is my song
And this one's for you
And you can tell everybody
That this is your song
It maybe quite simple
But now that it's done
Hope you don't mind
I hope you don't mind
That I put down in words
How wonderful life is now you're in the world

Sat on the roof
And I kicked off the moss
Well some of the verses well
They got me quite cross
But the sun's been kind
While I wrote this song
It's for people like you that
Keep it turned on

So excuse me for forgetting
But these things I do
You see I've forgotten
If they're green or they're blue
Anyway the thing is well I really mean
Yours are the sweetest eyes I've ever seen

And you can tell everybody
This is your song
It may be quite simple
But now that it's done
I hope you don't mind
I hope you don't mind that I put down in words

How wonderful life is now you're in the world
I hope you don't mind
I hope you don't mind that I put down in words
How wonderful life is now you're in the world


Pause:

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:52:01 AM





Terça-feira, Dezembro 09, 2003

{ Presente! }



Tem presente que é abraço. Tem presente que é abraço acompanhado de beijo. Tem beijo na bochecha, estalado, tem beijo babado, tem beijo molhado. Mas presente também pode ser flor. Rosa, margarida, amarillis, orquídea, tulipa. Pode ser um "oi". Até um "tchau", só depende da circunstância.

O fato é que presente é bom - desde que não seja de grego. E quem nunca recebeu uma meia, uma calça que não serviu, um perfume mais ou menos ou um cd que odiava?

Presente é o que se responde na hora da chamada, na escola. É a condição de estar em algum lugar. É estar sempre ao lado de alguém. E é pra esse alguém sempre presente que nunca se sabe o que dar.

Presentear é dar um pouco de si ao outro. Nossa, que clichê. Mas é isso aí.

PS: Um dos meus presentes de aniversário (sim, é hoje!) veio com um dia de antecedência, de alguém que eu não faço idéia de quem seja. Mas eu gostei muito. Obrigada, Bloggerman.

Abra!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 8:53:25 AM





Sexta-feira, Dezembro 05, 2003

{ É a vida! }



Criança é bicho engraçado. Quando menos se espera, elas soltam uma resposta sincera ou uma das clássicas desconcertantes. Há quem diga que a crueldade infantil é das mais perversas, mas é inegável o quanto isso pode ser divertido. Por isso, eu fico com a pureza das respostas das crianças!

Diálogos reais e fictícios de crianças de todas as idades:


O cara, iniciando uma cantada:
- Meu nome é Mike, e o seu?
- O meu não.


A mãe, para a filha:
- A privada está entupida. Você jogou alguma coisa dentro do vaso?
- Joguei.
- O QUE VOCÊ JOGOU?
- Um monte de cocô.


A menina, após ganhar um livro com uma dedicatória imensa, que impossibilitaria a troca do mesmo:
- Ah, esse eu já tenho.


A menininha de cinco anos:
- Você fuma, você vai morrer.
A fumante, de 40 anos, sem paciência e sem tato:
- Você também.
(será alguma inversão de papéis?)


Tarde da noite, no restaurante, a conversa entre a tia animada e a criança sonolenta:
- Olha, a cidade não dorme - diz a tia.
- Nem nós...

Eu fico com a pureza! E você?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:20:38 AM





Segunda-feira, Dezembro 01, 2003

{ Jingle Bell, Jingle Bell }





Natal. Período mágico, em que Jesus nasceu para dar esperanças ao homem. Quando as famílias se reúnem para festejar e demonstrar seu amor e união. É período de amigo secreto, presente de Natal, ceia e décimo terceiro.

Faltando uma semana pra data, dinheiro. Pra comprar os presentes, pra comprar as lembrancinhas, pra comprar o peru, pra comprar os cartões, pra comprar os enfeites. Melhor vender a alma ao diabo. Dá-lhe meia, camisa e pijama. Boneca, video-game e bicicleta. Perfume, CD e livro.

Na hora da festa, papel e laçarote. E Papai Noel, que ninguém é de ferro. Criança feliz, criança com cara de choro, criança estabacada com brinquedo quebrado.

Falta Coca Cola, cerveja e vinho para fazer descer o peru com farofa entalado na garganta. Que saudade daquela macarronada molhadinha e do caldinho do feijão. A tia mais pudica da família tira você no amigo secreto. Lá vem uma calçola que você nunca vai usar - pelo menos não nas próximas cinco décadas.

No almoço de Natal, os adultos de ressaca, as crianças com os brinquedos barulhentos e a discussão pra ver quem ganha: a dor de cabeça dos pais ou a insistência dos filhos. Bebe mais um pouco, requenta o peru, assa um leitão. Um grita com a filha adolescente, a outra defende e vira aquela zoeira. Logo, tá todo mundo discutindo e deixando a louça pra você lavar.

Quinta-feira de Natal. Engraçado, sempre foi domingo de Natal. Ao fim de tudo, você jura que não quer mais ver sua família pelos próximos vinte anos. Mas, lá no fundo, sabe que vai esperar o ano todo para que finalmente chegue 25 de dezembro de 2004...

Jingle all the way...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:02:11 AM





Quinta-feira, Novembro 27, 2003

{ O homem que eu quero ter... }



Nos últimos dias, li vários textos sobre o homem ideal. Como ele deveria ser ou deixar de ser. Então refleti sobre como seria meu homem ideal. A tampa da minha panela, a metade da minha laranja, minha alma gêma, minha cara metade, o chinelo velho pro meu pé cansado. E notei que o que pensei era um pouco diferente do que eu li. Igual, mas diferente.


O homem ideal

Eu queria que os olhos dele vigiassem meu sono. Que os braços enlaçassem meus sonhos. Que o peito amparasse meu ser. Queria que as pernas corressem com meus medos e que as mãos trouxessem meus anseios. Que o corpo buscasse meu prazer. A cabeça fervilhando idéias e os cabelos trançando projetos.

Meu homem ideal teria um cheiro que me acalmaria a alma e a voz de brisa para soprar palavras. Ele seria sempre melhor, e me faria melhor. Seria minha felicidade, minha saudade e minha tristeza. Porque eu haveria de chorar com ele.

E ele deverá partir depois de mim. Para que eu possa esperá-lo do outro lado. Ele fará tudo por mim, e eu farei o mesmo por ele.

... e talvez já tenha!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:51:44 AM





Segunda-feira, Novembro 24, 2003

{ Ai ai ai }



"Isso só acontece comigo!". Mentira! Folclore! Balela! Isso acontece com todo mundo. Derrubar café na blusa que acabou de vestir, manchar a camisa branca de molho shoyu, não ter na loja o produto em promoção, a fila sempre andar devagar porque você está nela. Vide "Leis de Murphy".

Mas tem coisas que - ah, essas não! - não acontecem com todo mundo. Porque existem seres abençoados - e outros amaldiçoados, por que não? Ganhar na loteria não é pra qualquer um. Eu nunca ganhei nada. Só ganhei uma caneca numa rifa, uma vez. Ah, e ganhei um livro péssimo num sorteio da faculdade, mas esse serviu porque eu troquei no sebo por uma porção de livros legais.

Ou seja, restaram, para mim, os acontecimentos malditos. Aqueles insólitos, que ocorrem com uma a cada 2 milhões de pessoas. Por exemplo, quando eu fissurei o osso do dedão do pé brincando de lutinha com um ex-namorado. Mas a maldição que me acompanha teve seu ápice em 21 de novembro de 2001.

Era dia da minha banca, apresentação do projeto final de graduação. Depois de tudo acabado, eu aprovada, perfeito.

Eis que a noite cai e eu vou pra cama. Sono reconfortante. Ai ai ai. Mas aí aparece alguém. Começa a levantar o colchão da minha cama. Eu tentando me agarrar no colchão de casal, mas... eu não dormia numa cama de casal! Eu dormia num beliche! Na cama de cima! Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!

CAPOFT!

Tava sonhando.

Caí do "segundo andar" do beliche - e isso já era realidade, necas de sonho. Lembro da cara do meu primo, sentado na cama ao lado, com cara de "que porra é essa?". Minha prima entrando correndo no quarto, eu segurando o braço - que doía um pouco. Pedi uma pomada pra passar no pulso. E foi quando descobri que meu braço tava torto! Ai ai ai. Essas coisas só acontecem comigo.

Corre pro hospital. Os residentes lindos. Ai ai ai. E eu com o braço quebrado porque caí do beliche. Ninguém acreditava na idiota que caiu da cama com quase 21 anos. Ai ai ai. Como desgraça pouca é bobagem, depois de ouvir da minha irmã que era pra "dormir que logo passa", larguei, no dia seguinte à tragédia, 2 mil e tantos reais no outro hospital para operar meu braço. Ai ai ai. Dois pinos. O meu medo de estar de braço enfaixado na formatura. O medo da minha mãe de eu ficar com o braço torto.

Ai ai ai. Lembro que perguntei ao médico que me operava porque é que eles não usavam aventaizinhos como o meu, dos que a gente fica com a bunda de fora. Não lembro da resposta. Ai ai ai.

Tem coisa que só acontece comigo. Pena que não é ganhar na loteria.

Por que só comigo?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:46:46 AM





Sábado, Novembro 22, 2003

{ Meleca! }



Obviamente, quando o blogger finalmente funciona, os comentários param de funcionar. Aê! Os últimos comentários do post abaixo "travaram" o Blogger Comentários, portanto, tive de apagá-los. Se essa merda voltar a acontecer, terei de apagar alguns outros, portanto, não se assustem, ok?

Você odeia o Blogger tanto quanto eu?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:15:01 AM





Quinta-feira, Novembro 20, 2003

{ Não vejo nada... }



When you hear a sound
That you just can't place
Feel somethin' move
That you just can't trace
When something sits
On the end of your bed
Don't turn around
When you hear me tread

I'm the invisible man
I'm the invisible man
Incredible how you can
See right through me

The Invisible Man - Queen


Quando ouvia essa música, eu me perguntava - no melhor estilo "Who wants to live forever?" - quem quer ser invisível. Na infância, eu nunca quis ser invisível. Queria poder voar. Isso sim seria legal.

Mas, ser invisível? Já basta o tanto que eu quis ser vista por gente que nunca me enxergou.

Quando eu era criança, sempre sonhava que meu telefoninho vermelho de brinquedo tocava. E eu queria dizer pra quem era a ligação, mas ninguém me via. E era horrível. Talvez daí minha aflição por ser invisível.

Que me odeiem, mas me enxerguem.




{ Spectacular, Spectacular }



O que lhe parece mais impossível de acontecer hoje? Ganhar na loteria? Passar de ano sem recuperação, sem final e sem subornar professor? Aqueeeeeele cara ou aqueeeeeeela gatinha que você sempre quis se declarando e dizendo que você é um chuchu?

Pois tudo isso parece extremamente real perto da possibilidade de conseguir acessar normalmente o Blogger!

Você é humano? Então desista.
Blogger - quando postar é humanamente impossível


Aleluia! Aleluia!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:30:37 PM





Segunda-feira, Novembro 17, 2003

{ Freud - dizem - explica }



Eu odeio meu inconsciente. O desgraçado vive me pregando peças - a última foi o template. Estava eu, feliz da vida, com meu template novo, quando a Anna Carolina veio perguntar da minha inspiração para a nova roupa do chá-tice.

Qual não foi minha surpresa ao entrar no Appothekaryum e ver que era praticamente um plágio! Eu, que tanto chiei, praticamente copiei o template da Anna! Ai ai ai, que feio. Pior é que eu já tinha entrado lá e não tinha notado nada, mas depois que ela falou foi impossível não notar! Eu semprei gostei muito daquele layout, aí o lazarento do meu incosciente montou um quase igual achando que meu consciente não ia descobrir. Arrá!

É por isso que eu odeio essas formas de consciência que não são conscientes. Essas coisas de psicólogo, né? Aliás, nunca fui em um; quer dizer, minha mãe disse que eu fui, mas eu nem lembro. Ela queria a todo custo que eu parasse de chupar dedo (o que foi até os oito anos de idade) e fez de tudo pra eu largar o hábito. Engraçado, porque eu só me recordo do meu pai entrando no quarto, muito brabo, dizendo que era pra eu parar antes que eu tivesse que usar aparelho. E, ainda por cima, daqueles "freio de burro".

O que ninguém entendia é que eu queria usar o maldito aparelho! O motivo, só Freud explica: a menina mais paquerada (paquerada? Na segunda série do primário?) da minha sala usava um desses. E lá estava meu inconsciente me mandando não parar de chupar dedo!

Anna Carolina, pode deixar que resolvo isso essa semana. Ah, e aproveitando o momento recado... Bialzinha, obrigada por ter falado com a Syl. Eu ia escrever pra ela, mas não achei o e-mail no blog. Ou meu insconsciente não deixou achar, por uma razão que eu não faço idéia de qual seja!

Maldita seja a Psicologia!



Sub? In? Consciente?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 8:44:29 AM





Domingo, Novembro 16, 2003

{ Sempre igual, agora diferente! }



Dia desses, li a coluna do Dimenstein sobre a redução da maioridade (de 18 para 16 anos). Quando vi, na Folha Online, a chamada "Baixar a maioridade é bobagem", pensei: agora alguém deve ter um bom motivo para eu mudar de idéia. Afinal, Dimenstein é Dimenstein, certo?

Errado. O argumento é que os criminosos saem da prisão pior do que entraram. E que a solução é que o sistema penitenciário eduque - e o criminoso se convença que, se continuar nessa vida, vai acabar preso. Rá rá rá. Bela solução.

Engraçado como Gilberto Dimenstein pode defender um monte de idéias utópicas e ser o último Gatorade do deserto. De repente me peguei pensando em como algumas coisas já têm um pré-determinado padrão de qualidade. E nem sempre elas continuam tão boas, mesmo que a fama permaneça.

Sou menos que a merda do cavalo do bandido pra falar mal de Gilberto Dimenstein; mas é fato que, nessa coluna sobre a redução da maioridade penal, os argumentos foram tão convincentes quanto os de um adolescente palpiteiro.

No mesmo raciocínio, pensei no template do Chá-tice. Parecia bom - até agora. Talvez, fosse bom porque eu achava que era bom. E ele já nem fosse tanta coisa assim.

Sempre é bom julgar e analisar as coisas. Mesmo as que vemos todo santo dia.

Faça sua análise!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 4:18:28 PM





Quarta-feira, Novembro 12, 2003

{ Sabedorias da publicidade }



Bem diz a propaganda do Mastercard. Depois de passar semanas fazendo um trabalho pra uma pessoa com QI de ostra, devolvi todo o dinheiro e entreguei a ela tudo que estava pronto. Nenhum dinheiro no mundo compra minha paz.

Tudo começou com esse ser que me pagou para fazer o trabalho de graduação que deveria ter sido feito durante tooooodo o ano... a impressão que eu tenho é que a moça ficou tirando cutícula do cérebro e lixando a língua, porque faltando duas semanas para a entrega ela não tinha nada pronto. Então eu pergunto, ao estilo da Glau:

Por que uma pessoa não faz seu trabalho de graduação?
( ) Porque não tem mais com que gastar dinheiro
( ) Porque acredita que ficar no computador estraga as unhas
( ) Porque pensar estraga o cérebro
( ) Porque pensar dá muito trabalho
( ) Porque a pessoa tem QI de ostra e é incapaz de unir duas idéias ("idéia? Hã? O que é isso?")

Ótimo. A ganância falou mais alto e lá fui eu fazer o projeto final da dita cuja. A pessoa simplesmente largou T-U-D-O na minha mão. Depois de tudo pronto, o que ela disse?

( ) Suuuuuuper Mouse é seu amiiiiiiiigo, vai salvá-lo do periiiiiiigo!
( ) And the Oscar goes to...
( ) O que é aquilo no céu? É um pássaro? É um avião?
( ) Aaaaaaaaai, tá tudo errado e meu professor disse que eu vou reprovar!!

Passados os primeiros dez segundos de ódio total e completo, em que pensei em seguir os conselhos de uma amiga e enfiar palitinhos debaixo das unhas dela, eu decidi devolver toda a grana e todo o serviço. A paz vale mais que qualquer dinheiro.

Tem coisas que o dinheiro não compra. Pra todas as outras existe Mastercard.


Quanto vale?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:42:59 AM





Segunda-feira, Novembro 10, 2003

{ E no balanço das horas... }



Boemiiiiiiiiiia, aqui me teeeeeeeens de regresso...

Tanto tempo tão ocupada e, agora que eu tenho espaço na agenda, não sei nem por onde começar. Nesse instante começa o mundialmente conhecido "fenômeno do declínio de atividades sociais". Só porque eu vou ter tempo pra ir.

Minto. Nos primeiros 4 dias, quando só vou pensar em dormir, dormir e dormir (e, quem sabe, dormir mais um pouquinho), ainda vai ter alguma coisa para fazer. Mas não vai adiantar, serei mulher-zumbi-enfurnada-em-casa-integrada-ao-sofá. Quando passar essa fase e eu quiser sair para curtir a vida exterior ao meu apartamento, não vou ter companhia.

O lado bom (bom?) é que isso só vai durar 15 dias. Logo, volta tudo ao normal. Trabalho, aula, trabalho, aula, nada de tempo para fazer a mão, o pé, cortar o cabelo ou acabar de ler a biografia do Leminski (que eu estou "lendo" desde que comecei esse blog).

Talvez seja melhor dormir mesmo.

It´s six o´clock!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 4:23:52 PM





{ Sintonizando... }



"Eu volteeeeeeeeeeeeeeeei, agora pra ficaaaaaaaaar..."

Isso mesmo, querido ouvinte!

"Porque aquiiiiiii, aqui é o meu lugaaaaaaaaaaaaaaar..."

A sua estação preferida está de volta!!
Depois de mais um frio e tenebroso inverno, a cigarra volta a cantar!

"Xanaduuuuuuuuuuuuuuuuu..."

Agradeço os quatro pedidos pela volta desta que vos fala! Perdoem o longo tempo fora...

"Pleeeeeeease, forgive-me... I know not what I do"

E já voltamos no ritmo!

"Ritmoooooooo, é ritmo de festaaaaaaaaaaaaaa!"
"This is the rythm of the night! The night! Oh yeah!"


"Tan tan tan tan taaaaaaaaaan
Tan tan tan taaaaaaaaaaaaan"
(musiquinha do plantão da Globo)

Informamos que a aluna Lady Erinyes passou na final de cálculo e entregou, com êxito, o trabalho para sua cliente. Agora, haverá tempo para que a meliante faça o pé, aplique máscaras de pepino e escreva em seu blog, o chá-tice.

Mais informações a qualquer momento. A cobertura completa você verá no Jornal Nacional.

"Tan tan tan tan taaaaaaaaaan
Tan tan tan taaaaaaaaaaaaan"
(musiquinha do plantão da Globo)

On-off:

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 3:46:30 PM





Quarta-feira, Novembro 05, 2003

{ Oraçãozinha do post engana-leitor }



Concedei-me, Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que eu não posso modificar, coragem para modificar aquelas que eu posso, e sabedoria para distinguir uma das outras.

Conceda, também, serenidade à professora de cálculo, para que ela não me reprove; e sabedoria para que eu possa encarar a prova que farei às 21h20.

Aproveitando o embalo, dê-me um dia com 48 horas, para que eu possa fazer tudo o que me comprometi a fazer. Um montão de dinheiro também não iria mal. Hum... quatro quilos a menos também seria bacana.

Deixa eu ver que mais... ah, Deus! Preciso de um cérebro novo. Com muito espaço em disco. Porque esse aqui, quando eu resolvo aprender as malditas integrais de cálculo, só exibe a mensagem:

Disco cheio.
Impossível salvar.


Amém!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 3:35:13 PM





Segunda-feira, Novembro 03, 2003

{ Medos }



Um tempo atrás, fui à homeopata e ela me perguntou do que eu tinha medo. Na hora foi difícil definir tudo, ou o que parecesse mais importante.

Sapo? Aranha? Barata? Não, disso eu não tenho medo, tenho nojo. É diferente. Nem de altura, nem de escuro, nem de morrer. Então do que eu tenho medo? Tanto tempo depois, consegui definir o que, apesar de não saber quanto.

Tenho medo:

- de que as pessoas não gostem de mim antes de eu mostrar a que eu realmente vim;
- de não conseguir ter filhos quando tentar;
- de que o tamanho da minha felicidade seja inversamente proporcional ao meu peso;
- de que as pessoas que eu gosto saiam da minha vida por vontade própria;
- de que nada do que eu faça seja bom;
- da mentira; e,
- às vezes, da verdade.

Porque a verdade pode ser um veneno sem antídoto.


Você tem medo de que?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:33:00 AM





Sexta-feira, Outubro 31, 2003

{ Ontem }



Tem dias que eu levanto e sinto cheiro de tempos antigos. De amores passados, de lugares distantes. Às vezes o dia tem cheiro de ontem.

No ontem, eu tomava banho ouvindo música e minha mente criava vídeo-clipes. Ao som de "Resposta", do Skank, a moça em preto e branco entrava na banheira com sua taça de vinho tinto e se cortava com uma lâmina de barbear. Todo o corpo, cheio de cortes, até morrer no fim da música. Era o que eu mais gostava de imaginar, mas desde então decidi manter objetos cortantes longe do meu banheiro.

O ontem não tinha cheiro de sangue, mas era repleto dele.

Comentários cortantes:

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:34:29 AM





Quarta-feira, Outubro 29, 2003

{ Agradecemos a preferência }



Adorei a diversão. Foram dias animadíssimos, em que eu descobri que tenho muito mais amigos do que imaginava. Gente que me defendeu, porque gosta de mim ou porque tava de saco cheio da vida e aproveitou o embalo.

E isso eu achei super legal. Um monte de gente veio ver "aquele blog que plagiaram". Algumas pessoas que eu nunca vi na vida estavam, de repente, vestindo a camisa e mostrando que são muito mais que leitores. Eles também entraram no blog do menino ctrl+c ctrl+v, que infelizmente ainda não notou a diferença entre a boa e a má propaganda. Mas isso já é problema dele - e eu não tenho absolutamente nada a ver com isso.

Ah! Como não poderia deixar de ser, agradeço ao Thiago que, apesar dos pesares, é o causador de tantas boas coisas.

A partir de agora, segue programação normal. Estamos abertos 24 horas, tudo com 50% de desconto! Aproveite!

Leve um e pague dois:

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:24:09 PM





Segunda-feira, Outubro 27, 2003

{ Filho da p...!!! }



Hoje eu descobri o que um incapaz é capaz de fazer. Afinal, incapaz é aquele que não sabe fazer nada - e, na teoria, não poderia mesmo. Ou não deveria. Mas, sem querer, notei que um incapaz tem a capacidade de utilizar o ctrl+c e ctrl+v.

Onde exatamente eu quero chegar? Simples. Achei um blog, na internet, de endereço www.chatisse.blig.ig.com.br. Qual não foi a minha surpresa ao clicar no link e descobrir - o que?? - um bloguezinho de nome "Chá-tice", com vários posts meus. Assinado por um tal "Sacaneado pelo Blig". E eu sou sacaneada por quem, então?

Minha primeira reação foi de ódio mortal, claro. Ira. Mentalizei todas as torturas medievais, aliadas às práticas sadomasoquistas mais dolorosas. Enquanto eu bradava aos quatro cantos a imbecilidade do cidadão que é incapaz de escrever um blog e copia (tratando como seus!) uma série de textos que eu escrevi, algumas coisas se organizaram na minha cabeça.

Inveja. Eu nem sei muito bem de que. Mas não consegui imaginar outra explicação. Infantilidade e burrice? Óbvio. Mas, por que? POR QUE?

Entretanto, se, por um lado, isso me dá vontade de esganar esse incompetente solto no mundo e lhe cortar os dedos para nunca mais fazer um ctrl+c e ctrl+v, por outro lado me orgulha. Mostra que o chátice está bacana. Que tem gente que lê e que, talvez, queira um igual.

Mas isso não vai me fazer relevar. Eu não sou piedosa. Não sou candidata a santa. Quero que Thiago Fagundes, 17 anos, crie um pingo de vergonha na cara para nunca mais vir aqui me plagiar. Claro que ele vai ler isso quando vier buscar seu próximo post.

Só quero ver se ele vai publicar esse.


Babaca, otário, filho da puta... xingue você também!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:02:16 PM





Domingo, Outubro 26, 2003

{ Tecnicamente... }



Eu gosto de algumas coisas simplesmente porque eu gosto. Da trilha sonora de Moulin Rouge, do trabalho do Romero Britto, do céu azul e de doce de figo ramy. Se me perguntarem porquê, digo "porque sim!" e acabou-se.

Nesse fim de semana, pensei que talvez eu esteja certa em gostar e pronto. Comprei um cd do Strokes (Is This It) e ouvi que não era tão bacana porque o som não era tão trabalhado. Disseram pra eu não comprar nada do Romero Britto porque aquilo não era arte.

Então eu não quero arte! Então eu sou só mais uma massificada atrás do que é fácil!

Já estava quase pulando da janela quando um amigo me veio com um questionamento sobre "análises desmembradas". E eu cheguei à conclusão que, se eu dividir tudo em pedaços menores e decifrá-los um a um, vou descobrir que um monte de coisas que eu achava super bacanas são lixo (foi o que quase aconteceu com The Strokes quando me disseram "olha que bateria pobre!", "hum, esse baixista, hein? Sei não...").

Por outro lado, se eu analisar tecnicamente algumas coisas, talvez considere boas por serem interessantes separadamente - e estar enganada. Num chat, "loiro, olhos azuis e bronzeado" não quer dizer muita coisa. Apesar de todo mundo imaginar um conjunto interessante, a última Coca-Cola do deserto, é óbvio que o cara pode ser horroroso - e a Coca, nesse caso, vai estar quente e sem gás.

O meu amigo das análises desmembradas discutia que estava interessado numa menina que tem um sorriso lindo, mas parece vazia. Porque ela tem a bateria meio normal, o baixo meio fraco... mas o conjunto é interessante, não é? É. Mas não é arte. Não é a mulher ideal. Não é perfeita.

E quem quer gente perfeita? Eu quero o que me agrada. O que me faz feliz. Sentimento não tem ISO9000.

Certificado de qualidade:

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:43:32 PM





Quinta-feira, Outubro 23, 2003

{ Ou isso ou aquilo* }



Quanto tempo da sua vida você passou estudando para uma prova em que se ferrou? Quantos dias vocês esperou que o telefone tocasse - e ele não tocou? Calcule as horas jogadas no lixo.

Nesse período, você poderia ter ido ao parque, deitado na grama e olhado pro céu. Poderia ter contado as estrelas, visto as formigas passeando com folhinhas nas costas, feito um bolo ou lido um livro. Mas não. Você podia ter dito a alguém o quanto gosta dela, podia ter dormido na rede e ter brincado com o cachorro. Eu nem tenho um cachorro para brincar, mas brincaria com meu gato.

Entretanto, ontem optei por estudar. Antes tivesse feito qualquer outra escolha.

Foi pensando nisso que cogitei a possibilidade de largar a faculdade. Já tenho um curso superior, não preciso de outro. Enquanto eu me divido entre as várias obrigações, o céu continua com nuvens e estrelas, as formigas continuam com suas folhinhas nas costas, a rede segue balançando com o vento. E eu?

Eu deixo tudo passar para cuidar das derivadas e integrais que eu não entendendo e não quero entender (a não ser para a prova). Sigo fazendo coisas das quais nem sempre me orgulho e que nem sempre me dão prazer. Calculo quanto tempo passei em aulas que eu não suporto. E só o que eu queria era sentir o vento, a umidade da grama entre os dedos dos pés, a joaninha fazendo cócegas no meu braço. O afago no cabelo, um bom filme no cinema, aquele cd tocando.

Talvez minhas últimas escolhas não tenham sido as mais acertadas.


*Poesia da Cecília Meireles, que eu posto logo abaixo.



Ou Isto ou Aquilo

Ou se tem chuva e não se tem sol
ou se tem sol e não se tem chuva!

Ou se calça a luva e não se põe o anel,
ou se põe o anel e não se calça a luva!

Quem sobe nos ares não fica no chão,
quem fica no chão não sobe nos ares.

É uma grande pena que não se possa
estar ao mesmo tempo em dois lugares!

Ou guardo o dinheiro e não compro o doce,
ou compro o doce e gasto o dinheiro.

Ou isto ou aquilo: ou isto ou aquilo...
e vivo escolhendo o dia inteiro!

Não sei se brinco, não sei se estudo,
se saio correndo ou fico tranqüilo.

Mas não consegui entender ainda
qual é melhor: se é isto ou aquilo.

Cecília Meireles


Isto ou aquilo?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:10:52 AM





Segunda-feira, Outubro 20, 2003

{ Quem muito abaixa... }



Engraçado. Sabe quando você faz tudo, tudo, tudo, o máximo que podia fazer, e se fode no fim? Bem diz o ditado: quem muito abaixa mostra a bunda.

Sempre aprendi que, se você quer bem feito, tem que fazer você mesmo. Por isso, não fico parada e faço o que acho melhor. E quando você toma uma atitude em nome de várias pessoas, pode saber que vai ter um infeliz pra dizer "vai tomar no cu", a quem você vai ter que responder "vai se foder, inútil".

Eu me ferrei, perdi metade da aula que adoro, saí na chuva, gastei o meu dinheiro pra comprar um bolo e refrigerantes. Quando voltei, metade das pessoas que poderiam ter ido estavam conversando, nem aí pra aula que eu adoro.

No outro dia, saí podre do trabalho, tinha que ir pra aula que eu adoro e já tinha perdido inifinitas porque precisei trabalhar até tarde. Mas, antes, passei para comprar os presentes que tinha prometido comprar, cheguei na aula e descobri que a turma toda queria participar do meu presente, aquele que eu achei legal.

Isso foi há algumas semanas. Hoje, poucas pessoas me pagaram e eu ainda tive que ouvir um "eu nem sabia o que iam dar, acho que isso não está certo". Rá rá rá.

E é sempre assim. Você se fode se faz bem. Você se fode se faz mal.


PS: texto mal-escrito, já que, bem ou mal, a merda no fim é sempre a mesma.

Mostra a bunda!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:18:31 PM





Sábado, Outubro 18, 2003

{ Maior amor }



Não sei bem como tudo começou. Só lembro das palavras do dia em que o conheci: "que não seja imortal, posto que é chama, mas que seja infinito enquanto dure". E dura, até hoje.

No começo era difícil definir nossa relação. Durante anos, extasiei-me com tudo o que sabia e dizia. Podia passar horas na sua presença, sem dizer nada, boquiaberta com tanta poesia. Mesmo quando falava das coisas mais simples da vida, trazia um quê de maravilha.

Com o tempo, foi ficando cada vez mais difícil guardar toda essa admiração só para mim. Fui, aos poucos, contando aos outros o quanto o amava. Hoje, muita gente sabe. E eu me orgulho de tê-lo sempre comigo, mesmo quando só na memória.

Domingo é uma data especial para nós. Ele faria 90 anos. Vinicius de Moraes, o poetinha que eu sempre quis conhecer, mas que não me esperou e partiu antes de eu dar a cara no mundo.



Soneto do maior amor


Maior amor nem mais estranho existe
Que o meu, que não sossega a coisa amada
E quando a sente alegre, fica triste
E se a vê descontente, dá risada.

E que só fica em paz se lhe resiste
O amado coração, e que se agrada
Mais da eterna aventura em que persiste
Que de uma vida mal-aventurada.

Louco amor meu, que quando toca, fere
E quando fere vibra, mas prefere
Ferir a fenecer - e vive a esmo

Fiel à sua lei de cada instante
Desassombrado, doido, delirante
Numa paixão de tudo e de si mesmo.


Vinicius de Moraes
Oxford, 1938


Infinito enquanto dure:

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 1:05:08 PM





Quarta-feira, Outubro 15, 2003

{ Família, família... }



Fim de semana. Meus pais em casa, fato raríssimo (para quem não sabe, moro só com a minha irmã). Saudades, eu não os via desde junho. Família reunida, jogando conversa fora, almoçando junto. Foi ótimo - durante os cinco primeiros minutos.

Acordo às 8h15 da manhã com o furdunço na casa. Anda pra lá, anda pra cá, berra aqui, grita acolá, e eu, que tinha ido dormir às 2h da manhã, estou de pé. Na sala, assistindo aos seriados do SBT, ouço a cada meia hora as mesmas perguntas: "que programa é esse?", "é americano?", "o que que conta?", acompanhado dos comentários "que programa bobo!", "não sei como você ri".

Cansada de ter que explicar cada seriado que começa (além das conversas sobre o casamento da minha irmã e, pasme, sobre o meu! Sim, porque minha irmã vai casar logo, mas o que diabos EU tenho com isso?), vou para o computador. Lá estou eu, conversando animadamente no icq. Minha mãe:

- Temos que ligar pra sua madrinha pra agradecer o presente de formatura. (detalhe: me formei há um ano e meio. Será que ela não pode esperar duas horas pra receber a ligação de agradecimento?)
- Tá bem, mãe. Depois a gente liga.
- Liga agora.
- Agora não, mãe. É hora do almoço. (notem a tentativa de fuga!)
- Imagina, não tem problema.
- Depois, mãe.
- Procura aí o número na internet.
Intimidada pelo olhar do meu pai, que assiste à cena, entro no site da Telefônica e pego o número.
- Então depois a gente liga, mãe.

Pi pi pi pi pi pi pi pi pi pi pi pi pi (onomatopéia do teclado do telefone).
Só uma palavra para resumir minha condição nesse instante: indignada.

- Oi, Silvinha, tudo bom? Como é que tá tudo aí? Blablablabla... então peraí que ela vai falar com você. (eu? quem disse que eu ia falar com ela naquela hora? Achei que tivesse dito "depois")
Atendo, blablablabla, desligo.

- Pronto, agora vamos ligar pra sua tia.

AAAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRGGGGGGGHHHHHHHHHHH!!!!!!


...

Post aleatório, ao estilo do unread.

Eu sou uma pessoa praticamente cega, com 3,5 graus de miopia. Esses dias, acordei, abri o olho e... surpresa! Eu enxergava tudo perfeitamente! Nada embaçado, tudo nítido, uma coisa espantosa! Pensei "Milagre! Milagre!". Estava quase telefonando para a igreja mais próxima quando me liguei do acontecido. Tinha dormido com as lentes de contato.

Putz! Estúpida.

Cachorro, gato, galinha...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:38:57 AM





Terça-feira, Outubro 14, 2003

{ Bocó de mola }



Tem músicas que foram feitas para alguém. Porque, se não foram, então não têm a menor razão de ser. Descobri isso hoje, quando discutia que a música "She", do Elvis Costello (que eu juro que não faço a menor idéia de quem seja), foi feita por alguém que amava muito - ou era muito mentiroso.

Disseram a mim que não era preciso, que o compositor encarnava um personagem e... tchanã! Lá estava a música. Qual é a graça dessa música se ela não tiver sido feita pra ninguém? Quer dizer que chorei à toa ontem, quando tocou essa música no filme? Ai, ai, é foda ser bocó de mola...


She
Elvis Costello

She
may be the face I can't forget
a trace of pleasure I regret
may be my treasure or the price I have to pay
she may be the song that Solomon sings
may be the chill that autumn brings
my be a hounded tearful things
within the measure of the day.

She
may be the beauty or the beast
may be the famine or the feast
may turn each day into heave or a hell
she may be the mirror of my dream
a smile reflected in a stream
she may not be what she may seem
inside as shell

she who always seems so happy 'n proud
who's eyes can be so private and so proud
no one's allowed to see them when they cry
she may be the love that can and hope to last
may come to me from shadows of the past
that I remember till day I die

She
may be the reason I survive
the why and where for I'm alive
the one I'll care for through the rough and rainy years
me I'll take her laughter and her tears
and make them all my souvenirs
for where she goes I got to be
the meaning of my life is

she, she, she


PS: juro que, à noite, posto um texto mais decente.

O amor é bobo. Ou não?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 5:13:50 PM





Domingo, Outubro 12, 2003

{ Por que será? }



Eu estou parecendo criança na fase do porquê. Uma série de porquês ficam pulando na minha cabeça. Talvez inspirada num blog que eu visito sempre, o Mãe 24h, que sempre cria uns porquês com alternativas. Então me pergunto:

Sobre Mulheres Apaixonadas:
- Por que a mãe da Clara, que aporrinhou a novela toda e foi à formatura da filha (obrigada, Carolina!), não teve um chilique ao ver o beijo dela com a Rafaela?
- Por que a mãe do Fred, que sempre odiou a Raquel, não foi tomar satisfações com ela pela morte do filho? Aliás, por que ela não esbofeteou a professora quando ela disse que estava grávida?
- Por que a super peça "Romeu e Julieta" estava sendo ensaiada há meses, com várias pessoas, se só a Clara falou alguma coisa e a Rafaela suspirou?
- Por que só os maus podem acabar a novela sozinhos?
- Por que todas as mocinhas são magras?
- Por que o Manoel Carlos não fez a mulher com câncer de mama, no mínimo, prender o cabelo e usar uma peruca de verdade?
- Por que eu assisti essa novela????

Sobre o trânsito:
- Repito: por que as marmotas podem ter carteira de motorista?
- Por que as marmotas dirigem a 40 por hora na pista da esquerda?
- Por que a pista em que você está é sempre a que anda mais devagar?
- Por que o trânsito sempre está livre quando se está calma e horrível quando se está estressada?
- Por que as pessoas param em fila dupla?
- Por que as pessoas param na caixa amarela?
- Por que as pessoas param no sinal verde quando não tem ninguém na frente????

Sobre o totalmente inexplicável:
- Por que existem três tipos de "porquê"?
- Por que 95% dos filmes brasileiros têm putaria?
- Por que os homens são como são?
- Por que eu digo uma coisa quando quero outra?
- Por que quando eu tenho várias coisas pra fazer, logo aparecem mais 500 ao mesmo tempo?
- Por que quando eu quero dormir é hora de acordar?
- Por que quando eu quero acordar é hora de dormir?
- Por que minha gata corre feito louca pela casa?
- Por que a porra da globo.com insiste em não publicar o texto que eu quero?
- Por que eu sempre esqueço o que eu ia escrever????

Por que?



{ Apêndice }

Quando falei no Mãe 24h, pensei que seria totalmente injusto não citar os blogs que eu sempre visito. Desculpem as descrições, de repente alguém acha que não é nada disso que eu escrevi. Ah, de repente não é mesmo.

Bom, então lá vão, em ordem alfabética (peloamordeDeus, perdoem se eu esquecer alguém!):

Aisling: um rapaz que tem uns textos que mereciam ser musicados.

Another Blog: uma pessoinha que eu nem bem conheço, mas que sei que merece muita coisa boa - e os textos são ótimos!

Apontamentos: blog de um amigo meu que escreve muuita coisa pra mulher que ele gosta.

Appothekaryum: o dia a dia que você não sabe se é real ou imaginário.

Assuntoph: a menina parece uma revolução, ainda mais na cidade em que ela tá...

Caco Alfredo: provando que mulher entende de futebol (e de todo o resto também!).

Mãe 24h: uma mãe coruja que faz da maternidade uma piada.

Ninguém Presta... Inclusive Eu!?!?!: ainda não entendi bem qual é a do cara, mas adoro o blog.

Serotonina Zero: o cara tem umas idéias muito aleatórias sobre coisas mais aleatórias ainda.

Soda Cáustica: alguém com vários problemas como o meu e que tem textos "divertidos" (ela odiou uma pessoa que disse isso, mas é verdade!).

Tô Bloganu: o blog que me apresentou à maioria dos que eu visito hoje. De uma pessoa muito bacana que não gostou de mim logo de cara, mas agora acho que está tudo resolvido. Textos muito legais, mesmo (ou especialmente) quando a Syl está de mau humor.

Devo ter esquecido algum. Adiciono quando lembrar.

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:35:36 AM





Sábado, Outubro 11, 2003

{ Fatores }



Eu sei. Vários dias sem postar nada. Não é minha culpa. Quer dizer, talvez seja. O fato é que Manoel Carlos e as marmotas me fizeram desistir. Como?

O Fator Maneco
Por causa dessa instituição terrível chamada novela e que, todo mundo, mais cedo ou mais tarde, acaba assistindo - nem que seja um capítulo (vejo um monte de comentários dizendo "eu não assisto esse lixo!", mas continarei mesmo assim).

O Fator Marmota
Bem, não sei por que diabos o Detran dá carteira de motoristas a marmotas! Mas descobri que as marmotas também têm contas em bancos e passam muuuuito tempo para fazer um simples saque no caixa automático. Obviamente, fatores intermediários compõe este grupo: o Fator Cocoon e o Fator Bicho Grilo.

Novela é atraso de vida. Gente lerda é atraso de vida. E eis que estou rodeada disso tudo. Tudo bem, da novela eu ainda gostava...

Meu humor não esteve dos melhores essa semana. Eu parecia uma mulher-zumbi (talvez ainda pareça um pouco). Mas prometo um post pra daqui a pouco, se a Globo.com funcionar.

O Fator Desconexo
Esse post não faz sentido algum. Definitivamente.

Argh!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:58:31 PM





Quarta-feira, Outubro 08, 2003

{ Eu não sou superior! }



Eu admito. Podem começar a me execrar (nossa, que vocabulário chique!). Penso seriamente, nesse momento, em não ir à aula de cálculo. Razões:

1- aula de cálculo é mesmo um saco!
2- estamos nos momentos finais da novela das 8, e eu vi em algum lugar que o Tom Hanks de araque vai morrer hoje!

E olha que eu nem vejo direito a tal da novela, porque tenho aula à noite. Mas, por causa da greve, acabei passando umas noites em casa e assistindo. Por um lado até que é bom. Afinal, quem não vê a saga do Manoel Carlos parece um alienado, abduzido para um universo paralelo em que as mulheres não são apaixonadas!

Mas por outro lado, você se pega vendo todos os sites de fofoca para descobrir o que vai acontecer na novela hoje, porque sabe que estará desenhando vidros de geléia às 21h! Argh! E pára em frente a banca para ler a capa da Contigo! Ui! E vão descobrir que você não é uma mulher superior, que você torce para a Dóris ficar tetraplégica e ter de ser cuidada pelos avós (que subitamente vão adquirir um comportamento mau e impiedoso!) e pro troncho do Fred ficar com a mão peluda e acabar com a Edvirgem que não dá pra ninguém!

Ai, será que isso tem cura?

Noveleira? Eu??

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 8:28:47 PM





{ Camisa de força }



Estou no meu inferno astral. Ou estava, até ontem. Nas últimas semanas, acontecimentos dos mais improváveis têm acontecido repetidamente. Minha sandália arrebentou quando eu fui almoçar e passei o dia descalça, não fui para a aula no dia em que tive uma aula legal justamente porque minha sandália se revoltou, o chuveiro queimou quando eu tinha acabado de me molhar (e molhar o cabelo, claro), meu pai me pediu, na segunda, para fazer um trabalho para ele - até quarta-feira, tenho que fechar três jornais essa semana, além de ajudar a fazer os outros... argh!

Que seja. Melhor morrer louca que morrer de tédio.

Pelo menos, a loucura é que me persegue. Ela está sempre um passinho atrás de mim, pronta me alcançar na próxima esquina. Mas eu não corro atrás dela, eu só fujo. Tem gente que parece que busca a insanidade. Liga pra ex-namorada tirana, vai atrás de homem casado, se mete a acampar e a ter filhos. Se bem que, hum, ter filhos é uma loucura que eu ainda quero cometer. E casar. E pular de pára-quedas.

Ah, quer saber? Loucura é só questão de referencial.

dizem que sou looooouco...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:12:00 AM





Domingo, Outubro 05, 2003

{ Rótulo }





Sempre quis uma tatuagem. Desde muito nova, quando não era moda e era coisa de quem tinha colhões. Mas, morando no interiorrrrrr, há de se imaginar que, além de não haver tatuador na cidade, esse tipo de prática não era lá muito bem vinda. Mas eis que mudei pra Curitiba - e começou a coceira pra fazer uma.

Sabendo dos pelo menos três tipos de ataque que minha mãe teria - ataque histérico, ataque cardíaco e ataque de raiva, entre outros -, optei pelo piercing. O argumento "quando eu quiser eu tiro" era ótimo. Botei o brinco no umbigo, e nada do desejo de fazer uma tatuagem passar.

A verdade é que fiquei dos 10 aos 19 anos sentada, esperando a vontade passar, mas necas. Então criei coragem de enfrentar a agulha (e a mãe) e fui. O que eu não sabia é que tatuagem vicia; é praticamente impossível ter uma só. Depois da primeira, fui para meu segundo piercing (nova tentativa de não fazer outra "marca" no meu corpo).

Preciso dizer que não resolveu? Hoje tenho três tatuagens, que eu adoro. Só não faço mais porque logo vai ser impossível escondê-las. E, por mais que o mundo se diga moderno e livre de preconceitos, às vezes é preciso.

Minha mãe disse que eu era maloqueira. Ah, e quem disse que eu não sou? Sempre fui espevitada, ovelha negra da família (odeio esse termo, mas não há sinônimos perfeitos para ela), moleca, biscate (isso era o que diziam, eu não concordo não). Um rótulo a mais, um a menos, não faz a menor diferença agora.

Antes que eu me esqueça, o melhor das tatuagens: espanto, de cara, gente preconceituosa. Isso é ótimo.

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 8:54:30 PM





{ Ei! }



Ei, Globo.com, vai tomar no cu!



Eu amo a Globo.com, que passou o dia em manutenção para melhorar seus serviços. Pelo visto, não tem adiantado muito.

E aí?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 7:59:20 PM





Sexta-feira, Outubro 03, 2003

{ Das dificuldades virtuais }



Um professor me disse, uma vez, que na internet tudo é mal interpretado. Concordo. Você escreve, educada e humildemente:

Fulana,
Pode fazer a gentileza de me enviar o arquivo com as cotações da Bolsa nos últimos dois meses?


E a pessoa interpreta como:

Fulana,
Pode fazer a GEN-TI-LE-ZA de me enviar o arquivo com as cotações da Bolsa nos últimos dois meses?


Ou seja, de maneira mais clara, a mensagem compreendida é:

Fulana,
O mínimo que você pode fazer é me mandar o arquivo com as cotações da Bolsa nos últimos dois meses! Por que ainda não enviou? Acha que é paga para que?


Para isso inventaram os emoticons. Mas eles ficaram restritos aos chats e pode soar meio teenager usar desses artifícios nos e-mails mais "sérios". Nesses casos, usar o telefone pode ser mais eficiente.

O problema maior acontece quando a conversação acontece com pessoas que você conhece apenas virtualmente - e, consequentemente, não tem o número de telefone para ligar e dizer o que quer. O que é ótimo, já pensou o que seria dos blogs super comentados se todos os palpites fossem feitos pela invenção de Graham Bell?

(A propósito, não tem nada a ver, mas me lembrou uma piadinha ruim mas bem bonitinha:
Como duas baratas se comunicam?
Via Embaratel!)

Mas, explicações e mais explicações, palavras e mais palavras digitadas, calos e mais calos nos dedos, finalmente a gente se entende. Melhor assim.

Hein?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:21:27 AM





Quarta-feira, Outubro 01, 2003

{ Produto da mídia - ou "I fell fat" }



Eu estou na TPM. Num mês de 30 dias, tive mais ou menos 15 de tensão pré-menstrual. Isso significa que andei com uma fome do cão, inchei até não poder mais e fiquei super manhosa. Obviamente, comi tudo o que não podia e, agora, 2 quilos a mais, continuo culpando o inchaço. Minhas calças largas agora já me apertam, e eu sei que não vou conseguir parar de comer até essa porra de TPM ir embora.

Pior de tudo é que EU SOU UM PRODUTO DA MÍDIA. Um amigo me disse, esses dias, que ele era uma vaquinha de presépio que a mídia manipulava. Pensando nisso, eu cheguei à conclusão que eu também sou. Eu quero ser magra porque todas as mulheres das tevês e cartazes e revistas e propagandas e desfiles são magérrimas. E eu não acho que isso tá certo, mas é mais forte que eu!

Então, provavelmente, vou me obrigar a passar a semana que vem (em que não estarei na TPM) comendo alface. E eu não queria. Por que eu sou assim? Maldita tensão pré-menstrual que me faz engordar. Maldita mídia que me faz emagrecer.

Bendito seja o meu "muso" Vinicius de Moraes, que viveu como bem quis.


Não Comerei da Alface a Verde Pétala
Vinicius de Moraes

Não comerei da alface a verde pétala
Nem da cenoura as hóstias desbotadas
Deixarei as pastagens às manadas
E a quem maior aprouver fazer dieta.

Cajus hei de chupar, mangas-espadas
Talvez pouco elegantes para um poeta
Mas peras e maçãs, deixo-as ao esteta
Que acredita no cromo das saladas.

Não nasci ruminante como os bois
Nem como os coelhos, roedor; nasci
Omnívoro: dêem-me feijão com arroz

E um bife, e um queijo forte, e parati
E eu morrerei feliz, do coração
De ter vivido sem comer em vão.


Um comentário por um quilo:

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:01:16 PM





Segunda-feira, Setembro 29, 2003

{ Conto de fadas }



Era uma vez uma bela adormecida chamada Rapunzel. Ela tinha olhos grandes para ver melhor, orelhas grandes para ouvir melhor, nariz grande para cheirar melhor, e uma boca enorme para comer. Com tanta gula, era capaz de comer três porquinhos e uma maçã num único passeio na floresta - e, depois, tirar uma sonequinha, porque ninguém é de ferro.

Como se pode notar, Rapunzel não ficou tanto tempo assim tão bela... acabou ficando mais para patinho feio. Ainda assim, sua madrasta má contava as horas para o baile do príncipe, que procurava uma noiva. Assim se livraria da enteada comilona. Que coisa mais antiquada, seria mais fácil procurar uma agência matrimonial. Mas tudo bem. No dia do baile, Rapunzel, mais preocupada em comer que em agradar o bonitão, acabou fugindo com uma grande abóbora recheada de camarões.

A atitude indignou a mãe do príncipe, a Rainha de Copas, que botou os guardas em seu encalço para prendê-la e cortar-lhe a cabeça. Foi quando um gato risonho apareceu em frente à Rapunzel e indicou o caminho para a fuga. De quebra, ainda descolou umas botas que a faziam correr muito rápido, já que com um passo já ficava a léguas de distância (isso foi muito útil, porque a moçoila estava bem acima do peso).

Enquanto corria, ela notou que havia um pé de feijão enorme que crescia até além das nuvens. Ela subiu rapidamente e encontrou um castelo gigantesco. Lá, todas as travessas eram grandes: leitões, pães e doces em tamanho descomunal. Procurou pelo dono do lugar, mas foi informada que o gigante que habitava o castelo acabou abatido ao tentar recuperar o sapatinho de cristal de sua amada.

Assim, Rapunzel tomou conta da cozinha do castelo, contratou uma bruxa sem escrúpulos para atuar como consultora e entrou de vez no ramo alimentício, vendendo comida em porções gigantescas. Tornou-se uma empresária de sucesso e hoje espera uma fada madrinha que lhe consiga uma operação de redução de estômago.

Era uma vez comentários...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:54:53 AM





Sexta-feira, Setembro 26, 2003

{ Campanha }



Como eu disse no post anterior, ontem eu fui doar sangue. Dessa vez, foi para uma pessoa em particular. Alguém que eu sabia que precisava. Que tá lá, na labuta, tentando viver. Na contra-mão, um rapaz tetraplégico, surdo e cego, tentava se matar desde setembro de 2000, mas ninguém permitia. E como é que um tetraplégico se mata? Nem isso consegue fazer. O caso aconteceu na França, a mãe finalmente conseguiu matar o rapaz hoje.

Às vezes tento estabelecer um limite para isso. Até que ponto vale a pena viver? Vale a pena estar numa cama, somente ouvindo, sem se mexer? Em que momento a existência passa a ser tão insuportável a ponto de desistir?

(Não, terminar com o namorado e brigar com a mãe não são, nem de longe, motivos suficientes para desistir. Se achar a pessoa mais feia do mundo também não.)

Mas penso nos que tentam ficar aqui, enquanto já são levados pela mão para um outro lugar. E não desistem. Esses decidiram viver. Deveras, foi uma bela escolha.

Para quem quiser doar sangue, o site do Hemobanco traz um monte de informações. A página é de Curitiba, mas é só procurar um banco de sangue onde você estiver. Vamos lá, deixe de ser cagão e enfrente a agulha!

Vai doar?


postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 4:25:01 PM





{ Decisões }



Assim se forma a vida. Uma escolha aqui, outra ali, e pronto. Está feito.

Ontem fiz dezenas de escolhas, que nortearam, definitivamente, o rumo da meu dia. Podia ser melhor ou pior, mas foi como foi porque eu escolhi levantar e sair de casa para trabalhar, almoçar um cachorro-quente em vez de comida, doar sangue (graças somente a ter optado pelo cachorro-quente), não comer doce para emagrecer os 2,5 kg que eu engordei, não dar a resposta merecida para a pessoa que me perguntou "por que as pessoas usam faixas laranjas no cabelo?".

Mas as duas melhores foram ter doado sangue e não ter dado nem a resposta mal-educada nem a bem-educada que eu pensei em dar. Uma escolha eu fiz sem pestanejar: doar sangue. A outra só aconteceu porque eu pensei muito. E estralei os dedos. E contei até 10. E pensei em todos os métodos medievais de tortura. E mentalizei energias positivas. E acabei dando uma resposta engraçadinha.

Só espero que não aconteça como disse o Dr. Jack Nicholson em "Tratamento de Choque". Ele tinha a teoria que existem dois tipos de "raivosos": os extrusivos e os intrusivos (na verdade, acho que não foi esse o termo, mas tudo bem. Aliás, eu nem lembro direito se era assim a explicação, mas era parecido. Quem souber, me corrija). Os primeiros são aqueles que vão ao mercado, a caixa erra a conta e o cara xinga. Os segundos são aqueles que vão ao mercado, a caixa erra a conta e ele vai embora guardando o ódio. Até o dia em que ele entra armado no mercado e mata todo mundo.

Tomara que não seja assim.

Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!!!!


postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 3:58:54 PM





Quarta-feira, Setembro 24, 2003

{ Errata }



Claro que eu, ser inferior, não postei direito a Lei Morimoto. Postei uma versão resumida. Então, segue a íntegra original - e infinitamente mais divertida.


1º LEI DE MORIMOTO:

"Para todo apressado existe um retardado de mesma direção e sentido, cuja velocidade é inversamente proporcional àquele que anda mais rápido."


Ops:

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:23:02 PM





{ Lei de Morimoto e variações }



Morimoto é um sábio conhecedor do mundo e seus meandros. Uma pessoa capaz de explicar os fatores cotidianos através de máximas muitas vezes inegáveis, mas sempre divertidas. Alguns de seus pensamentos permitem reflexões e a criação de novos paradigmas para nortear as discussões necessárias em torno da evolução humana na Terra.*

Para incitar o pensamento filosófico, vejamos uma das leis de Morimoto e suas variações.


LEI DE MORIMOTO:

"A velocidade do corpo à sua frente é inversamente proporcional ao espaço que ele ocupa no espaço."



Variações:

Variante Morimoto: "A velocidade dos corpos imediatamente à sua frente é inversamente proporcional à sua pressa."
Variante Mocki: "A velocidade do veículo à sua frente é inversamente proporcional à potência do mesmo."
Variante Ribeiro: "A velocidade do veículo à sua frente depende, em muitos casos, da presença de um adesivo com mote religioso."


*Este parágrafo, apesar de verdadeiro, é totalmente embromation e explica como eu fiz minha monografia de conclusão de curso.

Divagações:

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:46:22 AM





Segunda-feira, Setembro 22, 2003

{ Ora... }



Tem comida que eu acho que não gosto. Talvez nunca tenha experimentado. Tem gente que eu achava que conhecia - e achava que, talvez, não fosse assim tão legal. Aí é que entrou o destino.

Acabei tendo que conviver com alguém que passou anos ao meu lado, mas cuja conversação nunca foi muito além do "oi, tudo bem?". E foi então que descobri o quanto essa é uma pessoa legal. O quanto poderíamos ter nos divertido juntos.

Noto que algumas pessoas para quem já dei mais tempo não eram assim tão merecedoras. Gente que amei e não me amou de volta. Gente em quem confiei e que decepcionaram. E então, alguém de quem nunca esperei mais que o trivial se apresenta como uma bela surpresa.

O destino existe para provar que estávamos errados. Que pastel doce é bom. Que pizza de chocolate pode ser gostosa. Que algumas combinações que parecem não dar certo, na verdade surpreendem.

Ora...

E aí?


postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 12:07:51 PM





Sexta-feira, Setembro 19, 2003

{ Coisas que eu odeio }



Eu sou uma pessoa altamente irritável. Por isso, também sou irritante. Quem me conhece já sabe várias coisas que me deixam com o sistema nervoso:

- dizer que tem uma coisa muito importante para contar, mas tem que ser mais tarde, ou pessoalmente, ou depois que salvar a vó que subiu no poste;
- não me levarem a sério quando eu realmente tenho uma coisa importante pra dizer;
- me levarem a sério quando eu faço um comentário que é uma piada;
- mastigar de boca aberta;
- comer fazendo barulho;
- gente que não me conhece dando palpite na minha vida (tipo a mulher que me viu tomando café e fez um comentário sobre a quantidade de adoçante que eu coloquei);
- comentários a meu respeito por gente que não me conhece;
- relações grudentas;
- mendigar atenção;
- discussão de relacionamento;
- desculpas, desculpas e mais desculpas;
- ter sempre as mesmas desculpas;
- não ter um mínimo necessário de auto-estima;
- me sentir culpada.

Obviamente, essa lista não está completa. Atualizo conforme as coisas forem acontecendo. Ou não. E, não me cobrem, porque eu odeio pressão.

O que você odeia?


postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:37:07 PM





Quinta-feira, Setembro 18, 2003

{ Jesus de Genésio }



Seis doses de pinga de banana e uma aula de cálculo depois, eis o resultado. O texto era praticamente inédito para mim também, até eu digitá-lo agora.


Da pinga de banana

Se eu entender os hieróglifos, postarei no blog. Bem, se vocês estão lendo é porque consegui decifrá-los.

Seis. Após seis doses de pinga de banana, mais alguns goles de cerveja, cá estou eu na aula de cálculo. Concentrar-me nas derivadas parece impossível. Escrevo para fingir que resolvo o exercício proposto.

Fecho os olhos e vejo batidas de música eletrônica. A professora desconfia e me encara. Continuo rabiscando o papel que, se compreender depois, colocarei no meu blog.

(Noto, agora sóbria, que já disse isso.)

Engraçado como algumas pessoas definitivamente não nasceram para o cálculo. Meu ex-namorado me deu essa agenda, esqueci o caderno. A professora mata tempo ainda não perguntou sobre (indecifrável).

Amanhã tenho que trabalhar. Devo estar de ressaca. Isso que dá acompanhar os amigos deprimidos que perdem as namoradas.


Está no quadro:

Prove que (sec x)' = sec x . tg x


Não me lembro de nada disso. Lembro do gosto da pinga de banana, que desce queimando a minha laringe.

Minha amiga me cutuca, quer saber se estou dormindo. Ainda não. Não sei como vou embora. Meu carro está me esperando, após a melhor baliza da minha vida, mas não sei se ainda sei dirigir.

Melhor me levantar, antes que eu durma. Ou vomite.

Pelo menos já são 10 horas. Faltam 50 minutos de tortura. Talvez eu saia um pouco para respirar, talvez não. Periga não voltar, nunca mais.

...

Duas amigas minhas tinham a teoria de que Marx e os pensadores de maneira geral eram um bando de alcoólatras e fumadores de maconha, que escreviam no auge do colapso alcoólico. Talvez não os (indecifrável).

Se bem que, agora, não tenho certeza de nada.


Ic!


postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:22:34 AM





Quarta-feira, Setembro 17, 2003

{ Última estação }



Parece que é o ponto final para vários. Lágrimas, um choro disfarçado para evitar uma possível comoção coletiva. Em todo lugar, sempre um fim. As várias histórias passam a se desenrolar por trilhas diferentes.

Desatando laços, a visão turva. Os primeiros dias serão lentos. A tristeza é um rio de lágrimas que não tem dia para secar.

Snif:

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 1:56:19 PM





Terça-feira, Setembro 16, 2003

{ Labirinto }


Deitada na cama, ela olhava o teto. Alguma coisa a incomodava, mas o que exatamente? Não dava para ver, tudo muito escuro. Na verdade, ela tentava olhar o teto, mas não via nada. Era como estar de olhos fechados, mas eles estavam abertos. Bem abertos. Arregalados, para ser mais exata.

E, apesar de não enxergar nada e não ouvir um único som, ela sabia que não estava só. Foi quando ela o notou ao seu lado. Quando correu, encontrou a porta trancada. A chave caída no chão. Ela buscava, tremendo, a saída, mas era impossível acertar a fechadura. Era preciso sair dali. Rápido.

Finalmente ela conseguiu. Saiu e trancou-se para fora. Agora não haveria problema, certo?

Errado.

Estava trancada, de novo, em outro ambiente. E, a cada vez que abria a porta, saía num cômodo diferente, sempre fechado, sempre seguida. A ameaça continuava. Corre corre corre corre. Abre fecha fecha fecha abre abre abre corre. Tudo de novo. Era como um labirinto, mas esse não tinha solução. Melhor se entregar.

Então eu acordei.

Se correr...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:23:21 PM





Segunda-feira, Setembro 15, 2003

{ Roxanne }





Roxanne, you don't have to put on the red light
Those days are over
You don't have to sell your body to the night

Roxanne, you don't have to wear that dress tonight
Walk these streets for money
You don't care if it's wrong or if it's right
Roxanne, you don't have to put on the red light
Roxanne, you don't have to put on the red light
Roxanne, put on the red light

I love you since I've knew you
I wouldn't talk down to you
I have to tell you just how I feel
I won't share you with another boy

I know my mind is made up
So put away your makeup
Tell you once I won't tell you again it's a bad way
Roxanne, you don't have to put on the red light
Roxanne, you don't have to put on the red light
You don't have to
Roxanne, put on the red light

You don't have to
Roxanne, put on the red light

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:38:20 PM





{ Carmim }



Meu último vício é vermelho. Como as unhas das putas, como as botininhas de plástico das crianças na escola. Minha nova obsessão é Moulin Rouge. As músicas, o cenário, o roteiro, a vida. Porque não só o amor é vermelho.

Esses dias, descobri que a cor vermelha de alguns alimentos é conseguida a partir de um besourinho. Muita gente sabia disso. Eu não. Prefiro não saber certas coisas, mas acabei sabendo dessa. Só podia. Para criar o vermelho é preciso vida, mesmo que de cochonilhas ou coisa do tipo.

Carmim. Cor quente. Também era vermelha a buceta da Liliana no Vastas Emoções e Pensamentos Imperfeitos, do Rubem Fonseca que eu adoro. Juro que procurei o trecho no livro, mas faz muito tempo e não achei mais. Mas lembro que era.

Mais que tudo, as coisas vermelhas exalam vida. Talvez porque são representações da vida. O sangue, o lábio, o amor, a sedução, a ira. Por isso, a música que mais escuto, no momento, é El tango de Roxanne, versão do Moulin Rouge para a música do The Police.

Vermelho é o vestido da dançarina de tango. Carmim é a cor do lábio que beija. Escarlate é o sangue que escorre da faca. O amor é vermelho em todas as suas variações.

...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:12:23 PM





Sexta-feira, Setembro 12, 2003

{ Let´s have sex }



Esse, assim como os dois posts anteriores, são em especial pra uma amiga minha. Curioso é que ela não lê o blog. Mas, se lesse, ela saberia.

(Eu fiz essa crônica há alguns anos, ainda na faculdade, e ela adorou. Na verdade, não é o mesmo texto porque aquele se perdeu graças à minha placa mãe assassina! O contexto é que é o mesmo, apesar desse me parecer mais sério.)






Let´s have sex

Dezesseis e trinta e cinco, foi a senhora até à livraria. Vários livros. Olhou e se deparou com manuais de sexo, dizendo como ter uma noite de pleno prazer. Para gozar a noite toda, para fazer o marido enlouquecer de tesão. Tanta bibliografia não podia estar errada: a vida com o marido devia mesmo estar meio morna, ela é que não tinha percebido.

Como ter cinco orgasmos múltiplos em uma hora de sexo? Não é possível, ela nunca tinha experimentado aquilo. A vida sexual deles devia mesmo ser uma porcaria. A senhora comprou logo uns dez manuais do tipo. Um deles haveria de satisfazer as necessidades do casal.

Na hora do vamos-ver, lá estavam eles. A pilha de livros ao lado da cama, posições escolhidas, páginas marcadas.

- Isso, agora passa a perna para lá.
- Não, não, tá errado! Olha aqui como é que faz!
- E o que é que eu faço com picolé?

E, em meio a tantas regras, não havia tesão que resistisse. As pernas já não conseguiam mais se manter na posição indicada, quanto mais fazer movimentos como mandavam as "bíblias do sexo".

Estavam desolados. Era impossível, não havia mais solução para eles. Deviam mesmo desistir, separar-se, mesmo depois de 37 anos de casados.

Foi quando ela olhou pro marido, ali ao lado, com aquela barriguinha de cerveja e o dedão do pé torto. Os olhos meio vesgos. As mãos já enrugadas. E então ela teve certeza. Entendeu tudo.

Tudo o que ela precisava estava ali, há anos. As qualidades e defeitos que tanto a encantaram. Um fogo começou a surgir dentro dela. Tesão louco, irrefreável. Ela olhou pro marido e eles se amaram, como faziam há 37 anos.

Só aí ela entendeu que eles eram felizes na cama e fora dela. E nenhum manual de auto-ajuda os convenceria do contrário.



Comente!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 12:50:57 PM





Domingo, Setembro 07, 2003

{ Em tempo }



Para quem achar que eu sou metida a besta, que fique claro que eu me fodi muito antes de entender tudo isso. E tenho dito!
Blé!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:43:09 PM





{ Independência ou morte! }



Todos dizem que querem ser independentes, que querem ser livres. Mas sempre preferem ficar presos. Presos a situações desconfortáveis, a atitudes incômodas, evitando a tarefa de assumir prováveis erros e eventuais desastres. Afinal, o que fazer se não houver quem culpar a não ser si próprio? E então suportam tudo.

Cada vez uma desculpa diferente para desculpar a própria fraqueza. A verdade é que se tem medo. Porque ser livre é bom, desde que possa sempre escapulir quando a coisa apertar. A natureza humana deve ser muito fraca mesmo. O desejo de ser livre sempre bate de frente com o medo. E então só resta a você a escolha.

E quantos você não conhece que continuam resignados enquanto o mundo gira? Gente que pode mudar, que pode ir atrás do que quer, que pode ser feliz. Mas, se forem, não poderão culpar a mais ninguém. Eu escolhi arriscar.

Quem mexeu no meu queijo? foi o melhor livro de auto-ajuda que eu já li. Acho que é porque foi o único que realmente me ajudou (aliás, dúvidas quanto ao quesito "auto-ajuda", já que é a leitura que me ajuda.). Uma questão me atormentava dia e noite:

"O que você faria se não tivesse medo?"


Foi então que eu descobri que eu desejava tanto ser feliz, mas tanto, que tinha medo. Eu tinha tudo ao meu alcance, mas era preciso correr um pouco.

Hoje, dia sete de setembro, independência do Brasil, descubro que "independência ou morte!" tem mais sentido do que eu jamais imaginei. Entendo, agora, que ser livre é arriscar ser feliz. Quem não se dá ao trabalho de arriscar já está morto - mesmo que vivo.

O que você faria se não tivesse medo?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:33:55 PM





Sexta-feira, Setembro 05, 2003

{ Eu sei }



Eu sei, eu sei. Deixei a mosca mergulhar de cabeça e nadar no chá. Abandonei o blog por algumas semanas. Mas porra! Eu voltei, agora pra ficar - pelo menos até o próximo final estressante de semestre. O pior da greve é que tenho dois finais de semestre para ter só um semestre. Ê lerê. Mas se não fosse a greve...

Bom, mas voltando ao assunto... eu voltei! Mereço muitos comments, dizendo que estavam com saudades, acompanhados de pedidos para não sumir nunca mais e servidos com "graças a deus que você voltou"! Cadê? Cadê?

Humpf!

Prato feito:

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 7:24:39 PM





Quinta-feira, Setembro 04, 2003

{ All you need is love }





postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:00:32 AM





{ Medicina alternativa }



Tem dias que a gente dói. Pé, cabeça, barriga ou pescoço. Nesses dias, a gente vive apoiado em anestésicos, analgésicos, digestivos, digestores, dispositivos para aliviar o sofrimento que insiste em não passar sozinho.

Outras vezes, doem rins, fígado, vesícula, útero (em quem o tem, claro). E se pensa na possibilidade de ter AIDS, câncer, gripe, diabetes, gravidez. Não deve ser nada disso. Nada que um bom médico ou um bom remédio não resolvam.

Pior é quando a dor é aquela que nenhum médico pode curar. Quando dói o coração e não há cardiologista que dê jeito. Quando a cabeça está confusa, mas nenhum neurologista entenderia. Há outras coisas que nenhum médico pode curar: o tremor das mãos, o frio na barriga, o arrepio na espinha ao ver a pessoa amada. Assim como na música em que "ela só quer, só pensa em namorar", o Seu Doutor nada pode fazer.

Para curar os males da alma, só um bem - bem grande. E, então, não há medicina para explicar, mas tudo vai estar ótimo. Mesmo que ainda doa pé, cabeça, barriga ou pescoço...

Qual é o seu remédio?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 10:30:13 AM





Segunda-feira, Agosto 25, 2003

{ Bolinhos }



Ter contato com alguém todos dias é estranho. Dizer oi, tchau, bom dia, divirta-se, juízo. Todo santo dia. Ao mesmo tempo, é muito bom. Ter alguém pra dizer bom dia. Pra dizer que vai chover. Pra fazer companhia no mercado. Ainda não sei quando quero isso para mim, mas sei que quero.

Assim como quero flores naturais na sala e quadros na parede vazia do meu quarto. Plantas na sacada e bichos de estimação no quintal. Também queria ter mais tempo para fazer o que não tenho feito. Para dizer aos que eu gosto o quanto eu gosto. O quanto eu sinto. O quanto eu amo.

Mas, na Curitiba seca, todos os desejos são como cheiro de bolinhos de chuva fritando na gordura. Só que não há bolinhos, nem chuva. E eu queria tanto os dois. E tempo. Tempo de chuva para comer bolinhos. Com alguém para desejar bom dia.



Sossegue Coração

sossegue coração
ainda não é agora
a confusão prossegue
sonhos afora

calma calma
logo mais a gente goza
perto do osso
a carne é mais gostosa

Leminski


Bom dia!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:00:02 AM





Sexta-feira, Agosto 15, 2003

{ Colher de chá }



Uma pessoa me escreveu para dizer que o link da Folha, no post abaixo, não abre nem com reza braba (na verdade não foi esse o termo empregado). Então, só dessa vez, vou dar uma colher de chá e colar aqui o texto que me fez rir tanto na sexta.

08/08/2003 - 14h46
Loja de brinquedos em Nova York é invadida por "multidão-relâmpago"
da Reuters, em Nova York
da Folha Online

Uma "multidão-relâmpago", organizada para provocar uma aglomeração de pessoas em locais inesperados, invadiu ontem uma loja de brinquedos na Times Square, em Nova York, onde um dinossauro gigante ruge e assusta os clientes.

O grupo de cerca de 300 pessoas encarou o dinossauro, como se estivesse hipnotizado, depois caiu no chão gritando e levantando os braços. Um funcionário da loja correu para chamar o segurança, enquanto a "multidão-relâmpago" se dispersou tão rapidamente como se juntou.

Foi o sexto encontro da "multidão-relâmpago" em Nova York e o mais recente de uma série de encontros que tem surgido em diversos países. O evento conta com participantes que são convidados por e-mail a chegar a um local predeterminado com hora marcada.

Ontem em Londres, aconteceu a primeira "multidão-relâmpago" britânica. Cerca de 200 pessoas invadiram uma loja de móveis, sacaram os telefones celulares e começaram a elogiar os sofás.

Baseado em Nova York e sem nenhum propósito, o Projeto Multidão foi fundado em junho por um norte-americano chamado Bill, que enviou um e-mail a alguns amigos, que o encaminharam a seus amigos, e assim por diante.

As "multidões-relâmpago" já cruzaram os Estados Unidos e muitas cidades européias.

O primeiro evento na Europa ocorreu em Roma no mês passado, quando um grupo se reuniu em uma livraria e encheu os vendedores de perguntas sobre livros que não existem.

Entre os locais visitados pelo projeto em Nova York está o Central Park, onde a multidão gorjeou como pássaro e cacarejou como galo, antes de se dispersar. No Hyatt Hotel, os participantes começaram a bater palmas espontaneamente. Na loja de departamento Macy's, eles fingiram procurar por um "cobertor do amor". E em um loja de sapatos no Soho, eles atuaram como turistas de Maryland.

Segundo os organizadores, que pediram para não ser identificados, a graça da "multidão-relâmpago" é sua natureza absurda e inexplicável.

Fonte: Folha Online (http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u61334.shtml)


postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 8:17:30 PM





Terça-feira, Agosto 12, 2003

{ Efêmero }



A graça da vida reside na inconstância do todo que compõe o mundo. O que está aqui, agora, pode estar completamente diferente daqui a 10 segundos. Como um leite que ferve e derrama, como uma bomba que explode, como um amor que surge ou que abre a porta e vai embora.

Algumas vezes não acho graça. Quando o amor do outro vai mas o meu ainda mora lá. Quando o leite derrama e tenho que limpar a meleca toda. Não é divertido porque dá trabalho. Exige sacrifício, fazer uma coisa que eu não queria, justo agora, estava tudo tão bem, estava tudo uma porcaria mesmo, não devia ter saído da cama.

E onde está a vantagem na efemeridade das coisas? Ah, são tantas. Se sujou, dá pra limpar. Se quebrou, dá pra colar. Se se foi, sempre é possível lembrar. Mas há o que prefiro esquecer. Só que já não me recordo mais o que é.

Além disso tudo, a efemeridade pode ser hilária. Como as multidões instantâneas que têm se formado através de e-mails, sem motivo e sem objetivo. São no mínimo engraçadas. Eu ria muito lendo a matéria na Folha Online, na sexta. Porque a situação era cômica e porque era sexta-feira.

Assim como todo o restante dos componentes do universo, meu mundo também é recheado de inconstância. Tudo muda após as 00h de sexta. Porque é sábado. Ou nada muda. Mas continua sendo sábado (pelo menos até ser domingo).

A velocidade dos acontecimentos é tão rápida quanto meu riso. E não há como segurar nem um, nem outro. E hoje só é terça-feira.

Cadê? Cadê? ... Ih, já foi...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:37:37 PM





Segunda-feira, Agosto 11, 2003

{ Ai ai ai }



Odeio suspense. Fico aqui esperando. Ai ai ai. Tudo bem, agora não dá pra fazer nada mesmo.

É mais ou menos isso que acontece todos os sábados quando tenho que ir pesar. Será que emagreci? Quanto será que emagreci? E se eu engordar? Tudo bem, continuaremos na labuta, fazer o que.

Mas que esse suspense mata, ah, mata. Nem o Prozac dá conta de tanta ansiedade. Ai ai ai.

Juro que se eu tiver tempo escrevo um texto decente. Esse aqui é só pra enganar quem anda perguntando pelo update do blog.

Me mande tomar vergonha na cara e escrever alguma coisa que preste!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 9:36:52 AM





Quarta-feira, Agosto 06, 2003

{ Inércia }



Inércia é a propriedade comum a todos os corpos materiais, mediante a qual eles tendem a manter o seu estado de movimento ou de repouso.

Estou tentando quebrar a inércia. Depois de alguns meses vivendo somente para a faculdade, volto a trabalhar. Dar conta de tudo parece impossível agora. Rezo todas as noites, pedindo para Deus fazer o Lula manter a Reforma da Previdência. Graças a isso, tenho só metade das aulas habituais.

Enquanto isso, para não ficar parada, lá vai um textinho no blog. Daqui a pouco crio coragem e começo a arriscar atividades totalmente alternativas, como fazer Pilates. Mas agora não. Agora quero dormir.

ZzZZZZzzzzZzZZzzzz...

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 12:15:30 PM





Domingo, Agosto 03, 2003

{ Filha de Deus }



Issaí, porra! Eu também sou filha de dEle, então mereço meu descanso, não? Até porque que não terei mais minha folga diária de 8 horas (além das 8 horas que eu passo dormindo). Sim, sim, sim!! Não sou mais uma pessoa desempregada. Deus lembrou de mim. Voltou do transe em que estava, preocupado com as vítimas da guerra no Iraque, sei lá. Não reclamo, pelo contrário.

Deus é curioso. Ele aparece, dá o céu e a terra, aí some. Fica meses longe. Parece que fica espreitando, só esperando o momento de incredulidade (credo, isso existe?) total, em que eu estou pronta para gritar que Ele não existe. Aí é que tudo acontece. O sol aparece, as coisas dão certo. Como se Deus quisesse dizer "ah, duvida? Pois eu tô aqui, gatinha!".

É por isso que Ele é meu camarada. Ele nunca me deixa na mão - pelo menos não por tempo suficiente pra eu desistir de crer. Valeu, meu chapa.

Faaaaaaaaale!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 11:04:12 PM





Sexta-feira, Agosto 01, 2003

O fim de uma espera e o início de uma nova. Ai ai ai. Passa logo, tempo!!! Que lerdeza.
Toca telefone! Necas... nem um "trim" sequer. Tudo bem. Agora tenho compromisso mesmo.
Depois escrevo um texto decente. Talvez com notícias. Talvez não.

Enquanto o telefone dorme, comente!

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:17:54 PM





Quinta-feira, Julho 31, 2003


{ Espera }



Tic. Tac. Tic. Tac. Tic. Tac. Esperar significa que você depende de alguém. Se, por um lado, fica a sensação de que não se está sozinho no mundo, por outro, reforça a solidão. Está sozinho esperando alguém que não veio ainda. Porque, quando vier, está acabada a espera. Ufa.

Tac. Tic. Tac. Tic. Tac. Tic. Pior é esperar sem certeza. Pode ser que não venha, e só se pode esperar. Há quem reze. Há quem coma. Há quem durma na impotência do aguardo. Venha logo, mesmo que para dizer que não vai ficar.

Trimmmmmm:

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 2:26:35 PM





{ Diálogo }



Tem dias em que é complicado escrever alguma coisa que faça sentido. Porque o que se quer é falar com alguém, e não falar sozinho. E escrever é sempre um ato solitário. Escrever é masturbar-se.

Isso mesmo! Agora sim. E tem dias que se prefere o sexo a dois. Aliás, sempre prefiro, mas nem sempre é possível, certo? Assim é o escrever.

O tesão é o mesmo, mas o prazer é diferente. Botar o que se pensa no papel é parir um filho, é cagar e andar para o que podem achar, é desejar explodir ao mundo discussões interiores e intermináveis. Masturbar-se é um descarregar físico nem sempre emocional. Como no sexo a dois, embora eu sempre prefira o a versão estendida - com emocionais. E, aí, o fornicar pode ser muito mais que só uma trepada e virar um ótimo texto.

Hoje eu não queria escrever porque não queria um prazer solitário. Mas antes que eu pensasse, foi. Uma ejaculação precoce.

Quer comentar?

postado por: Letícia Junqueira - Lady Erinyes 12:33:02 AM





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